Tuesday, October 28, 2008

Resumo da apresentação do dia 10/11/2008

Como os insetos escolhem suas plantas hospedeiras?

Por Iara Bravo, professora do Instituto de Biologia da UFBa.

Os insetos compreendem 75% das espécies de animais descritas e apresentam uma incrível diversidade de estilos de vida. Dentre os insetos, 45% das espécies se alimentam de plantas (fitófagos), o que os torna, atualmente, nossos maiores competidores por alimento. Dessa forma, as suas escolhas nos afetam diretamente; daí a importância de conhecê-las.

Insetos e plantas compartilham associações antigas que datam do Carbonífero (cerca de 300 milhões de anos atrás). Para os insetos fitófagos, além de fonte de alimento, uma planta hospedeira pode servir também como sítio para acasalamentos e abrigo. Para as plantas, a ação dos fitófagos, geralmente, tem efeitos negativos, prejudicando seu desenvolvimento. Mas, pode também ter efeitos positivos, como a dispersão de sementes quando os frutos caem, pela alimentação de insetos frugívoros, ou o estímulo de brotamento em algumas plantas, produzido pelo consumo de folhas. Para os insetos, a fitofagia representa um desafio, porque eles devem localizar as plantas que lhes servirão em meio a uma variedade de outras, devem enfrentar suas limitações nutricionais (plantas são mais pobres em proteínas que alimentos de origem animal), suas defesas físicas (espinhos e pêlos) e químicas (substâncias que podem envenená-los) e ainda arriscarem-se à predação enquanto se alimentam. 

O encontro e a seleção da planta hospedeira pelos insetos fitófagos, tanto para a alimentação como para a oviposição, envolvem geralmente comportamentos estereotipados. O desencadeamento desses comportamentos acontece mediante um amplo conjunto de sinais físicos e químicos relacionados com as plantas hospedeiras potenciais. Além disso, a presença de competidores e/ou predadores pode alterar a escolha do inseto.

Neste encontro, vou tratar de algumas questões sobre como diferentes tipos de insetos escolhem suas plantas hospedeiras. Por exemplo, insetos especialistas (alimentam-se de uma ou poucas espécies de plantas) usam os mesmos mecanismos que os generalistas (alimentam-se de várias espécies) para o encontro e escolha de suas plantas hospedeiras? Que fatores determinam a amplitude do “cardápio” de um inseto?  Como fêmeas adultas de insetos com metamorfose completa (ovo® larva® pupa® adulto) que se alimentam de recursos diferentes dos das larvas e só têm contato com a planta hospedeira no momento da oviposição, escolhem a planta hospedeira adequada para a prole? Os insetos são capazes de aprender a reconhecer determinadas características das plantas e modificar seu comportamento de escolha em função disso? 

Esses aspectos, além de outros, têm grande importância para a compreensão das relações ecológicas e evolutivas entre insetos e plantas. Do ponto de vista prático, tais estudos são especialmente importantes em insetos considerados pragas agrícolas, sendo úteis para o conhecimento de como pode ocorrer a distribuição dos insetos nas plantas hospedeiras, bem como de como pode se dar a escolha ou mudança de hospedeiros, auxiliando no controle e manejo de tais populações.


Leitura recomendada

 EDWARDS, P. J. & WRATTEN, S. D. 1981. Ecologia das interações entre insetos e plantas. Coleção Temas de Biologia. Editora Pedagógica Universitária, São Paulo.  71 pp. 

Gullan, P. J. & cranston, P. S. 2007. Os Insetos: um resumo de entomologia. Editora Roca LTDA, São Paulo. 440pp. 

Panizzi A.R. & Parra R. P. 1991. Ecologia nutricional de insetos e suas implicações no manejo de pragas. Editora Manole LTDA, São Paulo 359 pp.

Próximo Evento 10 de novembro de 2008 – 18h30min

Como os insetos escolhem suas plantas hospedeiras?

por Iara Bravo (IB-UFBA)


Café Científico na Mídia 8 - Clipping A TARDE




Friday, October 03, 2008

Resumo Evento - 13 de outubro de 2008 - 18h:30min

O que (não) é a matemática?

por Thierry Petit Lobão (Instituto de Matemática da UFBa)

Há aqueles que gostam de Matemática, outros... nem tanto; há os que a conhecem mais, e há também os que se restringem ao que aprenderam nos anos de escola... Todavia creio que todos concordam se afirmarmos que a Matemática, independentemente de tempo e lugar, perpassa tudo o que fazemos ou pensamos. E creio também que muitos já se perguntaram: mas afinal, que é Matemática?

Evidentemente esta questão envolve várias outras! Pois ela abarca interrogações do tipo: Quando surgiu a Matemática? Onde? Ela é realmente necessária para entendermos o mundo? Esta última relaciona-se certamente a outras como: Ela está correta? Já sabemos tudo sobre Matemática ou ainda há algo por aprendermos? O que nos leva à dúvida de muitos alunos: Temos mesmo que estudar Matemática, para que? Há questões profundas como: A Matemática é uma ciência? Ela é inventada ou descoberta? E outras que são apenas curiosidades, mas interessantes como: Por que não há um prêmio Nobel para a Matemática? Para fazer-se Matemática é necessário ser jovem? Ou um gênio? Um matemático tem que ser criativo ou basta fazer raciocínios rápidos? Ganha-se dinheiro fazendo Matemática?

Neste nosso encontro, discutiremos a Matemática, mas não daremos uma resposta definitiva a qualquer destas questões (exceto talvez aquela sobre se devemos estudar Matemática!); pois acreditem: muitos tentaram (bem mais capazes que eu!) e obtiveram respostas que se revelaram incompletas ou totalmente equivocadas! Mas certamente suas propostas podem nos ajudar a revelar algo do fascinante mundo da Matemática! Recordando algumas destas, tentarei mostrar-lhes que a Matemática surgiu muito, muito tempo atrás, e em todos os cantos do mundo! E que este, o mundo, parece que se revela pela Matemática. Que a Matemática é sim uma ciência e que, em certo sentido, está correta; sendo talvez a única ciência que pode gabar-se disto! Mas que também tem algo de arte; pois, diferentemente do que muitos pensam, nela há de fato uma imensa liberdade para a criação, sem a qual ela absolutamente não evolui. Realiza-se assim um raro e surpreendente casamento entre a verdade e a beleza, tão caras à ciência e à arte. Ademais que todo o conhecimento que temos da Matemática, embora em constante e acelerado desenvolvimento, é infinitamente menor do que aquilo que ainda podemos saber. Que a Matemática não é misteriosa nem impenetrável, e que um matemático não tem idade apropriada nem necessita de dons especiais; tem apenas que gostar de saber sempre mais, e entender que, de alguma forma que ainda não compreendemos, a Matemática está presente em todos os aspectos mundo; que basta aventurar-se neste caminho, e ele é realmente fascinante!


