Friday, December 07, 2012

Café Científico discute a pesquisa arqueológica na Bahia e os seus achados

Café Científico Salvador, 14/12/12 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA.

ATUALIDADE DA ARQUEOLOGIA NA BAHIA

Carlos Etchevarne

(Prof. de Arqueologia, Depto. de Antropologia, FFCH/UFBA)

Matão de Cima, município e Palmeiras, Chapada Diamantina
Sítio de pinturas rupestres

A especificidade da Arqueologia, no conjunto das Ciências Sociais, incide, fundamentalmente, sobre a natureza dos documentos com que o profissional dessa área trabalha, isto é, os vestígios materiais da produção cultural de um grupo humano. Com esta premissa fica implícito que tanto um instrumento em pedra lascada de uma sociedade de caçadores coletores como um artefato saído da cadeia produtiva de uma indústria têm, para o arqueólogo, o mesmo valor documental, na medida em que permitem interpretar aspectos históricos, econômicos ou tecnológicos das sociedades que os produziram.

A Bahia apresenta-se como um vasto território com enorme potencial arqueológico, referente aos três períodos em que convencionalmente se divide a história da ocupação humana em todo o Brasil, ou seja, períodos pré-colonial, colonial e pós-colonial.  Existem no Estado áreas das quais, de maneira sistemática ou de forma eventual, foram feitos registros de sítios arqueológicos. Em outras regiões, ainda que nunca tenham sido visitadas por especialistas, se pressupõe uma grande potencialidade por quanto apresentam condições ambientais já reconhecidas como favoráveis à instalação humana, especialmente no que se refere aos grupos de caçadores coletores ou horticultores pré-coloniais. Assim sendo, pode-se pensar no Estado da Bahia como um verdadeiro celeiro de sítios arqueológicos à espera de pesquisa, preservação e adequada utilização.

A palestra que será apresentada no Café Científico tem por objetivo mostrar um panorama arqueológico geral sobre os resultados alcançados até o presente e mostrar as diretrizes traçadas para efetuar programas de pesquisa, preservação e gestão, em diferentes partes do Estado da Bahia.



Tuesday, November 06, 2012

Café Científico discute apoptose, processo de central importância no metabolismo celular e envolvido em várias doenças

Café Científico Salvador - 22/11/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA.



“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”: uma visão celular

Valéria Matos Borges (Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ)

A célebre frase de Antoine-Laurent de Lavoisier "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” se adequa muito bem à visão celular do evento conhecido como apoptose, um dos principais tipos de morte celular programada com importantes implicações na homeostasia e desenvolvimento. A apoptose deflagra uma série de reações bioquímicas específicas que culminam na degradação do DNA (ácido desoxirribonucleico).

Por ser um evento chave para o organismo e altamente controlado, distúrbios em sua regulação, como o excesso ou a insuficiência de apoptose, muitas vezes estão implicados no aparecimento de doenças autoimunes, neurodegenerativas, câncer, entre outros. Além disso, a remoção de células mortas no organismo constitui um mecanismo vital nos mecanismos de defesa do hospedeiro e na modulação da resposta inflamatória.

A retirada de células mortas nos tecidos é realizada principalmente por células chamadas ‘macrófagos’ que também atuam como sítios de replicação de vários microorganismos intracelulares. Vários desses microorganismos patogênicos tiram proveito do ambiente anti-inflamatório gerado após a remoção, por fagocitose, de células apoptóticas para escaparem da resposta do sistema imune.
A apresentação desse tema no Café Científico discutirá como nada se perde com a morte celular e como tudo se transforma durante esse intrigante fenômeno biológico.

Para ler mais:
Livro texto: Alberts, B.; Bray, A.; Johnson, A.; Lewis, J.; Raff, M.; Roberts, K. & Walter, P. Biologia Molecular da Célula. 5ª ed. Editora ArtMed, 2010.

Livro texto: Green, D. R. Means to an End: Apoptosis and Other Cell Death Mechanisms. 1. ed. New York: Cold Spring Harbor Laboratory Press, 2011.

Maria de Fátima Horta e John Ding-E Young. Apoptose: Quando a Célula Programa a Própria Morte. Ciência Hoje (150) Jun/1999.

Cavaillon JM. The historical milestones in the understanding of leukocyte biology initiated by Elie Metchnikoff. J Leukoc Biol. 2011 Sep;90(3):413-24.

Devitt A, Marshall LJ. The innate immune system and the clearance of apoptotic cells. J Leukoc Biol. 2011 Sep;90(3):447-57. 

Friday, October 05, 2012

Café Científico Salvador discute uma nova e revolucionária perspectiva sobre o câncer.

Café Científico Salvador - 26/10/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA.

O desenvolvimento do câncer considerado sob uma perspectiva organicista

Susie Vieira de Oliveira (Depto. de Ciências Biológicas, UEFS)



O câncer tem sido, talvez, a patologia mais extensivamente estudada nas últimas décadas, tanto devido à natureza da sua complexidade, quanto por representar um grave problema de saúde pública para as sociedades contemporâneas. Trata-se de um processo multifatorial, que se desenvolve em etapas múltiplas e que é caracterizado, principalmente, por alterações no controle da proliferação e diferenciação celulares.

A descoberta dos oncogenes e dos genes supressores de tumor como entidades envolvidas na regulação dos processos de crescimento, diferenciação e morte celulares, promoveu uma explosão de investigações centralizadas na identificação de genes, dos seus produtos protéicos e das rotas metabólicas relacionadas. Estes esforços culminaram na produção de uma lista numerosa de genes/proteínas que, em seus estados alterados, estão associados a etapas específicas do desenvolvimento neoplásico. Esta relação de especificidade tem resultado, finalmente, na adoção de algumas destas moléculas como marcadores biológicos de aplicação clínica para o diagnóstico, prognóstico e estabelecimento de estratégias terapêuticas.

Apesar da valiosa contribuição destes estudos, é necessário ressaltar que mesmo para as neoplasias mais estudadas, não foi possível, ainda, identificar mutações específicas que possam ser consideradas como necessárias e suficientes para a progressão da doença. A visão de que a simples identificação de mutações específicas e do papel que os seus produtos protéicos alterados desempenham em rotas metabólicas que levam a fenótipos específicos, é baseada em uma noção de especificidade que não leva em consideração o contexto das interações e nem a história desenvolvimental da célula alvo.

