Saturday, February 07, 2009

Resumo da apresentação do dia 12/02/2009
Café Científico comemorativo do DIA DARWIN

Peixes, répteis e nossos outros eus: as origens evolutivas das características dos mamíferos

por Pedro Luís Bernardo da Rocha (Instituto de Biologia/UFBA)


Distintas estruturas de um organismo, como o nosso, tiveram origens em momentos muito distintos da história da vida na Terra. Em alguns momentos, o surgimento de novas estruturas permitiu o desenvolvimento de novas estratégias de vida. Em outros, a herança dessas estruturas restringiu tal desenvolvimento. Nessa palestra, a concepção de que os organismos representam mosaicos de estruturas com idades evolutivas muito distintas será apresentada através de exemplos com organismos bastante conhecidos: os vertebrados.


Sugestões para leitura.

Darwin, C. A origem das espécies (há várias edições em português disponíveis no mercado).
Pough, F. Harvey; Janis, Christine M.; Heiser, John B. 2008. A vida dos vertebrados (4a Edição).
Atheneu SPHildebrand, M. & Goslow, G. 2006. Análise da estrutura dos vertebrados. (2a. Edição).
Café Científico comemorativo do DIA DARWIN*
12 de fevereiro de 2009 (quinta-feira) – 18:30

Peixes, répteis e nossos outros eus: as origens evolutivas das características dos mamíferos

por Pedro Luís Bernardo da Rocha (Instituto de Biologia/UFBA)

*Excepcionalmente, o café não será no dia em que costuma ocorrer, mas sim numa quinta-feira, devido à comemoração do DIA DARWIN, iniciativa que ocorre em quase todos os países.

Monday, January 05, 2009

Resumo da apresentação do dia 12/01/2009

A crise mundial, seus efeitos sobre o Brasil e nossa capacidade de resposta

por Osmar Sepúlveda (Faculdade de Ciências Econômicas, UFBA)

A crise financeira mundial que eclodiu em 15 de setembro de 2008 teve origem nos Estados Unidos da América, com a insolvência de várias instituições financeiras em Wall Street: Lehman Brothers; Merril Lynch e a Seguradora AIG foram as primeiras a pedir ajuda a quem pudesse ajudar. O Estado Norte-Americano se recusou a ajudar. O FED – Federal Reserve System, que exerce nos EEUU o papel de Banco Central, já havia, em julho de 2007, gasto bilhões de dólares para resgatar a carteira Bear Stearns comprada pelo JP Morgan Chase (com recursos do FED) a na estatização das Agências Fannie Mae e Freddie Mac, duas das maiores agências norte-americanas de crédito hipotecário (segundo dizem, carregadas de títulos da China), retardando a crise para 2008.

Na verdade, a gênese da crise está ligada à desregulamentação dos mercados, permitindo ao mercado financeiro auto-gerenciar seus negócios, sem as peias impostas pelos estados nacionais, que foram criadas após a crise de 1929. Sem fiscalização e monitoramento dos Bancos Centrais, os agentes econômicos ficaram livres para criar ativos financeiros muitas vezes maiores do que os ativos reais que lhes davam sustentação, através da emissão de títulos “derivativos”. Basta ver que os referidos ativos financeiros (equivalentes a 167 trilhões de dólares) representavam aproximadamente 3,5 vezes o PIB mundial de 48,3 trilhões de dólares em janeiro de 2008 (conforme Mckinsey Global Institute).

A crise poderia se limitar aos países centrais do capitalismo (EEUU, Inglaterra, Europa do Euro, Japão), não fosse o processo de globalização dos mercados de bens e serviços. É a globalização que provoca uma comunicação entre a economia real e o seu financiamento através da globalização do mercado financeiro. Todos os países, capitalistas ou não, que tiverem suas economias financiadas pela poupança mundial, terão que ser afetados direta ou indiretamente pelos efeitos da crise.