Algumas sugestões para leitura:

O que é Matemática? Richard Courant e Herbert Robbins – Ed. Ciência Moderna.
Introdução à História da Matemática. Howard Eves – Ed. Unicamp.
Uma História da Matemática. Florian Cajori – Ed. Ciência Moderna.
A Rainha das Ciências. Gilberto G. Garbi – Ed. Livraria da Física.
Filosofia da Matemática. Stephen F. Barker – Ed Zahar.
Uma Introdução à Filosofia da Matemática. Stephan Körner – Ed. Zahar.
A Matemática para todos. Carloman Carlos Borges – Ed. UEFS.
Próximo Evento - 13 de outubro de 2008 - 18h:30min

O que (não) é a matemática?

por Thierry Petit Lobão (Instituto de Matemática da UFBa)

Tuesday, August 19, 2008

Resumo Evento - 1 de setembro de 2008 - 18h:30min

Modelando a Natureza: A não-linearidade à luz da Matemática e da Computação

por Suani Tavares Rubim de Pinho (Instituto de Física da UFBa)

A partir da segunda metade do século XX, assistimos ao surgimento de uma “nova ciência” denominada Dinâmica Não-Linear; que atingiu as Ciências Naturais - Física, Química e Biologia – com repercussões nas Ciências da Saúde e Sociais. Tal caráter multidisciplinar requer uma abordagem sistêmica, na qual se descreve o comportamento de sistemas, físicos, químicos ou biológicos, que evoluem no tempo e no espaço, identificando interessantes padrões espaciais em diferentes instantes. Esta descrição se dá por modelos matemáticos, implementados em rotinas computacionais, e validados quando confrontados com dados reais. Modelando aspectos essenciais dos fenômenos, pretende-se descrever o comportamento global que emerge destes sistemas, muitas vezes, de caráter complexo.

Apresentaremos, por meio de exemplos, a evolução das idéias desenvolvidas nesta área que começam com a Teoria do Caos e a Geometria Fractal nas décadas de 60 e 70, culminando com o estudo dos Sistemas Complexos a partir da década de 90. E ressaltaremos a relevância do uso dos computadores para o desenvolvimento da Dinâmica Não-Linear.

Através da modelagem matemática, espera-se expressar mais formalmente as não-linearidades dos fenômenos naturais. Este é o terreno da Matemática Aplicada! A descrição dos sistemas sociais também segue o caminho da formalização, a exemplo do uso das chamadas redes complexas. No entanto, neste debate, restringiremos nossa análise predominantemente aos sistemas naturais.

Embora as ciências físicas atualmente estejam mais formalizadas que as biológicas, amplia-se a importância de formalização destas últimas, Neste cenário a necessidade de equipes multidisciplinares oriundas das áreas de ciências exatas, biológicas e sociais torna-se premente, tanto em nível do desenvolvimento da ciência quanto no da formação dos estudantes.


Sugestões para leitura:

Ian Stewart, Os Números da Natureza – a realidade irreal da imaginação matemática. Ed. Rooco, Rio de Janeiro, 1996.

Edward N. Lorenz, A Essência do Caos. Ed. Universidade de Brasília (UnB), Brasília, 1996.

Benoît Mandelbrot, Objetos Fractais. Ed. Gradiva, Lisboa, 1991.

H. Moysés Nussenzveig (org.), Complexidade & Caos. Ed. UFRJ / COPEA, Rio de Janeiro, 1999.

Eduardo Massad, Renée X. de Menezes, Paulo S. P. Silveira, Neli Regina S. Ortega, Métodos Quantitativos em Medicina, Ed. Manole, São Paulo, 2004.
Próximo Evento - 1 de setembro de 2008 - 18h:30min

Modelando a Natureza: A não-linearidade à luz da Matemática e da Computação

por Suani Tavares Rubim de Pinho (Instituto de Física da UFBa)


* Excepcionalmente, apenas este mês, o café científico será na primeira, em vez de na segunda semana.

O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.

Estamos procurando implantar uma conduta ambientalmente responsável no café. Assim, pedimos à nossa audiência que leve suas canequinhas, copos etc. para beber o café e a água oferecidas durante o evento. Assim, poderemos não usar tantos copinhos de plástico, que têm custo ambiental considerável, visto que não podem ser devidamente reciclados.

Monday, July 28, 2008

Resumo da apresentação do dia 11/08/2008

Permanência e Transformação: Como a Termodinâmica vê os processos físicos

por Ernesto Borges (Escola Politécnica - UFBa)


Energia é um conceito fundamental em ciência. Ela se apresenta sob várias formas: energia mecânica, elétrica, gravitacional, química etc. Quando um sistema sofre transformações, sua energia pode mudar de uma forma para outra, mas a energia total se mantém constante.

Do ponto de vista da energia, em princípio, qualquer transformação que mantenha a energia total constante é possível. Entretanto, não é isso que observamos: algumas transformações sempre ocorrem, enquanto outras nunca acontecem. Por exemplo: se colocarmos uma gota de adoçante no café, mesmo que não o mexamos com uma colher, após algum tempo todo o café estará adocicado. Entretanto, após a mistura ter sido feita, nunca observamos o adoçante voltar a se concentrar em uma única gota de modo espontâneo, e o restante da xícara ficar como antes, sem o menor vestígio do sabor doce. Para explicar a predileção da natureza por algumas transformações em relação a outras é necessário utilizar um conceito adicional: a entropia.

Assim como a energia, a entropia é uma propriedade característica de todos os sistemas. Entretanto, seu comportamento é diverso: enquanto a energia se mantém constante (Primeira Lei da Termodinâmica), a entropia sempre aumenta ao longo de uma transformação (Segunda Lei da Termodinâmica). Desse jogo entre o que permanece constante e do que se transforma, resulta o modo como a Termodinâmica explica os processos físicos.


Leituras adicionais:

Gino Segrè, Uma questão de graus, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2005.

Suani T. R. Pinho e Roberto R. S. Andrade, "Evolução das idéias daTermodinâmica e da Mecânica Estatística", em José Fernando Rocha (org.), "Origens e evolução das idéias da Física", Edufba, Salvador, 2002.

Octave Levenspiel, Termodinâmica amistosa para engenheiros, Editora Edgard Blucher Ltda.
Próximo Evento -11 de agosto 18h30min

Permanência e transformação: Como a termodinâmica vê os processos físicos

por Ernesto Borges (Escola Politécnica - UFBa)

Tuesday, July 22, 2008

Café Científico na Mídia 7 - Clipping A TARDE


Monday, July 07, 2008

Resumo da apresentação do dia 14/07/2008

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Glória Teixeira (ISC-UFBA)

A dengue, nos dias atuais, é uma das doenças transmitida por mosquito de maior importância para a Saúde Pública mundial. O seu vírus causador circula em quatro continentes e já atingiu mais de 100 países. Estimativas da OMS indicam que, anualmente, 50 milhões de pessoas são infectadas e cerca de 500.000 casos da Febre Hemorrágica do Dengue (FHD) ocorrem com pelo menos 12.000 óbitos por esta causa.

No Brasil, desde 2006 que epidemias sucessivas de febre do dengue vêm sendo registradas e, a partir de 1990, dois sorotipos (DENV1 e DENV2) do vírus passaram a circular simultaneamente e casos de FHD foram diagnosticados. Em 2001, com a introdução do DENV3 no país, houve agravamento da situação. Entre janeiro daquele ano e dezembro de 2002 mais de 2700 casos de FHD foram notificados. A epidemia que eclodiu em 2008 no Rio de Janeiro, com milhares de casos hemorrágicos atingindo crianças e adultos, colocou em colapso a rede de atenção à saúde daquela cidade, com grande repercussão nacional e internacional.

O estado da Bahia vem sendo acometido por dengue desde 1994 e, sua capital, Salvador, registrou a primeira epidemia logo no ano seguinte. Neste estado também circulam três sorotipos (DENV1,DENV2 e DENV3) e, a partir de 2002, principalmente, indivíduos também foram acometidos com FHD. Em 2008, houve um significativo aumento no número de casos no interior do estado, atingindo mais fortemente a região de Irecê, contudo, incremento no número de casos foi registrado em Salvador.