A grande maioria dos estudos sobre os fatores que contribuem para o desenvolvimento do câncer é baseada na formulação de perguntas que reduzem a complexidade do processo a um problema celular. A célula é vista como uma entidade quase independente e governada pelos seus genes. Esta abordagem reducionista levanta uma série de questões paradoxais que não poderão ser respondidas, exceto pela adoção de uma perspectiva organicista, isto é, pela compreensão de que as informações obtidas nas pesquisas científicas, especialmente aquelas de natureza quantitativa, devem ser analisadas considerando o organismo, bem como os seus órgãos, tecidos e células como unidades integrativas, e portanto, sujeitas a controles nos diferentes níveis de organização biológica.

Nesta apresentação pretendemos discutir as principais inconsistências encontradas entre os estudos empíricos e a teoria que explica as bases genéticas do câncer, a Teoria da Mutação Somática, vigente há décadas, e amplamente divulgada em publicações científicas e nos livros didáticos. Para tanto, conceitos como níveis hierárquicos de organização biológica, emergência, determinismo e causalidade serão considerados na tentativa de propor novas abordagens que possam explicar o desenvolvimento do câncer.

Para ler mais:
ALBERTS, B  et al. Biologia molecular da célula. Porto Alegre: Artmed. 5a Ed., 2010.
DUESBERG, P. Caos cromossômico e câncer. Scientific American, pág. 60-67, 2007.
EL-HANI, C.N., QUEIROZ, J. Downward determination. Abstracta, 1(2): 162–192, 2005.
PLANKAR, M. et al. On the origin of cancer: Can we ignore coherence? Progress in Biophysycs and Molecular Biology, 106: 380-390, 2011.
ROSSLENBROICH, B. Outline of a concept for organismic systems biology. Seminars in Cancer Biology, 21:156-164, 2011.
SOTO, A.M, SONNENSCHEIN, C. Emergentism as a default: Cancer as a problem of tissue organization. Journal of Bioscience, 30(1): 103-118, 2005.
SONNENSCHEIN, C., SOTO, A.M. Theories of carcinogenesis: An emerging perspective. Seminars in Cancer Biology, 18: 327-377, 2008.

Thursday, September 06, 2012

Café Científico Salvador discute blogs de ciências e seu papel na divulgação científica, como vistos por um autor de blog de ciências e pesquisador da UFRJ

Café Científico Salvador - 21/09/2012 - 18:00

Local: (Excepcionalmente) Sala 2, Instituto de Biologia/UFBA, Campus de Ondina

O Instituto de Biologia fica entre a Biblioteca Central da UFBA e o PAF-1

Blogs de Ciência e Divulgação Científica na Internet

Mauro de Freitas Rebelo (Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ)


O mundo hoje é melhor do que era há 5000, 500, 50, 5 anos atrás. Por causa da ciência. Ainda assim, o que observamos nesse começo de século é uma sociedade cada vez mais distante da ciência. Por quê?!

Parte da culpa é dos cientistas. Eles nunca se esforçaram muito para traduzir seus achados para a população, apesar de a população pagar pela produção desse conhecimento científico. Mas também o processo educacional, focalizado em um modelo de escola e professor com capacidade de alcance que não conseguiu instruir a população crescente. A consequência dessa deficiência no ensino é que, de certa forma, os cientistas modernos, apesar de todos os nossos meios de comunicação, estão mais isolados do que os cientistas estavam no renascimento. Isso porque a sociedade, em geral, hoje em dia é tão incapaz de entender o que os cientistas fazem como era há 500 anos.

E assim criamos um paradoxo: as pessoas nunca usaram tanto a ciência (e a tecnologia), nunca foram tão dependentes da ciência e, ao mesmo tempo, nunca estiveram tão distantes dela. A ciência não pode nos dar tudo de que precisamos para viver bem. Mas se quisermos dar à população tudo o que a ciência tiver a oferecer para que eles possam viver melhor, vamos ter que encontrar uma forma melhor de nos comunicarmos com eles.

Essa é uma tarefa de todos, mas principalmente do cientista, porque apenas ele pode traduzir o conhecimento complexo que está sendo produzido dentro dos laboratórios para a população leiga. Se fizermos isso, mais do que cumprir o nosso papel e a nossa responsabilidade social, estaremos capitaneando uma revolução na educação. Qualquer um que detenha um conhecimento e que tenha acesso a um computador e a internet, pode se tornar um professor para um número incalculável de pessoas, que, por quererem conhecimento e terem acesso a um computador (ou tablet, ou celular, ou TV) conectado a internet, se tornam alunos. 

E o momento é esse! A última pesquisa de opinião encomendada pelo MCT em 2010 mostra que 65% da população brasileira tem interesse pela ciência (mais que pela política, mas ainda menos que pelo esporte) e que a internet já é a principal fonte de acesso a notícias para jovens e adultos até 30 anos. Só que um alto percentual (40%) da população que não se interessa por ciência explica que simplesmente não consegue entender do que se trata. Não podemos permitir que a compreensão desses fenômenos e dos avanços tecnológicos e sociais permitidos por eles fique restrita a uma parcela da população só por serem difíceis, pouco intuitivos ou por estarem além da nossa compreensão. Isso seria condenar a maioria das pessoas a viver à margem da sociedade, da história e do futuro. Condená-los a viver à margem do seu próprio potencial é colocar nas mãos de outrem o poder de tomar decisões importantes para a sua vida e dos seus.

Os cientistas precisa tomar a iniciativa de um movimento para formar 'autores' e incluir científica, digital e socialmente a população.

Leia a versão completa desse texto no blog “Você que é biólogo...” em http://scienceblogs.com.br/vqeb/2012/09/aproximar_cientistas_sociedade/

Wednesday, August 15, 2012

Café Científico Salvador discute contribuições de uma das áreas de pesquisa mais relevantes da última década para a compreensão da relação entre parasitas e hospedeiros.

Café Científico Salvador - 24/08/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA  


Genômica funcional gera avanços no estudo da interação parasito-hospedeiro?