Um dos países menos afetados diretamente pela crise é o Brasil. Além disso, por características políticas próprias, nosso país é um dos mais preparados para suportar os efeitos da crise. Essas características podem ser resumidas da seguinte forma: 1) a economia brasileira não está totalmente desestatizada (afortunadamente); 2) nosso sistema bancário privado não arrisca, especula com títulos públicos (nós pagamos impostos e eles recebem extraordinárias transferências do estado por meio da política de taxas de juros elevada); 3) o Brasil tem um comércio internacional multilateral, não dependendo de qualquer país isoladamente (principalmente dos EEUU) e sua pauta de exportação é baseada em commodities tanto agrícolas como industriais; 4) sua dívida externa é de pequena monta (comparada com seu PIB), está internalizada, e suas reservas cambiais são elevadas quando comparadas com seu comércio internacional; 5) os instrumentos de política fiscal e monetária oferecem folgas: receita pública elevada, gastos correntes concentrados no custo financeiro da dívida – basta reduzir a elevadíssima taxa de juros para recuperar a capacidade de investimento do estado –, inflação controlada pelas importações e taxa de câmbio próximo do equilíbrio macroeconômico; 6) por fim, e não menos importante, um grande mercado interno, abandonado pela política neoliberal, que pode ser dinamizado com política fiscal e monetária independente.

Sugestão de leituras:

Pinheiro, Márcia. O novo socialismo: finanças, o Tesouro Americano entra em cena para salvar Wall Street. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 514, p. 26-30, setembro 2008.

Belluzzo, Luiz Gonzaga. O problema está aqui. A sucessão de bancarrotas demoliu a presunção do mundo ocidental. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 514, p. 32-40, setembro 2008.

________. O incansável Molock. Ideologia. Os detentores da riqueza não escapam da euforia que culmina em crise. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 518, p. 36-38, outubro 2008.

Netto, Delfim. Repetição do Mesmo. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 518, p. 39, outubro 2008.

Klein, Naomi. Mercado livre. Folha de São Paulo, São Paulo, 28 de setembro de 2008. Suplemento Mais; p.4.

Folha de São Paulo. De que são feitas as crises. Folha de São Paulo, 28 de setembro de 2008. Suplemento Mais; p.5.

Gresh, Alain. A marcha para a multipolaridade. Le Monde diplomatic Brasil. São Paulo. Ano 2 – Nº. 16, p. 12-13, novembro de 2008.

Bulard, Martine. Uma nova geopolítica dos capitais. Le Monde diplomatic Brasil. São Paulo. Ano 2 – Nº. 16, p. 10-11, novembro de 2008.

Hobsbawm, Eric. El declive del imperio norteamericano. Le Monde diplomatic en español. Valencia. Ano XIII, nº. 157, p. 10, novembro de 2008.

Galbraith, John. Kenneth. 1929 o colapso da Bolsa. São Paulo: Pioneira, 1988.
12 de janeiro de 2009 – 18:30

A crise mundial, seus efeitos sobre o Brasil e nossa capacidade de resposta

por Osmar Sepúlveda (Faculdade de Ciências Econômicas, UFBA)

Monday, December 01, 2008

Resumo da apresentação do dia 01/12/2008

Arqueologia subaquática na Baía de Todos os Santos

por Gilson Rambelli (Depto. de Antropologia e Etnologia da UFBa)

A Arqueologia Subaquática é Arqueologia! Esse é o ponto de partida de nossa reflexão.

Durante muito tempo o ambiente aquático, sobretudo o marinho, foi considerado um ambiente intransponível. Essa concepção, carregada de simbolismos, foi construída ao longo de milênios, em diferentes sociedades, e irá influenciar na maneira como as pessoas, hoje, pensam o mar, e, em particular, o fundo do mar.

Os testemunhos da aventura humana sobre o planeta que se encontram submersos, por diferentes motivos, foram considerados como coisas perdidas, até bem pouco tempo. Assim, a possibilidade de se fazer estudos arqueológicos desses vestígios foi substituída pela fantasia de se recuperar tesouros perdidos.