No que pese o avanço do conhecimento científico na área biomédica, tem-se constatado dificuldades no controle desta doença em todo o mundo, em função da inexistência de vacinas para uso em populações humanas e do controle estar centrado no combate ao seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, único elo vulnerável da cadeia de transmissão do dengue. Apesar do dispêndio de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) em ações de combate a este mosquito a situação epidemiológica do Brasil e da Bahia evidencia, claramente, que não vem se obtendo progressos na prevenção desta virose.

Diante destes fatos, cumprimento os organizadores do Café Científico pela iniciativa de trazer este tema para debate, por considerar da maior importância desvendar as razões das dificuldades institucionais, administrativas, políticas e científicas, para alcance de maior efetividade no combate ao dengue. Particularmente, pela necessidade de se implementar o componente de educação e mobilização social dos programas de controle da dengue, propósito que só será obtido com amplo debate e participação. Consideramos este componente peça chave da sustentabilidade e manutenção das ações de combate vetorial, que só são efetivas se forem contínuas, permanentes e capazes de promover modificações ambientais que tornem desfavoráveis a proliferação de um mosquito-vetor de hábitos antropofílicos, totalmente adaptado ao ambiente habitado pelo homem.

Os resultados de algumas avaliações concernentes às atividades e ações que vêm sendo desenvolvidas neste campo, no Brasil e em outros países, evidenciam claramente as dificuldades e limites das estratégias de educação, comunicação e mobilização que vêm sendo utilizadas. Entende-se que se faz necessário profundas mudanças nas abordagens que têm sido aplicadas, com vistas a superação das táticas campanhistas da antiga ‘polícia sanitária”. De acordo com as avaliações que vêm sendo conduzidas estas estratégias não têm obtido o efeito desejado, pois a maioria da população absorve os conhecimentos, ou seja, sabe onde o vetor coloca os ovos, que recipientes contendo água devem ser eliminados, da necessidade de colocar tampa nos depósitos que não podem ser eliminados, dentre outras informações. Contudo, estes conhecimentos não têm sido eficazes no sentido da indução de mudanças de práticas e comportamentos. Assim, os ambientes domésticos se mantêm receptivos à manutenção e proliferação do Aedes aegypti.

Deste modo, ao lado de pesquisas voltadas para o desenvolvimento de produtos, inovações e invenções que venham a aprimorar as técnicas de controle desta doença pelos serviços de saúde, faz-se necessário a abertura de espaços de diálogo e conversação entre profissionais, agentes de saúde e população. Este diálogo deve ser direcionado para a busca de soluções para os problemas que impedem a redução da população de mosquitos, sendo fundamental para aportar novos enfoque e subsídios para o delineamento de novas estratégias de atuação capazes de modificar comportamentos e atitudes, individuais e coletivas, frente a este risco sobre a saúde humana.
Próximo Evento 14 de julho de 2008 – 18h30min

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Glória Teixeira (ISC-UFBA)

Sunday, June 15, 2008

CANCELADO - Café Científico Especial – Ano Darwin

Não será realizado o café especial dos anos Darwin previsto para o dia 07/06. O café científico continuará com sua programação normal na segunda segunda-feira de julho (14).

Thursday, May 29, 2008

PDDU de Salvador é pauta de Café Científico

Espaço público, participação popular e o processo de elaboração e revisão do Plano

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador, sancionado neste ano pelo prefeito João Henrique, estará na pauta do Café Científico Salvador, que acontece na próxima segunda-feira (02), a partir das 18h30, na Livraria Multicampi LDM, Piedade. O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Angelo Serpa*, será o responsável por esta edição. Teorias e conceitos sobre o assunto serão tratados pelo palestrante, que retoma o mote do livro "O espaço público na cidade contemporânea", de sua autoria, lançado pela Editora Contexto, em 2007.

De acordo com Serpa, Salvador, como outras metrópoles do Brasil e do mundo, "vem conduzindo políticas de requalificação urbana seletivas e segregacionistas, que reforçam e tornam visíveis as desigualdades sócio-espaciais no tecido urbano-metropolitano". Nesse processo, em que as áreas periféricas e de urbanização popular da cidade ficam à revelia do "desenvolvimento urbano" vigente, como falar de participação popular na formulação de políticas públicas num contexto tão adverso? Sendo este um ponto de partida de Serpa para a discussão do PDDU no Café Científico, ele adianta que ainda está longe de acontecer a construção de um planejamento verdadeiramente participativo e contínuo na capital.

Com a eleição de João Henrique, a prefeitura de Salvador assumiu, em 2005, o compromisso de revisar, democraticamente, o recém aprovado PDDU (2004). O texto do Plano foi discutido a partir da mobilização de alguns setores da sociedade. No início, as audiências públicas eram vestidas da idéia de democratização da gestão urbana e da função social da propriedade. Apesar disso, ao longo do processo, a conjuntura muda. Em 2008, o Plano é sancionado pelo prefeito sob protestos e oposição de determinados segmentos da sociedade soteropolitana.

***

O Café Científico é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) e pela LDM – Livraria Multicampi. O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição.

*Angelo Serpa é doutor em Planejamento Paisagístico e Ambiental pela Universitaet Für Bodenkultur Wien (1994), com pós doutorado em Estudos de Organização do Espaço Exterior e Planejamento Urbano-Regional e Paisagístico realizado na Universidade de São Paulo (1995-1996) e em Geografia Cultural realizado na Université Paris IV (Sorbonne/2002-2003). Atualmente é professor associado da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência nas áreas de Geografia e de Planejamento, com ênfase em Geografia Urbana, Geografia Regional e Geografia Cultural, Planejamento Urbano, Planejamento Regional e Planejamento Paisagístico, trabalhando principalmente os seguintes temas de pesquisa: espaço público, periferias urbanas e metropolitanas, manifestações da cultura popular, identidade de bairro, cognição e percepção ambiental. É docente permanente na Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e no Mestrado em Geografia da Universidade Federal da Bahia, onde também coordena o Laboratório de Análise Urbano-Regional (NUAGEO) e é editor responsável pela Revista GeoTextos. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPQ.

Serviço


O quê: Café Científico Salvador com o tema "Espaço público, participação popular e o processo de elaboração e revisão do Plano Diretor de Salvador".

Quando: 02 de junho, a partir das 18h30.

Onde: Livraria Multicampi LDM, Rua Direita da Piedade, nº 20.

Contato

Imprensa – Débora Alcântara (**71 8805-6292);

Produção – Vagner Rocha (**71 8815-5004).

Outros contatos:

LDM: **71 2101-8000. Ufba **71 3283-6568.

Próximo Evento 2 de junho de 2008 – 18h30min

Espaço público, participação popular e o processo de elaboração / revisão do Plano Diretor de Salvador: bases para um debate

por Ângelo Serpa (IG-UFBa)

As questões norteadoras do livro "O espaço público na cidade contemporânea", lançado pela Editora Contexto, em 2007, podem também servir de mote inicial para este café científico: Qual é o papel desempenhado pelo espaço público na cidade contemporânea? Que variáveis analisar? E a partir de que teorias e conceitos? No livro, tal discussão foi encarada como um desafio para a Geografia e para todas as ciências que se pretendam políticas e ativas, já que o espaço público é considerado como o espaço da ação política ou da possibilidade da ação política na contemporaneidade. Esta característica fundamental contrasta, nas cidades contemporâneas, com o processo de incorporação dos espaços públicos urbanos como mercadorias para o consumo de poucos, dentro da lógica de produção e reprodução do sistema capitalista na escala mundial. Ou seja, ainda que sejam adjetivados como públicos, poucos se beneficiam desses espaços teoricamente comuns a todos. Antes de tudo, é necessário discutir o sentido da ação, da ação política, que consideramos pertinente para a análise do espaço público no período contemporâneo.