Patrícia S. T. Veras (FIOCRUZ)


Leishmanioses são doenças tropicais negligenciadas que se encontram disseminadas em todo o globo. Essas doenças são causadas pelo parasito Leishmania spp., que é transmitido ao homem pela picada do inseto vetor. As leishmanioses podem se manifestar em diferentes apresentações clínicas: a forma tegumentar, que pode ser cutânea ou mucocutânea, e na forma visceral. O aparecimento dessas manifestações depende da espécie e virulência do parasito e da resposta imune do hospedeiro. Genômica funcional, proteômica e, mais recentemente, sequenciamento de RNA são ferramentas em larga escala que vêm sendo utilizadas para compreender os mecanismos envolvidos em resistência e susceptibilidade na infecção por parasitos, incluindo Leishmania. Em nosso laboratório, utilizamos abordagens em larga escala para identificação de possíveis biomarcadores de doença, assim como alvos para intervenção imunoterápica e quimioterápica no controle da infecção por Leishmania, utilizando um modelo murino de leishmaniose tegumentar. Inicialmente, empregamos genômica funcional, que consiste na identificação de um conjunto amplo de genes expressos por uma determinada célula. Assim, utilizando o microarranjo de DNA, genes expressos pela célula hospedeira em resposta à infecção foram identificados. Adicionalmente, a proteômica permite a identificação do conjunto de proteínas presentes em células. O conjunto de proteínas expresso por células do hospedeiro em resposta à infecção por Leishmania foi identificado. Os genes e proteínas identificados foram organizados em redes biológicas funcionais para evidenciar seu possível papel no curso da infecção. Finalmente, algumas das proteínas identificadas por proteômica foram usadas como alvo para intervenção quimioterápica. A modulação de alguns desses alvos levou ao controle da infecção in vitro por Leishmania. Em conjunto, esses achados mostram que abordagens em larga escala são ferramentas úteis para estabelecer hipóteses sobre os mecanismos envolvidos na determinação do curso de infecções e a proteômica se mostrou como uma ferramenta útil na identificação de alvos para intervenção quimioterápica.


Para ler mais:
Barbosa, E. B.; Vidotto, A.; Polachini, G. M.; Henrique, T.; Marqui, A. B. T. & Tajara, E. H. Proteômica: metodologias e aplicações no estudo de doenças humanas. Rev Assoc Med Bras 2012; 58(3):366-375.

Barra, G. B.; Caixeta, M. C. S. A. S.; Costa, P. G. G.; Sousa, C. F. & Velasco, L. F. R. Diagnóstico molecular – passado, presente e futuro. RBAC. 2011;43(3):254-60.

Rosa, G. J. M.; Rocha, L. B. & Furlan, L. R. Estudos de expressão gênica utilizando-se microarrays: delineamento, análise, e aplicações na pesquisa zootécnica. R. Bras. Zootec., v.36, suplemento especial, p.185-209, 2007.

Friday, August 03, 2012

O assunto do primeiro Café Científico Salvador de Agosto são carros elétricos. Uma revolução na tecnologia do automóvel está no horizonte?


Café Científico Salvador - 14/08/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA  


Veículos elétricos - uma visão do futuro


Jorge José Gomes Martins (Universidade do Minho, Portugal)



Os anos 70 foram anos de mudança paradigmática relativamente aos automóveis, porque a sua evolução passou a debruçar-se predominantemente sobre a emissão de poluentes. Será que hoje estamos a ver uma mudança ainda mais profunda, com a erradicação do automóvel com motor de combustão? Se tal acontecer, a solução certamente será o uso de automóveis elétricos. Por estranho que pareça, os automóveis elétricos já tiveram a sua "idade de ouro", antes da Grande Guerra, na altura em que as deslocações eram somente urbanas e os carros como motores de combustão (a gasolina ou a carvão) eram sujos, barulhentos e sem confiabilidade. Será que estaremos a mover-nos para a nova "idade de platina" do automóvel elétrico? Assim parece, mas antes teremos de resolver alguns dos sérios problemas que ainda afligem a mobilidade elétrica. E a nova mudança trará também novas soluções e filosofias de mobilidade. Será que o novo carro elétrico será tão interessante como o novo eletrodoméstico? Certamente que ainda haverá muitas cabeças que rodarão para ver os futuros veículos elétricos, não pelo ruído que farão, mas pelas soluções inovadoras e pelos designs únicos que esta tecnologia permite. Estamos no despontar de tempos extremamente interessantes para a tecnologia automóvel.

Para ler mais:
Carros Elétricos, de Jorge Martins e Francisco Brito, Publindústria, 2012 (http://www.engebook.com.br/2/7707/Carros-Eletricos)
(algumas páginas deste livro podem ser acessadas em  http://issuu.com/engebook/docs/carros_electricos?mode=window&backgroundColor=%23222222)

Wednesday, July 11, 2012

Café Científico Salvador aborda os estuários da Baía de Todos os Santos com um olhar ecológico de caráter global e local


Café Científico Salvador - 20/07/2012 - 18:00


Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA 


Quando regional é global: ecologia nos estuários da Baía de Todos os Santos


Francisco Carlos Rocha de Barros Junior (Instituto de Biologia/UFBA)



Estuários são sistemas naturais costeiros onde ocorre a mistura da água doce dos rios com a água salgada do oceano. Atualmente é amplamente aceito que esses ambientes possuem grande importância ecológica e sócio-econômica. Diversos estudos ecológicos vêm sendo sistematicamente realizados nos sistemas estuarinos da Baía de Todos os Santos, apoiados por vários projetos de pesquisa. Nesta apresentação serão sistematizados e discutidos alguns temas como, por exemplo, as características de contaminação nesses sistemas, a estrutura dos bosques de manguezais, os padrões de diversidade das assembléias bentônicas (invertebrados associados ao fundo) e os resultados de experimentos manipulativos. Serão apresentados ainda um modelo empírico e um modelo hierárquico que buscam o entendimento desses sistemas e ações conservacionistas.


Para ler mais:
Barros, F. et al. 2009. Cap. VI Ambiente Bentônico. In: Hatje e Andrade. (Org.). Baia de Todos os Santos: aspectos oceanograficos. Salvador: EDUFBA, v. I, p. 207-242.

Link
http://www.btsinstitutokirimure.ufba.br/livrobts/

Saturday, June 16, 2012

Café Científico aborda as relações entre evolução e desenvolvimento embrionário 


Café Científico Salvador - 27/06/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA 


Desenvolvimento e Evolução: Como se Relacionam esses dois Processos de Mudança?

Charbel Niño El-Hani (Instituto de Biologia/UFBA)


Alguns dos principais avanços na construção do que tem sido denominada uma “síntese evolutiva estendida” dizem respeito ao papel do desenvolvimento embrionário na evolução, investigado pela biologia evolutiva do desenvolvimento (evo-devo). No entanto, a compreensão da evolução do desenvolvimento traz em si a complexidade de compreender uma mudança (evolutiva) num processo de mudança (desenvolvimental). Nesta conversa, adentraremos essa complexidade, discutindo: (1) a relação entre uma compreensão evolutiva do desenvolvimento e uma compreensão desenvolvimental da evolução no âmbito da evo-devo; (2) a superação de uma abordagem adultocêntrica na compreensão do processo evolutivo, que segue da idéia de que todas as etapas do ciclo de vida de um organismo podem mudar de modo evolutivamente relevante; e (3) as implicações da natureza do desenvolvimento para a compreensão da relação entre processos evolutivos que ocorrem dentro de populações (microevolução) e as mudanças evolutivas observadas ao nível da espécies ou acima delas (macroevolução). 