O problema dessa visão romântica sobre os sítios arqueológicos subaquáticos é que ela tem contribuído para a destruição desse patrimônio cultural, principalmente aqui, em Salvador, e na Baía de Todos os Santos.

Todo sítio arqueológico é patrimônio público! Pertence a todos nós! E com uma característica que deve ser ressaltada: eles são únicos e não renováveis. Ou seja, uma vez destruídos, é para sempre. Não podemos mais conceber, em pleno século XXI, que o fundo do mar e os testemunhos de atividades humanas pretéritas, como os restos de naufrágios, por exemplo, sejam considerados terra de ninguém.

Ora, o ambiente aquático não é mais tão intransponível assim. Ele está cada vez mais acessível. O mergulho recreativo comprova bem isso. Cada vez mais pessoas aprendem a mergulhar, de forma que, hoje, ninguém mais pode, e nem tem esse direito, explorar esses bens submersos em benefício próprio, como se fazia no século XIX e no começo do século XX.

Quem deve estar atento a esse tipo de problema é a sociedade, merecedora de todos os esforços da Arqueologia, da Arqueologia Subaquática, para a produção do conhecimento sobre esse patrimônio cultural, e não somente os especialistas.

Urge uma mudança de mentalidade e de atitude em prol do patrimônio cultural subaquático, se não ele desaparecerá, literalmente, debaixo de nossos olhos.


Leituras Adicionais:

Bass, George F.. Arqueologia subaquática. Lisboa: Verbo, 1966.

Rambelli, Gilson. Arqueologia até debaixo d’água. São Paulo: Maranta, 2002.

Mais textos e informações sobre esse assunto em:
Próximo Evento 1 de dezembro de 2008 – 18h30min

Arqueologia subaquática na Baía de Todos os Santos

por Gilson Rambelli (Depto. de Antropologia e Etnologia da UFBa)

Tuesday, October 28, 2008

Resumo da apresentação do dia 10/11/2008

Como os insetos escolhem suas plantas hospedeiras?

Por Iara Bravo, professora do Instituto de Biologia da UFBa.

Os insetos compreendem 75% das espécies de animais descritas e apresentam uma incrível diversidade de estilos de vida. Dentre os insetos, 45% das espécies se alimentam de plantas (fitófagos), o que os torna, atualmente, nossos maiores competidores por alimento. Dessa forma, as suas escolhas nos afetam diretamente; daí a importância de conhecê-las.

Insetos e plantas compartilham associações antigas que datam do Carbonífero (cerca de 300 milhões de anos atrás). Para os insetos fitófagos, além de fonte de alimento, uma planta hospedeira pode servir também como sítio para acasalamentos e abrigo. Para as plantas, a ação dos fitófagos, geralmente, tem efeitos negativos, prejudicando seu desenvolvimento. Mas, pode também ter efeitos positivos, como a dispersão de sementes quando os frutos caem, pela alimentação de insetos frugívoros, ou o estímulo de brotamento em algumas plantas, produzido pelo consumo de folhas. Para os insetos, a fitofagia representa um desafio, porque eles devem localizar as plantas que lhes servirão em meio a uma variedade de outras, devem enfrentar suas limitações nutricionais (plantas são mais pobres em proteínas que alimentos de origem animal), suas defesas físicas (espinhos e pêlos) e químicas (substâncias que podem envenená-los) e ainda arriscarem-se à predação enquanto se alimentam. 

O encontro e a seleção da planta hospedeira pelos insetos fitófagos, tanto para a alimentação como para a oviposição, envolvem geralmente comportamentos estereotipados. O desencadeamento desses comportamentos acontece mediante um amplo conjunto de sinais físicos e químicos relacionados com as plantas hospedeiras potenciais. Além disso, a presença de competidores e/ou predadores pode alterar a escolha do inseto.