Salvador, como outras metrópoles do Brasil e do mundo, vem conduzindo políticas de requalificação urbana seletivas e segregacionistas, que reforçam e tornam visíveis as desigualdades sócio-espaciais no tecido urbano-metropolitano. Depois da segunda metade dos anos 1990, a cidade empreendeu uma política sistemática de criação e reabilitação de parques e jardins públicos. A estratégia de promoção de uma imagem positiva de Salvador através da revalorização de seus espaços públicos faz parte do receituário do planejamento estratégico. Este modelo aposta na criação de holdings, consórcios ou empresas mistas para executar ações de desenvolvimento urbano. Tanto a requalificação como a adoção de espaços públicos por empresas privadas segue a lógica da visibilidade e da expectativa de retorno através da propaganda e do marketing. O problema é que esses programas não atendem, via de regra, as áreas periféricas e de urbanização popular da cidade, onde o abandono de parques e praças é notório.

Como falar de participação popular na formulação de políticas públicas num contexto tão adverso? Esta questão norteia a segunda parte da reflexão sobre os processos de elaboração e revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que demonstram que ainda estamos longe da construção de um planejamento verdadeiramente participativo e contínuo no tempo em Salvador. O PDDU foi revisado a partir da mobilização de alguns setores da sociedade, que resultou numa ação visando à garantia de participação. A posse de um novo prefeito em 2005 favoreceu o processo capitaneado pela Prefeitura e pelas Administrações Regionais, sendo frágil a representatividade dos presentes nas discussões, embora isso não tenha se constituído em impedimento para aprovação deste importante instrumento de planejamento e formulação de políticas públicas pela Câmara Municipal de Salvador em 2007. Em 2008, o Plano entrou em vigor com a sanção do Prefeito, sob protestos e oposição de determinados segmentos da sociedade soteropolitana.

Leitura Recomendada:

ARENDT, H. A Condição Humana, 10. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.
HABERMAS, J. Mudança estrutural da esfera pública. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.
LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Editora Moraes, 1991.
SENNET, R. O declínio do homem público. 6. reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
SERPA, A. O Espaço Público na Cidade Contemporânea. 1. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2007a. 208 p.
SERPA, A. (Org.). Cidade Popular - Trama de Relações Sócio-Espaciais. 1. ed. Salvador: Editora da Universidade Federal da Bahia - EDUFBA, 2007d.
YÁZIGI, E. O mundo das calçadas. São Paulo: Humanitas/FFLCH-USP; Imprensa Oficial do Estado, 2000.

Wednesday, May 07, 2008

Próximo Evento 12 de maio de 2008 – 18 horas

Por que classificar os seres vivos é importante para compreender a biodiversidade?

por Freddy Bravo (Depto. de Ciências Biológicas, UEFS)

Nós, humanos, temos uma tendência a classificar tudo ao nosso redor para entender mais facilmente o mundo que nos rodeia. Esta atividade, provavelmente, é tão antiga quanto a própria história da humanidade. Podemos observar classificações em livrarias –livros por assunto, em supermercados –produtos da mesma origem e/ou função, lojas de roupas –por faixa etária e sexo, etc. Ao classificar os seres vivos o fazemos, principalmente, pelo impacto que eles têm sobre nós, como por exemplo na saúde, alimentação, vestuário, etc.
A primeira tentativa de formalizar uma classificação para os seres vivos, especificamente para os animais, foi realizada por Aristóteles, filósofo grego do século IV a.C., e viria influenciar por muitos séculos os trabalhos em história natural. Mais de 2000 anos depois, Linneo, naturalista sueco do século XVIII, propôs um sistema de classificação hierárquico-binomial, com o qual pretendia classificar todas as criaturas criadas por Deus. Este sistema ainda é usado em Taxonomia biológica, a ciência da classificação, no qual cada espécie tem dois nomes (binomial), e é classificada em um sistema hierárquico de categorias (como por exemplo Reino, Filo, Classe, ordem, família, gênero,espécie) e está de acordo com as regras e princípios de códigos de nomenclatura, o que garante a cada espécie um nome único, universal e estável.
A Biodiversidade (diversidade da vida) é uma das propriedades fundamentais da natureza na qual são reconhecidos três níveis: diversidade genética, diversidade de espécies e diversidade de ecossistemas. A taxonomia se ocupa da diversidade de espécies e esta atividade, segundo alguns pesquisadores, é a atividade básica que fornece a informação primária para que outras disciplinas das Ciências Biológicas ou das Ciências da Vida (como por exemplo ecologia, fisiologia, medicina e agronomia) possam efetuar seus estudos.
Pouco mais de duzentos e setenta anos depois da publicação do Systema Naturae de Linneo (1735), marco inicial do sistema classificatório moderno, são conhecidas, aproximadamente 1,5 – 1,8 milhões de espécies. Por outro lado, estimativas de alguns pesquisadores sugerem que o número de espécies pode variar entre 5 e 80 milhões. A expansão humana no planeta e os recursos necessários para manter a vida humana têm se tornado fatores de risco para a manutenção da biodiversidade do planeta.
A taxonomia, que nomeia e classifica a biodiversidade, tem um papel fundamental no conhecimento desta, no entanto, esta recuperação sobre a informação da diversidade de espécies pode estar comprometida com a falta de taxonomistas no mundo, problema conhecido como “impedimento taxonômico”.
Neste resumo foi apresentada rapidamente a importância da taxonomia (nomeação e classificação de espécies) para o conhecimento da biodiversidade. O Brasil, um país megadiverso, necessita de taxonomistas e Governo Federal está ciente e apóia uma iniciativa para a formação deste tipo de profissionais. Cabe aos pesquisadores incentivarem e formarem novos taxonomistas.


Bibliografia Sugerida:

Borges, JC. 2006. Baú do tesouro. http://cienciahoje.uol.com.br/58888.
Mayr, E. 1998. O desenvolvimento do pensamento biológico: diversidade, evolução e herança. Editora Universidade de Brasilia. 1107p. (Capítulos 4, 5 e 6)

Pinna, M. de. 2001. Conrad Gesner e a sistemática biológica. Há 450 anos era publicado o primeiro volume da Historia animalium.

Rapini, A. 2004. Modernizando a Taxonomia. Biota Neotropica v4 (n1) –

Raw, A. 2003. Sistemática no currículo universitário.
cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/resource/download/41576.