Sunday, May 13, 2012

Slides do Café Científico Salvador, 10/05/2011
Saulo Carneiro (IF-UFBA): O Nobel de Física de 2011: Um prêmio para a Cosmologia


http://www.4shared.com/office/-tE9lY_n/Saulo_Carneiro_10_Mai_2012.html

Thursday, May 03, 2012

ATENÇÃO: MUDANÇA DE DATA DO CAFÉ CIENTÍFICO DE MAIO - SERÁ EM 10/05.


Café Científico Salvador trata em Maio de 2012 do modelo cosmológico moderno e de suas principais predições.


Café Científico Salvador - 10/05/2012 - 18:30


Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA 


O Nobel de Física de 2011: Um prêmio para a Cosmologia
Saulo Carneiro (Instituto de Física, UFBA)


Discutiremos o modelo cosmológico moderno e suas principais predições, e como as mais recentes observações astronômicas o vêm confirmando. Em particular, veremos por quê o último Prêmio Nobel de Física foi concedido a pesquisas em cosmologia. 

Wednesday, April 11, 2012

Café Científico aborda o tema da dor e suas consequências em Abril de 2012


Café Científico Salvador - 17/04/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA


Mais do que sintoma: Dor provoca alterações no comportamento e no cérebro

Pedro Montoya (Instituto Universitario de Investigación en Ciencias de la Salud-IUNICS, Universidad de las Islas Baleares, Espanha)



A dor é uma sensação subjetiva e desagradável que surge frequentemente como uma resposta adaptativa à lesão corporal. Como acontece com qualquer outro comportamento, a experiência da dor surge da atividade cerebral e é modulada por diversos fatores biopsicossociais (genéticos, hormonais, cognitivos, emocionais, sociais, culturais). As pesquisas recentes têm destacado que a percepção da dor no cérebro saudável ativa uma rede complexa que envolve estruturas que processam componentes sensoriais e afetivos. Neste sentido, a expressão verbal e não verbal de dor faz parte de uma variedade de respostas biológicas e psicológicas (comportamentos) responsáveis por desencadear os estímulos nocivos e que permitem que o corpo possa lidar com as lesões corporais. No entanto, às vezes a dor se torna crônica e dura mais tempo, causando um sério declínio na qualidade de vida dos pacientes. Que fatores estão envolvidos na manutenção a longo prazo da dor? Que tipo de alterações no comportamento e na função cerebral pode ser observado em pacientes com dor crônica? Esta palestra tem como objetivo fornecer respostas a estas perguntas, a partir da pesquisa clínica e neurocientífica que tem sido realizada pelo nosso grupo com pacientes com dor crônica, em geral, e pacientes com fibromialgia, em particular.

Monday, March 26, 2012

O Café Científico sobre o Sistema de Saúde Brasileiro, com professor Jairnilson Paim (ISC-UFBA), com audiência de 150 pessoas, foi um sucesso! Grande estréia no novo local do café, no Auditório da Biblioteca dos Barris.

Envio abaixo o número especial da Lancet com artigos sobre o sistema de saúde brasileiro, que me foi enviado por prof. Jairnilson!

http://www.4shared.com/office/nDZJCS6Z/file.html

Tuesday, March 06, 2012

Café Científico retorna em Março de 2012, com tema muito atual!


Café Científico Salvador - 16/03/2012 - 18:00

Local: Auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Biblioteca dos Barris), Rua General Labatut, 27, Barris, Salvador-BA


O Sistema de Saúde Brasileiro: Contradições e Desafios


Jairnilson Paim (Instituto de Saúde Coletiva/UFBA)



Um sistema de saúde representa uma resposta social aos problemas e necessidades de saúde, individuais e coletivos. Cada país, em função de suas características econômicas, políticas e culturais, constrói seu próprio sistema de saúde influenciado por sua história e, também, pelas relações que estabelece com outros países e com organizações internacionais.

O Brasil estruturou, ao longo do século XX, um sistema de saúde com múltiplas organizações públicas e privadas, separando as ações preventivas e curativas em distintas instituições, com as seguintes características: insuficiente, mal distribuído, ineficiente, inadequado, descoordenado, centralizado, autoritário e pouco eficaz. A partir da década de setenta, um conjunto de pesquisas e estudos realizados especialmente em universidades e escolas de saúde pública alimentou, com informações e conhecimentos críticos, debates e movimentos sociais em defesa do direito social à saúde e da reorientação dos sistema de saúde. Nessa perspectiva, a Reforma Sanitária Brasileira postulava uma totalidade de mudanças que incidissem na democratização da saúde e na construção de um novo sistema de saúde. Parte significativa desse projeto foi incorporada pela Constituição de 1988 e pela legislação ordinária, traduzida especialmente na implantação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao longo das três últimas décadas uma expressiva produção científica tomou como foco tal objeto, destacando aspectos relativos à organização, gestão, modelos de atenção, financiamento e infra-estrutura, particularmente no que se refere aos recursos humanos. Ao mesmo tempo, diversos estudos apontavam para uma segmentação dos sistema diante das contradições nas relações público-privado, cuja expressão fenomênica consiste na expansão da chamada saúde suplementar que envolve o crescimento dos planos de saúde privados de saúde, com baixa regulação, e na insuficiência da infra-estrutura pública decorrente da instabilidade do financiamento. Assim, os cidadãos brasileiros parecem enfrentar, presentemente, o pior dos mundos: um setor público subfinanciado e um setor privado subregulado.

A apresentação desse tema no Café Científico abordará o desenvolvimento histórico do Sistema de Saúde Brasileiro, especialmente após a Constituição de 1988, destacando contradições e desafios apontados pela produção científica. Utilizará algumas referências recentes sobre o tema, contemplando a descentralização, a gestão participativa, o financiamento, a organização e oferta de serviços (atenção básica, especializada e hospitalar), a infraestrutura, o acesso e uso de serviços de saúde e a relação público-privado.

Referências:

Bahia, L.  A Démarche do privado e do Público no Sistema de atenção à saúde no Brasil em Tempos de Democracia e Ajuste Fiscal, 1988-2008. In: Matta, G.C. & Lima, J.C.F.  Estado, Sociedade e Formação Profissional em Saúde. Contradições e desafios em 20 anos de SUS. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2008, p. 123-185.

Giovanella, L.; Escorel, S.; Lobato, L. de V.C.; Noronha, J.C. de; Carvalho, A.I. (organizadores). Políticas e Sistema de Saúde no Brasil. Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2008. 1112p.

Paim, J.S. Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para a compreensão e crítica. Salvador: EDUFBA; Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2008. 356p.