Neste encontro, vou tratar de algumas questões sobre como diferentes tipos de insetos escolhem suas plantas hospedeiras. Por exemplo, insetos especialistas (alimentam-se de uma ou poucas espécies de plantas) usam os mesmos mecanismos que os generalistas (alimentam-se de várias espécies) para o encontro e escolha de suas plantas hospedeiras? Que fatores determinam a amplitude do “cardápio” de um inseto?  Como fêmeas adultas de insetos com metamorfose completa (ovo® larva® pupa® adulto) que se alimentam de recursos diferentes dos das larvas e só têm contato com a planta hospedeira no momento da oviposição, escolhem a planta hospedeira adequada para a prole? Os insetos são capazes de aprender a reconhecer determinadas características das plantas e modificar seu comportamento de escolha em função disso? 

Esses aspectos, além de outros, têm grande importância para a compreensão das relações ecológicas e evolutivas entre insetos e plantas. Do ponto de vista prático, tais estudos são especialmente importantes em insetos considerados pragas agrícolas, sendo úteis para o conhecimento de como pode ocorrer a distribuição dos insetos nas plantas hospedeiras, bem como de como pode se dar a escolha ou mudança de hospedeiros, auxiliando no controle e manejo de tais populações.


Leitura recomendada

 EDWARDS, P. J. & WRATTEN, S. D. 1981. Ecologia das interações entre insetos e plantas. Coleção Temas de Biologia. Editora Pedagógica Universitária, São Paulo.  71 pp. 

Gullan, P. J. & cranston, P. S. 2007. Os Insetos: um resumo de entomologia. Editora Roca LTDA, São Paulo. 440pp. 

Panizzi A.R. & Parra R. P. 1991. Ecologia nutricional de insetos e suas implicações no manejo de pragas. Editora Manole LTDA, São Paulo 359 pp.

Próximo Evento 10 de novembro de 2008 – 18h30min

Como os insetos escolhem suas plantas hospedeiras?

por Iara Bravo (IB-UFBA)


Café Científico na Mídia 8 - Clipping A TARDE




Friday, October 03, 2008

Resumo Evento - 13 de outubro de 2008 - 18h:30min

O que (não) é a matemática?

por Thierry Petit Lobão (Instituto de Matemática da UFBa)

Há aqueles que gostam de Matemática, outros... nem tanto; há os que a conhecem mais, e há também os que se restringem ao que aprenderam nos anos de escola... Todavia creio que todos concordam se afirmarmos que a Matemática, independentemente de tempo e lugar, perpassa tudo o que fazemos ou pensamos. E creio também que muitos já se perguntaram: mas afinal, que é Matemática?

Evidentemente esta questão envolve várias outras! Pois ela abarca interrogações do tipo: Quando surgiu a Matemática? Onde? Ela é realmente necessária para entendermos o mundo? Esta última relaciona-se certamente a outras como: Ela está correta? Já sabemos tudo sobre Matemática ou ainda há algo por aprendermos? O que nos leva à dúvida de muitos alunos: Temos mesmo que estudar Matemática, para que? Há questões profundas como: A Matemática é uma ciência? Ela é inventada ou descoberta? E outras que são apenas curiosidades, mas interessantes como: Por que não há um prêmio Nobel para a Matemática? Para fazer-se Matemática é necessário ser jovem? Ou um gênio? Um matemático tem que ser criativo ou basta fazer raciocínios rápidos? Ganha-se dinheiro fazendo Matemática?