Sunday, April 27, 2008

Resumo apresentação Café Científico Especial – Ano Darwin
05 de maio de 2008 (segunda-feira) – 18:00

Evolução aplicada ao cotidiano

por Claudia Sepúlveda (Depto. de Educação, UEFS)

A teoria evolutiva de Darwin tem sido aclamada pela sua importância acadêmica ao estabelecer as bases da Biologia, e pelo impacto abrangente e desafiador que apresentou ao pensamento humano. Neste Café Científico abordaremos outro aspecto do pensamento evolutivo darwinista: sua relevância para lidarmos com problemas práticos que nos afligem, dizem respeito à nossa qualidade de vida e emergem da relação entre ciência, tecnologia e sociedade.
A biologia evolutiva tem passado por aperfeiçoamentos conceituais e metodológicas, todos eles compatíveis com duas teorias propostas por Darwin: (1) a de que diferentes tipos de organismos descendem de um ancestral comum, teoria da descendência comum, e (2) a de que o principal (mas não único) mecanismo de evolução é a sobrevivência e reprodução diferencial de indivíduos com características que aumentam sua capacidade de explorar recursos limitados no ambiente em que vivem, teoria da seleção natural. Estes dois princípios têm sido aplicados à resolução de questões tão diversas acerca de nossa existência cotidiana como: Por que nós somos susceptíveis a tantas doenças? Por que cada vez mais pessoas morrem de infecções hospitalares? Como surgiu o vírus HIV e porque é tão difícil controlar e tratar a AIDS? De onde surgem e como podemos controlar pragas agrícolas? Quais são os riscos da liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados? Para quais espécies, comunidades ecológicas ou regiões geográficas devemos destinar nossos esforços de conservação mais urgentes?
Uma compreensão adequada da evolução por seleção natural mostra que nós, seres humanos, somos não apenas alvo deste processo, como também temos um papel como agentes, ao modificamos o ambiente em que vivemos. O uso indiscriminado de antibióticos tem levado ao surgimento de bactérias resistentes a estas drogas de modo tão rápido e abrangente que o fenômeno tem sido considerado uma calamidade de escala mundial. Este é um dentre outros exemplos em que a seleção natural nos ajuda a compreender como mudanças ambientais geradas pela atividade humana, ao alterar a velocidade e o rumo do processo evolutivo de outros organismos, podem apresentar conseqüências para nossa qualidade de vida. A teoria da descendência comum, por sua vez, ao fundamentar os métodos de inferência das relações de parentesco entre as espécies, tem nos permitido identificar: (1) reservatórios de organismos patogênicos; (2) inimigos naturais de pragas agrícolas; (3) espécies de plantas com compostos de importância farmacológica, médica e industrial; (4) regiões com maior variedade de espécies biologicamente diferentes únicas, que por isso devem ser conservadas. Pretendemos explorar alguns destes exemplos de aplicação do darwinismo, de modo a analisarmos como a biologia evolutiva tem nos proporcionado explicações e soluções para problemas de saúde pública, agricultura e gestão ambiental.


Leitura Recomendada:

FUTUYMA, D.J. Evolução, ciência e sociedade. Sociedade Brasileira de Genética. 1999. (disponível em http://www.sbg.org.br)

MEYER, D; EL-HANI,C.N. Evolução: o sentido da biologia. São Paulo: Editora UNESP, 2005
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Café Científico Especial – Ano Darwin
05 de maio de 2008 (segunda-feira) – 18:00

Evolução aplicada ao cotidiano

por Claudia Sepúlveda (Depto. de Educação, UEFS)

O Café Científico acontece a partir das 18 horas, na sede da Livraria Multicampi LDM, Piedade, Centro. A participação no Café é inteiramente gratuita.

Monday, March 17, 2008

Próximo Evento 14/04/2008 – 18 horas

Produção e Consumo Sustentáveis: Seremos Capazes de Construí-los?

por Asher Kiperstok da Escola Politécnica da UFBa.

Diagnosticar os problemas ambientais que se colocam perante nós é importante mas não é suficiente. Temos que ver com clareza o desafio da sustentabilidade para que possamos estabelecer metas e planejar ações. Urge ainda desenvolvermos metodologias de ação.
Na palestra serão abordados estes temas e serão apresentados os instrumentos que a Produção Limpa e a Ecologia Industrial colocam a nossa disposição.

maiores informações sobre o tema:

Tuesday, March 04, 2008

Resumo da apresentação do dia 10/03/2008

Desafios para o Desenvolvimento sustentável no Brasil

Por Emerson Andrade Sales, professor do Instituto de Química da UFBa.

Vivemos hoje uma das grandes contradições da humanidade: o modo segundo o qual a sociedade organizou-se historicamente, mesmo reconhecendo que trouxe avanços extraordinários, por exemplo, no campo do conhecimento, não resolveu questões básicas como a disseminação e apropriação universal deste mesmo conhecimento, visando o bem estar de todos. Ao contrário, mantém ainda hoje os privilégios, a injustiça social, a marginalização dos povos. Como conseqüência deste “modelo” de sociedade, a maneira como se vive na maior parte do planeta causa grandes impactos ambientais ao mesmo, por falta de reflexão sobre a responsabilidade de cada ato, e suas conseqüências para as futuras gerações.
A vida e o ambiente são intimamente ligados, interdependentes; a Terra é um sistema vivo, que tem sido enxergado apenas como fonte de insumos para a sobrevivência humana, e o desenvolvimento da chamada “sociedade de consumo”. Os limites do planeta, exaurido por este modelo de sociedade, estão cada vez mais próximos, mas poucos estão conscientes disto.
Mudanças Ambientais Globais estão ocorrendo e não podem ser separadas de questões de desenvolvimento. As relações do crescente aquecimento global com as intervenções antrópicas nos ecossistemas estão exaustiva e cabalmente demonstradas pela comunidade científica nacional e internacional. Há ainda uma questão de ética e justiça: as pessoas que vão sofrer as conseqüências mais graves das Mudanças Ambientais Globais são aquelas que menos contribuíram para este grave problema. Estes temas serão abordados com foco no caso brasileiro: quer o Brasil tornar-se um modelo de produção para um futuro sustentável? Como entender melhor as limitações ambientais para o desenvolvimento social e tecnológico? Queremos ser uma “potência ambiental” ou o primeiro “país tropical desenvolvido”?

Leituras Recomendadas:

Sachs, I. et al. DILEMAS E DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NO BRASIL, Editora Garamond.

Cavalcanti, C. (Org.). DESENVOLVIMENTO E NATUREZA: Estudos para uma sociedade sustentável. INPSO/FUNDAJ, Instituto de Pesquisas Sociais, Fundacao Joaquim Nabuco, Ministerio de Educacao, Governo Federal, Recife, Brasil. Octubre 1994. p. 262.
Próximo Evento 10/03/2008 – 18 horas

Os Desafios do Desenvolvimento Sustentável no Brasil

por Emerson Sales do Instituto de Química da UFBa.

Monday, March 03, 2008

Cobertura do Evento Anos Darwin

Centenas de pessoas assistiram a palestras sobre a passagem de Charles Darwin por Salvador
http://www.fapesb.ba.gov.br/cti/noticias/noticia.2008-02-29.9040842055/view

Prosseguem atividades dos “Anos Darwin”
http://www.comunicacao.ba.gov.br/noticias/2008/02/29/prosseguem-atividades-dos-201canos-darwin201d?b_start=0

Café científico faz homenagem a Charles Darwin
http://www.bahiaemfoco.com/noticia/4584/ufba-cafe-cientifico-faz-homenagem-a-charles-darwin

Café Científico discute Darwin
http://www.portal.ufba.br/ufbaempauta/2007/fevereiro/sexta09/energia

Fapesb promove eventos para comemorar 150 anos da teoria da seleção natural das espécies
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54440

Thursday, February 28, 2008

Café Científico Salvador nos Anos Darwin

Como a seleção natural atuou na evolução humana

Amanhã (29) será uma data especial para o Café Científico Salvador. O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Diogo Meyer, virá à Bahia para falar como a seleção natural atuou na evolução humana. O tema do Café, em data extraordinária, faz parte de uma série de eventos comemorativos dos 150 anos da primeira divulgação da teoria da seleção natural, de Charles Darwin e Alfred Wallace.