Paim, J.S. O que é o SUS. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009148p.

Paim, J.; Travassos, C.; Almeida, C.; Bahia, L.; Macinko, J. O  sistema de saúde brasileiro: história, avanços e desafios. The Lancet, Saúde no Brasil maio de 2011, p.11-31.


Thursday, November 10, 2011

Café Científico Salvador - 18/11/2011 - 18:00

Local: Salão Nobre, Instituto de Biologia/UFBA, no Campus Universitário de Ondina


Projeto Multidisciplinar Baía de Todos os Santos: sonho e possibilidades

Vanessa Hatje (Instituto de Química/UFBA)

A Baía de Todos os Santos (BTS), em toda a sua complexidade, é o objeto de investigação dos muitos grupos de pesquisa que integram o Estudo Multidisciplinar Baía de Todos os Santos, que chamamos de Projeto BTS.  O Projeto BTS pode ser definido como uma ação acadêmica concertada, de longo prazo (30 anos), de caráter inter, multi e transdisciplinar, que prevê a sistematização, produção e disseminação de informações científicas e tecnológicas e a formação de pessoal, a partir de pesquisas e intervenções na BTS. Nesta apresentação serão discutidas as ações de pesquisa, ensino e extensão dos primeiros três anos de execução do Projeto BTS, bem como seus inúmeros desafios.
 




Tuesday, October 11, 2011

Café Científico - 14/10/2011, 18:00 

Local: LDM - Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade 

Flora da Chapada Diamantina e sua Conservação 

Ana Maria Giulietti Harley & Raymond M. Harley 
(Programa de Pós-Graduação em Botânica/UEFS/ Royal Botanic Gardens, Kew)

A Chapada Diamantina é a porção norte da Cadeia do Espinhaço que se distribui por cerca de 1000km, em Minas Gerais (Serra do Espinhaço) e na Bahia. Representa o divisor de águas do rio São Francisco e vários rios tem aí suas nascentes. De modo geral são terras altas com embasamento proterozóico, com altitudes entre 900-2000m, circundadas por terras mais baixas, que abrigam formações de cerrado (especialmente em Minas Gerais) ou de caatingas (na Bahia). Nos topos das serras ocorrem as florestas montanas e os campos rupestres. Os campos rupestres apresentam grande número de espécies, mas são especialmente importantes pelo número de espécies e até gêneros com endemismo restrito. Também é o centro de diversidade de três famílias muito características as Velloziaceae (canela-de-ema), Eriocaulaceae (sempre-vivas) e Xyridaceae. As áreas de campos rupestres desde o início da colonização do Brasil, foram ligadas a exploração de ouro e outras pedras preciosas. Na Chapada Diamantina, enquanto a região mais ao Sul, especialmente em Rio de Contas, foi ligada ao ciclo do ouro, as regiões de Mucugê e Lençois foram ligadas ao ciclo do diamante, quase um século depois. Apesar da longa associação de utilização pelos habitantes da região, dos recursos minerais, animais e vegetais e da posição estratégica da Chapada Dimantina para a Bahia e o Nordeste, só recentemente está havendo maior preocupação com sua conservação e a sustentabilidade do uso da biodiversidade. Mesmo assim, são muitas as ameaças que ocorrem na região. Ligado a conservação in situ devem ser destacados o Parque Nacional da Chapada Diamantina e a APA do entorno, além da APA do Barbado e algumas unidades de conservação no município de Morro do Chapéu. Uma atividade que tem ajudado muito a divulgar e dar um melhor conhecimento das belezas da Chapada Diamantina é o turismo ecológico, mas que deve ser mantido em um nível que possa ser suportado pelas condições e características muito especiais da região. Maiores incentivos para as pesquisas multidisciplinares, ao uso sustentado e a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos e minerais são da maior importância, especialmente em um contexto de mudanças climáticas. Assim, nessa palestra, pretende-se apresentar as características especiais da região, sua flora, as principais ameaças e os desafios para a conservação e o manejo.

Referências
Funch, L. et al. 2004. Plantas úteis da Chapada Diamantina. Rima Edt.

Funch, R. 1999. A visitor’s guide to the Chapada Diamantina Mountains. Secretaria de Agricultura e Turismo da Bahia

Harley, R. & Giulietti, A.M. 2004. Flores nativas da Chapada Diamantina. Rima Edt.

Juncá, F. et al. (eds.) 2005. Biodiversidade e Conservação da Chapada Diamantina. MMA.

Stannard, B. (ed.) 1995. Flora of the Pico das Almas, Chapada Diamantina, Bahia. Royal Botanic Gardens Kew.

Revista Megadiversidade – vol. 4 números 1-2. 2008. Cadeia do Espinhaço: Avaliação do conhecimento científico e prioridades para conservação. Conservation International. (disponível on line)

Friday, September 09, 2011

Café Científico Salvador - 16/09/2011, 18:00

Local: LDM - Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade

UM MODELO COLABORATIVO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO E A SUPERAÇÃO DA LACUNA ENTRE PESQUISA ACADÊMICA E PRÁTICA DOCENTE

Charbel El-Hani
(Instituto de Biologia/UFBA)

Claudia Sepulveda
(Depto. de Educação/UEFS)


Uma lacuna entre pesquisa e prática tem sido geralmente reconhecida pelos pesquisadores em educação e pelos professores, tanto na educação em termos gerais, quanto no ensino de ciências (e.g., PEKAREK; KROCKOVER; SHEPARDSON, 1996; KENNEDY, 1997; LÜDKE et al., 2001; MCINTYRE, 2005; PENA; RIBEIRO FILHO, 2008; VANDERLINDE; VAN BRAAK, 2010). Esta lacuna diz respeito à percepção de que professores não usam com frequência resultados da pesquisa educacional para construir e refletir sobre sua prática, assim como não dão grande valor à contribuição da pesquisa acadêmica para o trabalho em sala de aula. O mesmo tem sido observado em relação aos tomadores de decisão no campo educacional. Além disso, mudanças nas práticas escolares não resultam tipicamente da pesquisa acadêmica, mas de outras fontes, como políticas governamentais, materiais curriculares, livros didáticos, nas quais os resultados da pesquisa desempenham, quando o fazem, um papel indireto.