Neste nosso encontro, discutiremos a Matemática, mas não daremos uma resposta definitiva a qualquer destas questões (exceto talvez aquela sobre se devemos estudar Matemática!); pois acreditem: muitos tentaram (bem mais capazes que eu!) e obtiveram respostas que se revelaram incompletas ou totalmente equivocadas! Mas certamente suas propostas podem nos ajudar a revelar algo do fascinante mundo da Matemática! Recordando algumas destas, tentarei mostrar-lhes que a Matemática surgiu muito, muito tempo atrás, e em todos os cantos do mundo! E que este, o mundo, parece que se revela pela Matemática. Que a Matemática é sim uma ciência e que, em certo sentido, está correta; sendo talvez a única ciência que pode gabar-se disto! Mas que também tem algo de arte; pois, diferentemente do que muitos pensam, nela há de fato uma imensa liberdade para a criação, sem a qual ela absolutamente não evolui. Realiza-se assim um raro e surpreendente casamento entre a verdade e a beleza, tão caras à ciência e à arte. Ademais que todo o conhecimento que temos da Matemática, embora em constante e acelerado desenvolvimento, é infinitamente menor do que aquilo que ainda podemos saber. Que a Matemática não é misteriosa nem impenetrável, e que um matemático não tem idade apropriada nem necessita de dons especiais; tem apenas que gostar de saber sempre mais, e entender que, de alguma forma que ainda não compreendemos, a Matemática está presente em todos os aspectos mundo; que basta aventurar-se neste caminho, e ele é realmente fascinante!


Algumas sugestões para leitura:

O que é Matemática? Richard Courant e Herbert Robbins – Ed. Ciência Moderna.
Introdução à História da Matemática. Howard Eves – Ed. Unicamp.
Uma História da Matemática. Florian Cajori – Ed. Ciência Moderna.
A Rainha das Ciências. Gilberto G. Garbi – Ed. Livraria da Física.
Filosofia da Matemática. Stephen F. Barker – Ed Zahar.
Uma Introdução à Filosofia da Matemática. Stephan Körner – Ed. Zahar.
A Matemática para todos. Carloman Carlos Borges – Ed. UEFS.
Próximo Evento - 13 de outubro de 2008 - 18h:30min

O que (não) é a matemática?

por Thierry Petit Lobão (Instituto de Matemática da UFBa)

Tuesday, August 19, 2008

Resumo Evento - 1 de setembro de 2008 - 18h:30min

Modelando a Natureza: A não-linearidade à luz da Matemática e da Computação

por Suani Tavares Rubim de Pinho (Instituto de Física da UFBa)

A partir da segunda metade do século XX, assistimos ao surgimento de uma “nova ciência” denominada Dinâmica Não-Linear; que atingiu as Ciências Naturais - Física, Química e Biologia – com repercussões nas Ciências da Saúde e Sociais. Tal caráter multidisciplinar requer uma abordagem sistêmica, na qual se descreve o comportamento de sistemas, físicos, químicos ou biológicos, que evoluem no tempo e no espaço, identificando interessantes padrões espaciais em diferentes instantes. Esta descrição se dá por modelos matemáticos, implementados em rotinas computacionais, e validados quando confrontados com dados reais. Modelando aspectos essenciais dos fenômenos, pretende-se descrever o comportamento global que emerge destes sistemas, muitas vezes, de caráter complexo.

Apresentaremos, por meio de exemplos, a evolução das idéias desenvolvidas nesta área que começam com a Teoria do Caos e a Geometria Fractal nas décadas de 60 e 70, culminando com o estudo dos Sistemas Complexos a partir da década de 90. E ressaltaremos a relevância do uso dos computadores para o desenvolvimento da Dinâmica Não-Linear.

Através da modelagem matemática, espera-se expressar mais formalmente as não-linearidades dos fenômenos naturais. Este é o terreno da Matemática Aplicada! A descrição dos sistemas sociais também segue o caminho da formalização, a exemplo do uso das chamadas redes complexas. No entanto, neste debate, restringiremos nossa análise predominantemente aos sistemas naturais.

Embora as ciências físicas atualmente estejam mais formalizadas que as biológicas, amplia-se a importância de formalização destas últimas, Neste cenário a necessidade de equipes multidisciplinares oriundas das áreas de ciências exatas, biológicas e sociais torna-se premente, tanto em nível do desenvolvimento da ciência quanto no da formação dos estudantes.


Sugestões para leitura:

Ian Stewart, Os Números da Natureza – a realidade irreal da imaginação matemática. Ed. Rooco, Rio de Janeiro, 1996.