Os eventos, como este e outros Cafés especiais que acontecerão ainda este ano, são uma homenagem aos Anos Darwin, 2008 e 2009. Neste último, serão festejados 200 anos do nascimento desse estudioso que marcou a história da ciência moderna e os rumos da ciência contemporânea. Além disso, será quando se completa 150 anos da publicação do trabalho mais célebre de Darwin, A Origem das Espécies.
Em todas as atividades, a passagem de Charles Darwin no Brasil, e especialmente na Bahia (1832), será lembrada e discutida. Charbel El-Hani, coordenador do Café Científico e organizador dos Anos Darwin no Estado, disse que o Brasil teve um papel importante na vida do naturalista e para o chamado processo de "conversão" para o evolucionismo.

Darwin aportou em Salvador em 28 de fevereiro de 1832, onde ficou até 18 de março do mesmo ano. "Foi nas cercanias desta cidade que ele vivenciou pela primeira vez a experiência de caminhar pelo interior de uma floresta tropical, como ele descreve com cores vívidas e emocionadas no diário escrito ao longo da viagem do Beagle", conta El-Hani. Ele também afirma que o estudioso começou a coletar dados geológicos que lhe sugeriram que a profundidade do mar havia de fato variado ao longo do tempo. "É surpreendente como, diante deste rico legado, a passagem de Darwin pelo Brasil está pouco presente no ensino de Biologia em nosso país", criticou.

Fazendo dos anos de 2008 e 2009 uma oportunidade de realizar atividades de popularização e difusão da ciência que estejam voltados para estes episódios históricos, é que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e o Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) se uniram para promover uma série de conferências, encontros, simpósios e atividades no contexto da educação básica e vinculadas ao turismo no Estado da Bahia, visando à celebração dos anos Darwin.

Veja a seguir um pouco do que será apresentado no Café Científico de amanhã (29):

Por Diogo Meyer

Em nossa espécie há diferenças entre indivíduos. Alguns de nós somos altos, outros são baixos; alguns têm pele escura, outros têm pele clara; alguns adoecem facilmente, outros são mais resistentes; alguns digerem leite com facilidade, outros ficam com dor de barriga após beber leite. Vemos também que essas diferenças têm alguma relação com o local de onde vêm as pessoas: africanos em geral têm pele mais escura do que europeus; o sistema imunológico de ameríndios é diferente daquele de africanos; asiáticos têm mais dificuldade para digerir o leite.

O que está por trás dessas diferenças? A seleção natural atuou sobre os humanos, mudando as populações? A nossa espécie ainda hoje está sob seleção natural? As diferenças entre nós e o chimpanzé, nosso parente não-humano mais próximo, resultam da ação da seleção natural? Nas últimas décadas avançamos muito no desafio de responder a essas perguntas.

Esses avanços se deram através de estudos genéticos, que compararam indivíduos de diferentes regiões do mundo. Além disso, foram feitos estudos que buscaram compreender de que modo diferenças genéticas explicam diferenças na aparência e saúde das pessoas. Juntando todas essas informações com nosso conhecimento sobre a evolução, podemos propor hipóteses sobre como a seleção natural atuou na nossa espécie.

Serviço

O quê: Café Científico Anos Darwin – Como a seleção natural atuou na evolução humana – com o professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Diogo Meyer.

Quando: amanhã (29), a partir das 18 horas

Onde: Livraria Multicampi LDM, Piedade.

Tuesday, February 05, 2008

Café Científico Especial – Ano Darwin
29 de Fevereiro de 2008 (sexta-feira) – 18:00

Como a seleção natural atuou na evolução humana.

por Diogo Meyer do Instituto de Biociências da USP.

O Café Científico acontece a partir das 18 horas, na sede da Livraria Multicampi LDM, Piedade, Centro. A participação no Café é inteiramente gratuita.
Resumo da apresentação do dia 12/02/2008

O Darwinismo chega à Bahia: o caso Domingos Guedes Cabral.

por Ronnie Tavares de Almeida do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBa.

Quando olhamos para a História da Bahia Imperial, mesmo o observador mais desatento terá grandes possibilidades de se deparar com o nome de uma personalidade baiana que teima em aparecer nas discussões, Domingos Guedes Cabral. Principalmente, porque temos dois homens (pai e filho) que, além de compartilharem o mesmo nome, possuíam as mesmas qualidades combativas: lutaram contra a forma de governo estabelecida, contra a presença da Igreja Católica em assuntos alheios à fé, contra o regime escravocrata, contra o suposto “atraso” em que o país estava mergulhado, contra o tipo de educação disponível no país etc. As batalhas eram diversas e precisavam ser travadas em muitos campos. Esses dois homens estavam dispostos a lutar, algumas vezes com pouco apoio social, pelas idéias que acreditavam. Pretendiam colaborar com a implementação de algumas das mudanças que julgavam indispensáveis para que o Brasil ingressasse no mundo civilizado (leia-se Europeu!!).
Falaremos do segundo Guedes Cabral, médico pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1875. Esse personagem protagonizou um dos eventos mais curiosos do mundo acadêmico baiano, teve sua tese de doutoramento recusada pela Faculdade de Medicina, único exemplo que conhecemos durante o período. Pretendemos apresentar um pouco da história de vida desse ator social e problematizar os motivos da recusa de sua tese. Duas explicações normalmente acompanham esse evento da recusa, as duas centradas nas idéias presentes na tese. Para alguns historiadores, o problema ocorreu porque o autor defendeu idéias materialistas, principalmente aquelas oriundas das teorias de Charles Darwin, em um momento em que isso ainda não seria possível no meio acadêmico local; para outros, o problema estava circunscrito à tentativa de Guedes Cabral de buscar provas de que Deus não existia, o que teria despertado a ira da Igreja Católica. Aceitamos em parte essas duas explicações e acrescentaremos outras, conforme poderá ser observado ao longo da apresentação.

Leituras Recomendadas:

ALMEIDA, Ronnie Jorge T. Religião, Ciência, Darwinismo e Materialismo na Bahia Imperial: Domingos Guedes Cabral e a Recusa da Tese Inaugural “Funcções do Cerebro” (1875). Dissertação apresentada ao Mestrado de Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS, Bahia, 2005. Disponível em http://www.fis.ufba.br/dfg/pice/.

Almeida, R. J. T. & El-Hani, C. N. (2007). A Medicina como “Philosophia Social”: Domingos Guedes Cabral e a Tese Inaugural “Funcções do Cérebro” (1875). Revista da SBHC (Brasil) 5(1): 6-33. Disponível em http://www.mast.br/arquivos_sbhc/321.pdf.

BLAKE, Augusto V. Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro V.2 Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1893.

CABRAL, Domingos Guedes. Funcções do Cérebro. Bahia: Imprensa Nacional, 1876, 226p.

COLLICHIO, Terezinha Alves Ferreira. Miranda Azevedo e o Darwinismo no Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia (ed. da USP), 1988, 166p.
ROMERO, Sylvio. Obra Filosófica, Coleção Documentos Brasileiros. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editôra. (Editora da USP), 1969.

Próximo Evento 12/02/2008 – Terça-Feira - 18 horas

Em comemoração ao dia Darwin, o café científico acontecerá excepcionalmente na terça-feira com o tema:


O Darwinismo chega à Bahia: o caso Domingos Guedes Cabral.

por Ronnie Tavares de Almeida do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBa.