A lacuna pesquisa-prática não é um problema apenas do campo educacional. Em muitas áreas do conhecimento a mesma questão tem sido colocada, a exemplo da ecologia (WHITMER et al., 2010; PARDINI et al., no prelo), medicina (BERO et al., 1998), gestão e desenvolvimento de recursos humanos (SHORT, 2006), pesquisa sobre desastres naturais (MYERS, 1993). Este é, pois, um problema que deve ter causas mais gerais do que alguma deficiência específica do campo educacional. Ele parece ser, antes, uma característica genérica da relação entre pesquisa acadêmica e prática profissional, e esta generalidade, por sua vez, sugere que aspectos estruturais do trabalho científico e/ou da prática estão envolvidos. Nesta direção, a lacuna pesquisa-prática pode ser vista como uma consequência da forma como a pesquisa educacional tem sido conduzida, organizada e/ou disseminada (KENNEDY, 1997), ou como uma decorrência de dificuldades de colocar em relação duas classes diferentes de conhecimentos (MCINTYRE, 2005), o conhecimento mais generalizado e abstrato que é – e deve ser – produzido pela pesquisa e o conhecimento usado no domínio da prática, que é – e deve ser – mais situado e concreto.

Como argumenta McIntyre (2005), a superação da lacuna pesquisa-prática depende de um duplo movimento: do conhecimento produzido pela pesquisa rumo às particularidades das salas de aula, através do desenvolvimento e da implementação gradual de propostas para a prática pedagógica, e do conhecimento pessoal dos professores rumo a um maior grau de generalidade e, portanto, a uma maior facilidade de ajuste a novas situações, a partir da reflexão docente. Estes movimentos são mais poderosos e empoderadores se professores e pesquisadores estiverem reunidos em equipes colaborativas, nas quais todos atuem como pares, em relações menos verticalizadas do que as que costumam ocorrer na pesquisa educacional, ou seja, superando-se hierarquias entre professores-investigadores da educação básica e da universidade. Este duplo movimento, da pesquisa para a prática, e da prática para a pesquisa, tem sido realizado, em nossos grupos de pesquisa, com base numa comunidade de prática, a ComPratica, e num grupo colaborativo de pesquisa educacional.

A ComPratica é uma comunidade virtual de prática reunindo professores de biologia da educação básica, licenciandos de biologia, pesquisadores universitários, graduandos e pós-graduandos, com a intenção de discutir temas tão variados quanto a compreensão de determinados conceitos biológicos e o desenvolvimento profissional de professores, as condições de trabalho nas escolas e inovações educacionais para o ensino de conteúdos determinados. Professores de biologia interessados em participar da mesma podem escrever a charbel.elhani@gmail.com

Uma comunidade de prática (CoP) é um grupo de indivíduos com distintos conhecimentos, habilidades e experiências, que participam de modo ativo em processos de colaboração, compartilhando conhecimentos, interesses, recursos, perspectivas, atividades e, sobretudo, práticas, para a construção de conhecimento tanto pessoal quanto coletivo (LAVE E WENGER, 1991; WENGER, 1998). Uma CoP, quando efetivamente funciona, gera e se apropria de um repertório compartilhado de idéias, objetivos e memórias; desenvolve recursos, como ferramentas, documentos, rotinas, vocabulários e símbolos, que, em certa medida, carregam consigo o conhecimento acumulado pela comunidade. Em outras palavras, uma comunidade de prática envolve praxis: maneiras compartilhadas de fazer e de se aproximar das coisas de que se ocupam as pessoas que a integram.

A ComPratica conta com elevados graus de participação de seus membros, em comparação com outras comunidades virtuais, e tem resultado em inovações que são, algumas delas, objetos de estudo, do grupo colaborativo de pesquisa. Este, por sua vez, nasceu de dentro da ComPratica e tem se caracterizado como uma equipe de pares, reunindo professores-investigadores e pesquisadores universitários, e incorporando mecanismos que visam horizontalizar as relações entre estes atores, buscando desconstruindo hierarquias que são muitas vezes reiteradas na pesquisa educacional. Desse modo, pretendemos, para usar uma máxima que freqüenta nosso trabalho de pesquisa, mover os professores, na pesquisa educacional, dos agradecimentos para a autoria. De modo mais elaborado, trata-se de superar mecanismos que “... efetivamente excluem os professores do processo ativo de descoberta e distribuição de conhecimento, atribuindo-lhes, em vez disso, um papel passivo de consumidores do produto científico final” (GARRISON, 1988, p. 488).

O questionamento das posições sociais e institucionais de pesquisadores e professores, que tem lugar através do modelo colaborativo de pesquisa implementado no projeto, contribui para a abordagem de um dos problemas centrais envolvidos na lacuna pesquisa-prática, a falta de colaboração entre pesquisadores universitários e professores-investigadores através das fronteiras da instituições/organizações em que trabalham. Afinal, o fosso que em geral se observa entre a escola e a universidade e, por conseguinte, entre professores-investigadores da educação básica e universitários, é decorrente não só de fatores estruturais relativos a estas duas instituições sociais, mas também da posição social que estes atores sociais assumem, em conexão com uma visão hierárquica que coloca a universidade acima da escola. O sucesso na diminuição da lacuna entre pesquisa e prática educacionais envolve, de modo importante, o questionamento e a superação de tal visão hierarquizada.

Neste Café Científico, discutiremos o funcionamento da ComPratica e do grupo colaborativo de pesquisa educacional, tratando, além disso, de questões relativas à natureza da pesquisa docente e dos critérios de validade que se aplicam a ela.

Referências
BERO, L. A. et al. Closing the gap between research and practice: an overview of systematic reviews of interventions to promote the implementation of research findings. British Medical Journal, London, v. 317, n. 7156, p. 465-468, 1998.

GARRISON, J. W. (1988). Democracy, scientific knowledge, and teacher empowerment. Teachers College Record, v. 89, p. 487-504.

KENNEDY, M. M. The connection between research and practice. Educational Researcher, Thousand Oaks, v. 26, n. 7, p. 4-12, 1997.

LAVE, J.; WENGER, E. Situated learning: legitimate peripheral practice. New York: Cambridge University Press, 1991.

LÜDKE, M. et al. O professor e a pesquisa. Campinas: Papirus. 2001.

MCINTYRE, D. Bridging the gap between research and practice. Cambridge Journal of Education, Cambridge, UK, v. 35, n. 3, p. 357–382, 2005.

MYERS, M. F. Bridging the gap between research and practice: the Natural Hazards Research and Applications Information Center. International Journal of Mass Emergencies and Disasters, Stillwater, v. 11, n. 1, p. 41-54, 1993.

PARDINI, R.; ROCHA, P. L. B.; EL-HANI, C. N. & PARDINI, F. The challenges and opportunities for bridging the research-implementation gap in ecological science and management in Brazil. In: Sodhi, N. S. & Raven, P. (Eds.). CONSERVATION BIOLOGY: LESSONS FROM THE TROPICS. Oxford, UK: Wiley-Blackwell, no prelo.