Edward N. Lorenz, A Essência do Caos. Ed. Universidade de Brasília (UnB), Brasília, 1996.

Benoît Mandelbrot, Objetos Fractais. Ed. Gradiva, Lisboa, 1991.

H. Moysés Nussenzveig (org.), Complexidade & Caos. Ed. UFRJ / COPEA, Rio de Janeiro, 1999.

Eduardo Massad, Renée X. de Menezes, Paulo S. P. Silveira, Neli Regina S. Ortega, Métodos Quantitativos em Medicina, Ed. Manole, São Paulo, 2004.
Próximo Evento - 1 de setembro de 2008 - 18h:30min

Modelando a Natureza: A não-linearidade à luz da Matemática e da Computação

por Suani Tavares Rubim de Pinho (Instituto de Física da UFBa)


* Excepcionalmente, apenas este mês, o café científico será na primeira, em vez de na segunda semana.

O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.

Estamos procurando implantar uma conduta ambientalmente responsável no café. Assim, pedimos à nossa audiência que leve suas canequinhas, copos etc. para beber o café e a água oferecidas durante o evento. Assim, poderemos não usar tantos copinhos de plástico, que têm custo ambiental considerável, visto que não podem ser devidamente reciclados.

Monday, July 28, 2008

Resumo da apresentação do dia 11/08/2008

Permanência e Transformação: Como a Termodinâmica vê os processos físicos

por Ernesto Borges (Escola Politécnica - UFBa)


Energia é um conceito fundamental em ciência. Ela se apresenta sob várias formas: energia mecânica, elétrica, gravitacional, química etc. Quando um sistema sofre transformações, sua energia pode mudar de uma forma para outra, mas a energia total se mantém constante.

Do ponto de vista da energia, em princípio, qualquer transformação que mantenha a energia total constante é possível. Entretanto, não é isso que observamos: algumas transformações sempre ocorrem, enquanto outras nunca acontecem. Por exemplo: se colocarmos uma gota de adoçante no café, mesmo que não o mexamos com uma colher, após algum tempo todo o café estará adocicado. Entretanto, após a mistura ter sido feita, nunca observamos o adoçante voltar a se concentrar em uma única gota de modo espontâneo, e o restante da xícara ficar como antes, sem o menor vestígio do sabor doce. Para explicar a predileção da natureza por algumas transformações em relação a outras é necessário utilizar um conceito adicional: a entropia.

Assim como a energia, a entropia é uma propriedade característica de todos os sistemas. Entretanto, seu comportamento é diverso: enquanto a energia se mantém constante (Primeira Lei da Termodinâmica), a entropia sempre aumenta ao longo de uma transformação (Segunda Lei da Termodinâmica). Desse jogo entre o que permanece constante e do que se transforma, resulta o modo como a Termodinâmica explica os processos físicos.


Leituras adicionais:

Gino Segrè, Uma questão de graus, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2005.

Suani T. R. Pinho e Roberto R. S. Andrade, "Evolução das idéias daTermodinâmica e da Mecânica Estatística", em José Fernando Rocha (org.), "Origens e evolução das idéias da Física", Edufba, Salvador, 2002.

Octave Levenspiel, Termodinâmica amistosa para engenheiros, Editora Edgard Blucher Ltda.
Próximo Evento -11 de agosto 18h30min

Permanência e transformação: Como a termodinâmica vê os processos físicos

por Ernesto Borges (Escola Politécnica - UFBa)

Tuesday, July 22, 2008

Café Científico na Mídia 7 - Clipping A TARDE


Monday, July 07, 2008

Resumo da apresentação do dia 14/07/2008

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Glória Teixeira (ISC-UFBA)

A dengue, nos dias atuais, é uma das doenças transmitida por mosquito de maior importância para a Saúde Pública mundial. O seu vírus causador circula em quatro continentes e já atingiu mais de 100 países. Estimativas da OMS indicam que, anualmente, 50 milhões de pessoas são infectadas e cerca de 500.000 casos da Febre Hemorrágica do Dengue (FHD) ocorrem com pelo menos 12.000 óbitos por esta causa.