Thursday, January 17, 2008

Resumo apresentação 14/01/2008

O olhar de um químico sobre as coisas do mundo: ou como as substâncias reagem umas com as outras?

por José Luis de Paula Barros e Silva do Instituto de Química da UFBa

O mundo material nos é tão familiar que costumamos aceitá-lo naturalmente, sem questionamentos. Contudo, os materiais que compõem o mundo têm sido objeto de conjeturas e estudo desde tempos imemoriais. A ciência química e a indústria química atuais são herdeiras dessa longa tradição.
Os conceitos químicos de substância, mistura, átomo e molécula possibilitaram descrever os materiais e suas transformações de modo mais preciso e interpretá-los com maior profundidade, o que facilitou a reprodução dos processos químicos, a síntese artificial de materiais e sua produção em larga escala. Portanto, parece-nos que tais conceitos devam ser amplamente divulgados, possibilitando aos leigos em química uma compreensão mais profunda e precisa dessa dimensão do mundo.
Os materiais podem ser descritos como constituídos por substâncias que se apresentam em estado puro ou em misturas. Substâncias podem transformar-se em outras substâncias, no que se convencionou denominar reação química.
A partir do início do século XIX, desenvolveu-se a noção de que cada substância é composta por átomos indestrutíveis combinados em proporções características. Tal idéia levou à interpretação de uma reação química como uma mudança nas combinações dos átomos presentes nas substâncias iniciais. Então, do ponto de vista macroscópico, os materiais são constituídos por substâncias e as reações químicas são transformações de substâncias. Microscopicamente, as substâncias são constituídas por átomos e moléculas e reações químicas são entendidas como recombinações de átomos.
A aparente simplicidade dessas declarações, que aprendemos na escola, encobre uma grande riqueza conceitual que procuraremos apresentar aos participantes do Café Científico, como um convite à discussão dos fundamentos da química contemporânea.

Saturday, January 12, 2008

Café Científico Salvador apresenta :
O olhar de um químico sobre as coisas do mundo

por Débora Alcântara

O próximo Café Científico, que acontece no dia 14 deste mês, a partir das 18 horas, na Livraria Multicampi LDM, Piedade, faz um convite à discussão sobre os fundamentos da química contemporânea. A apresentação do tema ficará a cargo do professor do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba), José Luis de Paula e Silva.
A aparente simplicidade do assunto tratado pelas escolas, como as reações das substâncias, encobre, segundo o professor, uma grande riqueza conceitual. "Os materiais que compõem o mundo têm sido objeto de conjecturas e estudo desde tempos imemoriais. A ciência e a indústria química atuais são herdeiras dessa longa tradição", informa.
José Luis explica que os conceitos químicos de substância, mistura, átomo e molécula possibilitaram descrever os materiais e suas transformações de modo mais preciso e interpretá-los com maior profundidade, o que facilitou a reprodução dos processos químicos, a síntese artificial de materiais e sua produção em larga escala. "Tais conceitos devem ser amplamente divulgados, possibilitando aos leigos em química uma compreensão mais profunda e precisa dessa dimensão do mundo", defende.
Divulgar como as substâncias reagem umas com as outras de forma mais aprofundada, mas numa linguagem voltada para um público diverso, é justamente o objetivo do Café Científico deste mês. Para adiantar um pouco do assunto, de acordo com José Luis de Paula e Silva, os materiais são constituídos por substâncias que se apresentam em estado puro ou em misturas. "Substâncias – informa – podem transformar-se em outras, o que se convencionou denominar reação química".
A partir do início do século XIX, desenvolveu-se a noção de que cada substância é composta por átomos indestrutíveis combinados em proporções características. Tal idéia levou à interpretação de uma reação química como uma mudança nas combinações dos átomos presentes nas substâncias iniciais. "Do ponto de vista macroscópico, os materiais são constituídos por substâncias e as reações químicas são transformações de substâncias. Já microscopicamente, as substâncias são constituídas por átomos e moléculas e reações químicas são entendidas como recombinações de átomos", explica o professor.
Desde setembro de 2006, o Café Científico Salvador vem contribuindo com a popularização da ciência, levando a um público heterogêneo, num clima descontraído, o que é tratado no espaço acadêmico. O evento é uma iniciativa do programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências das Universidades Federal e Estadual da Bahia (Ufba e Uefs) e da Livraria Multicampi LDM. As sessões fazem parte do padrão
Café Scientifique , uma rede mundial, que já conta com quase duas centenas de cafés espalhados pelo mundo.
Inteiramente gratuito, o Café não necessita de inscrição e ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras, às 18 horas.

Indicações para leitura da sessão de janeiro:

BENSAUDE-VINCENT, Bernadette; STENGERS, Isabelle. História da química. Lisboa: Instituto Piaget, 1996.
FARADAY, Michael. História química de uma vela e As forças da matéria. Rio de Janeiro: Contraponto, 2003.
HOFFMANN, Roald. O mesmo e o não mesmo. São Paulo: Ed. Unesp, 2007.

Serviço:

O quê: Café Científico Salvador: O olhar de um químico sobre as coisas do mundo.
Quando: 14 de janeiro, a partir das 18 horas.
Onde: LDM – Livraria Multicampi, Rua Direita da Piedade, 20, Piedade.
Contato: Imprensa (Débora Alcântara – ** 71 8805-6292), Coordenação do Café (Charbel El-Hani - ** 71 3283-6568), LDM (Produtor Cultural - Vagner Rocha - ** 71 2101-8000).

Thursday, December 06, 2007

Resumo da apresentação do dia 10/12/2007

A mente está cada vez mais fora do corpo: sobre artefatos cognitivos e semióticos.

Por João Queiroz do Intituto de Biologia da UFBa.

João Queiroz (IB-UFBA) [www.semiotics.pro.br] explorará a tese de que a mente e a cognição humana são produto direto da construção e manipulação de artefatos semióticos, ou seja, de artefatos que permitem a ação mediada por signos. Trata-se de uma novidade entre cientistas cognitivos, cuja popularização se deve principalmente a um livro recente de Andy Clark, intitulado "Natural-born Cyborgs". Para Clark, seres humanos são uma espécie de "ciborgues inatos", que constroem um nicho cognitivo, tornando-se um tipo de simbionte tecnológico, cuja mente-corpo se encontra distribuída no espaço em queestá imersa. João Queiroz reinterpreta a tese de Clark, ao enfatizar características explicitamente semióticas dos artefatos e das tecnologias empregadas pelo homem, desde a linguagem verbal com propriedades simbólicas até as notações formais baseadas em diagramas, mapas etc.
Próximo Evento 10/12/2007 – 18 horas

A mente está cada vez mais fora do corpo: sobre artefatos cognitivos e semióticos.

Por João Queiroz do Intituto de Biologia da UFBa.

Tuesday, October 30, 2007

Próximo Evento 12/11/2007 – 18 horas


Evolução do comportamento sexual nos animais.

Por Aldo Malavasi – Professor Titular de Genética e Evolução (aposentado) do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociência da USP. Atualmente Presidente da Organização Social Biofábrica Moscamed Brasil em Juazeiro, Bahia e morador em Salvador desde início de 2005 .

Thursday, September 27, 2007

Resumo da apresentação do dia 08/10/2007

Comportamento de primatas não-humanos e comportamento humano: Entendendo semelhanças para compreender melhor as diferenças.