PEKAREK, R.; KROCKOVER, G.; SHEPARDSON, D. The research/practice gap in science education. Journal of Research in Science Teaching, Hoboken, v. 33, n. 2, p. 111-113, 1996.

PENA, F. L. A.; RIBEIRO FILHO, A. Relação entre a pesquisa em ensino de física e a prática docente: dificuldades assinaladas pela literatura nacional da área. Cadernos Brasileiros de Ensino de Física, Florianópolis, v. 25, n. 3, p. 424-438, 2008.

SHORT, D. C. Closing the gap between research and practice in HRD. Human Resource Development Quarterly, v. 17, n. 3, p. 343-350, 2006.

VANDERLINDE, R.; VAN BRAAK, J. The gap between educational research and practice: views of teachers, school leaders, intermediaries and researchers. British Educational Research Journal, Hoboken, v. 36, n. 2, p. 299-316, 2010.

WENGER, E. Communities of practice: learning, meaning, and identity. New York: Cambridge University Press, 1998.

WHITMER, A., OGDEN, L., LAWTON, J., STURNER, P., GROFFMAN, P. M., SCHNEIDER, L., HART, D., HALPERN, B., SCHLESINGER, W., RACITI, S., BETTEZ, N., ORTEGA, S., RUSTAD, L., PICKETT, S. T. A. AND KILLILEA, M. The engaged university: providing a platform for research that transforms society. Frontiers in Ecology and the Environment, v. 8, p. 314–321, 2010.

Friday, July 29, 2011

Café Científico Salvador - 05/08/2011, 18:00

Local: LDM - Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade

Riscos para a saúde humana da exposição cotidiana a radiações eletromagnéticas: o uso de telefones celulares como exemplo

Emerson Sales (Instituto de Química/UFBA)


A radiação eletromagnética associada ao uso do celular foi classificada como
possivelmente carcinogênica e deve ser alvo de mais estudos, segundo avaliação da agência da Organização Mundial da Saúde (OMS) responsável pelo estudo do câncer (Iarc, na sigla em inglês). A conclusão foi divulgada por 31 cientistas de 14 países reunidos em Lyon, na França, para revisar centenas de pesquisas sobre o risco de uso destes e de outros aparelhos. A evidência foi revisada criticamente e avaliada como limitada entre os usuários de celulares para glioma e neuroma (tumores no cérebro), mas inadequada para conclusões sobre outros tipos de câncer. O grupo de trabalho, diz o texto, não quantificou o risco, mas salientou que uma pesquisa no passado sobre uso de celulares, até o ano de 2004, mostrou um crescimento de 40% no risco de glioma na categoria dos usuários mais frequentes de celular - cerca de 30 minutos por dia ao longo de dez anos. Serão apresentados trabalhos recentes sobre o tema, bem como um testemunho de um episodio ocorrido na França em 2007, referente ao uso de sistemas wi-fi.O objetivo da apresentação é de compartilhar informações visando formar uma opinião crítica sobre o assunto, com base nas últimas informações tornadas públicas, permitindo uma reflexão sobre este possível problema da vida moderna, mais um que evidencia nosso contraditório desenvolvimento.

Referências:
1) The Lancet Oncology, Volume 12, Issue 7, Pages 624 - 626, July 2011
doi:10.1016/S1470-2045(11)70147-4
2) The Biointiative report (http://www.bioinitiative.org/)
3) http://www.cancer.org/cancer/cancercauses/othercarcinogens/athome/cellular-phones
4) Christensen HC, Schuz J, Kosteljanetz M, et al. Cellular telephone use and
risk of acoustic neuroma. Am J Epidemiol. 2004;159:277-283.
5) Cellular Telecommunications & Internet Association. Wireless Quick Facts.
2008. www.ctia.org/media/industry_info/index.cfm/AID/10323
6) Centers for Disease Control and Prevention. Frequently Asked Questions about
Cell Phones and Your Health. 2005.
www.cdc.gov/nceh/radiation/factsheets/cellphone_facts.pdf
7) Food and Drug Administration. Cell Phones: Health Issues. 2009.
www.fda.gov/Radiation-EmittingProducts/RadiationEmittingProductsandProcedure
s/HomeBusinessandEntertainment/CellPhones/ucm116282.htm
8) Federal Communications Commission (FCC). Wireless. 2008.
www.fcc.gov/cgb/cellular.html on September 28, 2009.
9) Hardell L, Nasman A, Pahlson A, et al. Use of cellular telephones and the
risk for brain tumors: A case-control study. Int J Oncol. 1999;15:113-116.
10) Hardell L, Hallquist A, Mild KH, et al. Cellular and cordless telephones and
the risk of brain tumours. Eur J Cancer Prev. 2002;159:277-283.
11) Hardell L, Carlberg M, Mild K. Case-control study on cellular and cordless
telephones and the risk for acoustic neuroma or meningioma in patients
diagnosed 2000-2003. Neuroepidemiology. 2005;25:120-128.
12) Inskip PD, Tarone RE, Hatch EE, et al. Cellular telephone use and brain
tumors. N Engl J Med. 2001;344:79-86.
13) International Agency for Research on Cancer. IARC Classifies Radiofrequency
Electromagnetic Fields as Possibly Carcinogenic to Humans. (Press Release)
www.iarc.fr/en/media-centre/pr/2011/pdfs/pr208_E.pdf
14) INTERPHONE Study Group. Brain tumor risk in relation to mobile telephone
use: results of the INTERRPHONE international case-control study. Int J
Epidemiol. Epub ahead of print on May 17, 2010.
15) Johansen C, Boice JD Jr, McLaughlin JK, et al. Cellular telephones and
cancer -- a nationwide cohort study in Denmark. J Natl Cancer Inst.
2001;93:203-207.
16) Lai H, Singh NP. Acute low-intensity microwave exposure increases DNA
single-strand breaks in rat brain cells. Bioelectromagnetics. 1995;16:204-210.
17) Lonn S, Ahlbom A, Hall P, et al. Swedish Interphone Study Group. Long-term
mobile phone use and brain tumor risk. Am J Epidemiol. 2005; 161:526-535.
18) Malyapa RS, Ahern EW, Straube WL, et al. DNA damage in rat brain cells after
in vivo exposure to 2450 MHz electromagnetic radiation and various methods
of euthanasia. Radiat Res. 1998;149:637-645.
19) Minn Y, Wrensch M, Bondy M. Epidemiology of primary brain tumors. In: Prados
M, ed. Brain Cancer. Hamilton: BC Decker; 2002:1-15.
20) Muscat JE, Malkin MG, Thompson S, et al. Handheld cellular telephone use and
risk of brain cancer. JAMA. 2000;284:3001-3007.
21) Muscat JE, Malkin MG, Shore RE, et al. Handheld cellular telephone use and
risk of acoustic neuroma. Neurology. 2002;58:1304-1306.
22) National Cancer Institute. Cellular telephone use and cancer risk. 2009.
www.cancer.gov/cancertopics/factsheet/Risk/cellphones
23) National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA). An Investigation of
the Safety Implications of Wireless Communications in Vehicles. 1997.
www.nhtsa.dot.gov/people/injury/research/wireless
24) National Institute of Environmental Health Sciences. Cell Phones. 2011.
www.niehs.nih.gov/health/topics/agents/cellphones/index.cfm
25) Redelmeier DA, Tibshirani RJ. Association between cellular telephone calls
and motor vehicle collisions. N Engl J Med. 1997;336:453-458.
26) Repacholi MH. Radiofrequency field exposure and cancer: What do the
laboratory studies suggest? Environ Health Perspect. 1997;105:1565-1568.
27) Rothman KJ, Chou CK, Morgan R, et al. Assessment of cellular telephone and
other radio frequency exposure for epidemiologic research. Epidemiology.
1996;7:291-298.
28) Savitz DA. Mixed signals on cell phones and cancer. Epidemiology.
2004;15:651-652.
29) Schoemaker M J, Swerdlow AJ, Ahlbom A, et al. Mobile phone use and risk of
acoustic neuroma: results of the Interphone case-control study in five North
European countries. Br J Cancer. 2005;93:842-848.
30) Schuz J, Jacobsen R, Olsen JH, et al. Cellular telephone use and cancer
risk: Update of a nationwide Danish cohort. J Natl Cancer Inst. 2006;98:1707-1713.
31) Stang A, Anastassiou G, Ahrens W, et al. The possible role of radiofrequency
radiation in the development of uveal melanoma. Epidemiology. 2001;12:7-12.