No Brasil, desde 2006 que epidemias sucessivas de febre do dengue vêm sendo registradas e, a partir de 1990, dois sorotipos (DENV1 e DENV2) do vírus passaram a circular simultaneamente e casos de FHD foram diagnosticados. Em 2001, com a introdução do DENV3 no país, houve agravamento da situação. Entre janeiro daquele ano e dezembro de 2002 mais de 2700 casos de FHD foram notificados. A epidemia que eclodiu em 2008 no Rio de Janeiro, com milhares de casos hemorrágicos atingindo crianças e adultos, colocou em colapso a rede de atenção à saúde daquela cidade, com grande repercussão nacional e internacional.

O estado da Bahia vem sendo acometido por dengue desde 1994 e, sua capital, Salvador, registrou a primeira epidemia logo no ano seguinte. Neste estado também circulam três sorotipos (DENV1,DENV2 e DENV3) e, a partir de 2002, principalmente, indivíduos também foram acometidos com FHD. Em 2008, houve um significativo aumento no número de casos no interior do estado, atingindo mais fortemente a região de Irecê, contudo, incremento no número de casos foi registrado em Salvador.

No que pese o avanço do conhecimento científico na área biomédica, tem-se constatado dificuldades no controle desta doença em todo o mundo, em função da inexistência de vacinas para uso em populações humanas e do controle estar centrado no combate ao seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, único elo vulnerável da cadeia de transmissão do dengue. Apesar do dispêndio de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) em ações de combate a este mosquito a situação epidemiológica do Brasil e da Bahia evidencia, claramente, que não vem se obtendo progressos na prevenção desta virose.

Diante destes fatos, cumprimento os organizadores do Café Científico pela iniciativa de trazer este tema para debate, por considerar da maior importância desvendar as razões das dificuldades institucionais, administrativas, políticas e científicas, para alcance de maior efetividade no combate ao dengue. Particularmente, pela necessidade de se implementar o componente de educação e mobilização social dos programas de controle da dengue, propósito que só será obtido com amplo debate e participação. Consideramos este componente peça chave da sustentabilidade e manutenção das ações de combate vetorial, que só são efetivas se forem contínuas, permanentes e capazes de promover modificações ambientais que tornem desfavoráveis a proliferação de um mosquito-vetor de hábitos antropofílicos, totalmente adaptado ao ambiente habitado pelo homem.

Os resultados de algumas avaliações concernentes às atividades e ações que vêm sendo desenvolvidas neste campo, no Brasil e em outros países, evidenciam claramente as dificuldades e limites das estratégias de educação, comunicação e mobilização que vêm sendo utilizadas. Entende-se que se faz necessário profundas mudanças nas abordagens que têm sido aplicadas, com vistas a superação das táticas campanhistas da antiga ‘polícia sanitária”. De acordo com as avaliações que vêm sendo conduzidas estas estratégias não têm obtido o efeito desejado, pois a maioria da população absorve os conhecimentos, ou seja, sabe onde o vetor coloca os ovos, que recipientes contendo água devem ser eliminados, da necessidade de colocar tampa nos depósitos que não podem ser eliminados, dentre outras informações. Contudo, estes conhecimentos não têm sido eficazes no sentido da indução de mudanças de práticas e comportamentos. Assim, os ambientes domésticos se mantêm receptivos à manutenção e proliferação do Aedes aegypti.

Deste modo, ao lado de pesquisas voltadas para o desenvolvimento de produtos, inovações e invenções que venham a aprimorar as técnicas de controle desta doença pelos serviços de saúde, faz-se necessário a abertura de espaços de diálogo e conversação entre profissionais, agentes de saúde e população. Este diálogo deve ser direcionado para a busca de soluções para os problemas que impedem a redução da população de mosquitos, sendo fundamental para aportar novos enfoque e subsídios para o delineamento de novas estratégias de atuação capazes de modificar comportamentos e atitudes, individuais e coletivas, frente a este risco sobre a saúde humana.
Próximo Evento 14 de julho de 2008 – 18h30min

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Glória Teixeira (ISC-UFBA)

Sunday, June 15, 2008

CANCELADO - Café Científico Especial – Ano Darwin

Não será realizado o café especial dos anos Darwin previsto para o dia 07/06. O café científico continuará com sua programação normal na segunda segunda-feira de julho (14).

Thursday, May 29, 2008

PDDU de Salvador é pauta de Café Científico

Espaço público, participação popular e o processo de elaboração e revisão do Plano

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador, sancionado neste ano pelo prefeito João Henrique, estará na pauta do Café Científico Salvador, que acontece na próxima segunda-feira (02), a partir das 18h30, na Livraria Multicampi LDM, Piedade. O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Angelo Serpa*, será o responsável por esta edição. Teorias e conceitos sobre o assunto serão tratados pelo palestrante, que retoma o mote do livro "O espaço público na cidade contemporânea", de sua autoria, lançado pela Editora Contexto, em 2007.

De acordo com Serpa, Salvador, como outras metrópoles do Brasil e do mundo, "vem conduzindo políticas de requalificação urbana seletivas e segregacionistas, que reforçam e tornam visíveis as desigualdades sócio-espaciais no tecido urbano-metropolitano". Nesse processo, em que as áreas periféricas e de urbanização popular da cidade ficam à revelia do "desenvolvimento urbano" vigente, como falar de participação popular na formulação de políticas públicas num contexto tão adverso? Sendo este um ponto de partida de Serpa para a discussão do PDDU no Café Científico, ele adianta que ainda está longe de acontecer a construção de um planejamento verdadeiramente participativo e contínuo na capital.

Com a eleição de João Henrique, a prefeitura de Salvador assumiu, em 2005, o compromisso de revisar, democraticamente, o recém aprovado PDDU (2004). O texto do Plano foi discutido a partir da mobilização de alguns setores da sociedade. No início, as audiências públicas eram vestidas da idéia de democratização da gestão urbana e da função social da propriedade. Apesar disso, ao longo do processo, a conjuntura muda. Em 2008, o Plano é sancionado pelo prefeito sob protestos e oposição de determinados segmentos da sociedade soteropolitana.

***

O Café Científico é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) e pela LDM – Livraria Multicampi. O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição.

*Angelo Serpa é doutor em Planejamento Paisagístico e Ambiental pela Universitaet Für Bodenkultur Wien (1994), com pós doutorado em Estudos de Organização do Espaço Exterior e Planejamento Urbano-Regional e Paisagístico realizado na Universidade de São Paulo (1995-1996) e em Geografia Cultural realizado na Université Paris IV (Sorbonne/2002-2003). Atualmente é professor associado da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência nas áreas de Geografia e de Planejamento, com ênfase em Geografia Urbana, Geografia Regional e Geografia Cultural, Planejamento Urbano, Planejamento Regional e Planejamento Paisagístico, trabalhando principalmente os seguintes temas de pesquisa: espaço público, periferias urbanas e metropolitanas, manifestações da cultura popular, identidade de bairro, cognição e percepção ambiental. É docente permanente na Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e no Mestrado em Geografia da Universidade Federal da Bahia, onde também coordena o Laboratório de Análise Urbano-Regional (NUAGEO) e é editor responsável pela Revista GeoTextos. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPQ.

Serviço


O quê: Café Científico Salvador com o tema "Espaço público, participação popular e o processo de elaboração e revisão do Plano Diretor de Salvador".

Quando: 02 de junho, a partir das 18h30.

Onde: Livraria Multicampi LDM, Rua Direita da Piedade, nº 20.

Contato

Imprensa – Débora Alcântara (**71 8805-6292);

Produção – Vagner Rocha (**71 8815-5004).

Outros contatos:

LDM: **71 2101-8000. Ufba **71 3283-6568.