Wednesday, July 06, 2011

Café Científico Salvador - 08/7/2011, 18:00

Local: LDM - Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade

Sistemas complexos: como esta abordagem teórica pode ser usada para analisar dados quantitativos de algumas peculiaridades da vida e da cultura da Bahia

Roberto F. S. Andrade (Instituto de Física/UFBA)


O conceito de sistemas complexos foi formado de maneira espontânea ao longo da segunda metade do século XX, baseado em técnicas matemáticas desenvolvidas no estudo de sistemas dinâmicos não lineares caos e física estatística. De uma forma bastante natural e paulatina, estas metodologias começaram a ser utilizadas por comunidades de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Rigorosamente, até hoje não se tem uma definição precisa que permita delimitar e caracterizar quais objetos pertencem a esta classe. Do ponto de vista matemático, no entanto, o fato do objeto apresentar uma série de propriedades similares, mensuráveis através de algoritmos e definições razoavelmente precisas, permite que possamos formar uma lista de sistemas que atendem a diversos requisitos para poderem adotar tal denominação: não linearidade nas interações com de seus constituintes, presença de aleatoriedade correlacionada com memória de interações passadas, propriedades de invariância de escala, desvio das leis de distribuição para eventos estatisticamente independentes, etc. Nós pretendemos mesclar a nossa exposição, atentando a dois princípios: Ser objetivo na caracterização das propriedades matemáticas, mas evitando ao máximo a utilização da notação que não seja do domínio comum. Sugerir alguns temas que são de nosso cotidiano que sejam passíveis de ser investigado dentro desta abordagem como, por exemplo, o congestionamento da Av. Paralela ou o desfile do carnaval.
Café Científico UFBA - Primeira sessão - 05/07/2011, 20:00

Local: Salão Nobre da Reitoria, UFBA

Muito além do nosso eu

Miguel Nicolelis (Duke University, EUA)



A partir de julho de 2011, a iniciativa do CAFÉ CIENTÍFICO passa a contar com edição mensal na LDM - Livraria Multicampi, o CAFÉ CIENTÍFICO SALVADOR, e edição trimestral na UFBA, o CAFÉ CIENTÍFICO UFBA.

A sessão inaugural do CAFÉ CIENTIFICO UFBA aconteceu no dia 05 de julho às 20:00 horas, no Salão Nobre da Reitoria, com a participação do Prof. Miguel Nicolelis (Duke University, EUA), que na ocasião também lançou seu livro MUITO ALÉM DO NOSSO EU, pela Companhia da Letras.

Sobre o conferencista:
Miguel Nicolelis nasceu em São Paulo, em março de 1961. Formou-se em medicina (1984) e doutorou-se (1988) pela Universidade de São Paulo. Em 1989, determinado a desvendar as leis fisiológicas que regem a interação entre grandes populações de neurônios, mudou-se para os Estados Unidos. Desde 1994 está à frente de um grande laboratório na Universidade Duke, o Duke’s Center for Neuroengineering, base física das avançadas experiências com implantes de microeletrodos neurais em macacos que o tornaram conhecido no mundo todo. É também professor de neurociência na mesma universidade. Suas pesquisas foram publicadas na Nature, na Science e em inúmeras outras revistas científicas. A Scientific American o elegeu um dos vinte cientistas mais influentes do mundo. Membro das Academias de Ciências do Brasil e da França e da Pontifícia Academia das Ciências em Roma, é também fundador e Diretor Científico do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra, entidade dedicada ao fomento da pesquisa científica de ponta e ao desenvolvimento educacional e socioeconômico do Rio Grande do Norte e da região nordeste do Brasil.

Tuesday, May 31, 2011

Café Científico - 20/6/2011, 18:30

Local: LDM - Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade

Produção de alimentos em larga escala: O desafio de alimentar o mundo e os impactos ambientais

Pedro Afonso de Paula Pereira (Instituto de Química/UFBA)



Após um crescimento lento pela maior parte da história da humanidade, a população mais do que dobrou na última metade do século XX e início do século XXI. Por volta de 2006, era de cerca de 6,7 bilhões e, de acordo com as previsões mais recentes, deverá alcançar a marca de 9,1 bilhões em 2050. Assim, um grande desafio está posto diante de políticos, administradores públicos e cientistas, entre outros, que é garantir a oferta de energia, serviços de saúde e alimentação de qualidade, a preços acessíveis e não comprometendo a sustentabilidade dos recursos naturais do planeta. Nesse encontro, serão abordados alguns dos principais impactos ambientais provocados pela produção de alimentos em larga escala, discutindo-se os seus aspectos gerais, permeados por uma visão química.

Leituras sugeridas:
• Edward O. Wilson: “A Criação – Como salvar a vida na Terra”; Companhia das Letras; 2006.
• Jared Diamond: “Colapso - Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso”; Ed. Record; 2007.