Por Charbel Niño El-Hani do Instituto de Biologia da UFBa

Quando tentamos compreender a natureza e origem da espécie humana, dois erros são fatais: primeiro, a idéia de uma descontinuidade completa, como se houvesse um abismo entre nossa espécie e os demais animais. O pensamento evolutivo é a base de todo o conhecimento biológico, a tal ponto que alguém que não pensa evolutivamente ou não aceita a evolução não tem como dizer que conhece biologia ou pensa biologicamente. Entre as teorias da evolução propostas ao longo da história da biologia, as teorias darwinistas são as que têm gozado de maior aceitação entre os cientistas desde a metade do século XIX. De uma perspectiva evolucionista, as espécies estão relacionadas por laços de parentesco ao longo da história da vida na Terra e uma parte significativa de suas características – mas não todas – são produtos de processos graduais de transformação. Assim, não há por que esperarmos que não existam importantes semelhanças – e, logo, continuidades – entre nossas características e as de nossos parentes mais próximos, em particular, chimpanzés, bonobos, gorilas e orangutangos. Não há também fundamentos, sejam teóricos ou empíricos, para sustentar que nossas características tenham surgido de uma só tacada em nossa espécie, Homo sapiens. A maioria da evolução das características que consideramos mais próprias de nossa espécie ocorreu, na verdade, em espécies anteriores à nossa e ao longo de milhões de anos. Parte da aparente descontinuidade que as pessoas imaginam ver entre nossa espécie e os outros animais resulta de não termos espécies de nosso mesmo gênero convivendo conosco, nem espécies de outros gêneros que fizeram parte da história de nosso clado, como os Australopithecus, Kenyanthropus, Paranthropus, Ardipithecus, Sahelanthropus, entre outros. Um segundo erro, contudo, seria postular uma completa continuidade entre nossa espécie e as demais espécies. Como qualquer espécie de animal, nós temos características que nos são próprias, entre elas, uma evidente diferença no grau em que exibimos características como a comunicação simbólica e a produção de cultura (a ponto de podermos dizer que produzimos uma hipercultura). Parece-me, assim, essencial construirmos uma visão da evolução da espécie humana que combine continuidade e descontinuidade, elucidando como mudanças contínuas, graduais em características de nossos ancestrais resultaram na emergência de novidades qualitativas em nossa espécie, ou seja, mudanças em nossas características que chegaram a alterar nosso modo de evolução. Afinal, é largamente reconhecido que nossa espécie tem se transformado principalmente por um processo de evolução cultural, pelo menos desde a invenção da agricultura. Para construir este retrato mais adequado da evolução humana, devemos deixar de lado a eleição de características que supostamente nos separariam dos demais animais, mas que não sobrevivem a um escrutínio mais cuidadoso do que sabemos sobre eles. Houve época em que se pensava que nós éramos o único animal que produzia ferramentas. Nós não somos. Já se pensou que nós éramos os únicos animais que exibiam comportamento social complexo. Nós também não somos. Ainda hoje, há autores que sustentam que somente nós exibimos comunicação simbólica. Há evidências convincentes de que este não é o caso e as características de nossa linguagem que a diferenciam da linguagem de outros animais dizem respeito mais a questões de grau do que de gênero. É fundamental entender nossas semelhanças para que possamos compreender nossas diferenças em relação a outros animais. Somente assim poderemos construir não somente uma compreensão mais apropriada de nossa natureza, mas também da história evolutiva contingente que resultou em nossa espécie. Exploraremos nessa conversa várias semelhanças que exibimos com outros animais, em particular, com os chimpanzés, mas também mencionando bonobos, gorilas e orangutangos. Veremos como chimpanzés têm sido produtores de ferramentas desde pelo menos 4.300 anos atrás, como eles caçam grandes mamíferos cooperativamente e com divisão de trabalho, como eles se reconhecem no espelho (um teste para desenvolvimento normal da consciência em crianças humanas), como eles lançam campanhas de guerra contra comunidades vizinhas (e exibem, assim, uma triste característica em que nós somos pródigos, matar nossos co-específicos), apresentam comunicação referencial e funcional (possivelmente, simbólica) e são, como nós, animais produtores de cultura.
Próximo Evento

08/10/2007 – 18 horas

Professor Charbel Niño El-Hani do Instituto de Biologia da UFBa - Comportamento de primatas não-humanos e comportamento humano: Entendendo semelhanças para compreender melhor as diferenças.
O Café Científico acontece sempre na segunda semana de cada mês, nas segundas-feiras, a partir das 18 horas, na sede da Livraria Multicampi LDM, Piedade, Centro. A participação no Café é inteiramente gratuita.
Resumos - Café Científico na Semana de Ciência e Tecnologia

- 1 de outubro de 2007 – 17 horas
Asher Kiperstok (UFBA) - Mudanças tecnológicas e comportamentais para a sustentabilidade ambiental: seremos capazes?

Discutiremos o conceito de sustentabilidade ambiental da forma como é divulgado, procurando definir o nível de mudança necessário para que este possa ser atingido. Uma rápida reflexão sobre o crescimento do padrão de consumo atual nos leva
a conclusão que mudanças tanto comportamentais como tecnológicas radicais são necessárias para se pensar em sustentabilidade, mudanças que vão muito além dos clichês atualmente aceitos. Para se construir caminhos no sentido da sustentabilidade, nos apoiamos nos conceitos de produção limpa e ecologia industrial, no plano tecnológico e na proposta das "comunidades criativas" de Ezio Manzini para o plano comportamental.


- 3 de outubro de 2007 – 17 horas
Emerson Sales (UFBA) - Panorama ambiental global, consumo consciente e tecnologias limpas.

O planeta Terra vem sofrendo contínuas alterações em seus ciclos vitais, causadas pela ação (agressão) do homem, num modelo de sociedade que o enxerga apenas como fonte de insumos. Em função da gravidade dos danos já causados, a humanidade enfrentará tempos muito difíceis, caso medidas drásticas não sejam tomadas imediatamente, em todos os níveis e instâncias da sociedade. Hoje, cada indivíduo é convidado a refletir sobre o impacto ambiental do seu modo de vida, sobre a responsabilidade de cada ato seu, e as conseqüências para as futuras gerações. Torna-se imperativa a racionalização do uso de todos os recursos naturais e insumos em geral, incorporando o conceito de consumo consciente e as técnicas de produção mais limpa, e apoiando projetos e atividades relacionadas com o desenvolvimento sustentável. O planeta está exigindo um novo ser humano, mais participante, atento e solidário, que consiga desfrutar de todo o progresso que conquistou, mas causando menos impacto ao sistema Terra. Sabe-se que o planeta tem seus ciclos naturais, e nunca se pode garantir a continuidade de nenhuma espécie, mas pode-se ter a responsabilidade de evitar que fatores antrópicos continuem a interferir tanto no equilíbrio deste planeta, e precipitem o fim das várias espécies, inclusive a humana.


- 4 de outubro de 2007 – 17 horas.
Leandro Nunes de Castro (UNISANTOS) - Computação Natural: A Computação no Novo Milênio.

No final do século XVIII e início do século XIX, o mundo testemunhou a revolução industrial como um marco da história social humana. As economias baseadas em trabalho braçal começaram a ser substituídas por economias baseadas em produção através de máquinas e processos industriais. Já o século XX foi marcado por grandes avanços científicos e tecnológicos, pela invenção e desenvolvimento dos computadores e por descobertas sem precedentes nas ciências biológicas. Para o século XXI, que também marca a virada do milênio, a computação passará por diversas transformações, sendo que uma das novas tendências do milênio é a Computação Natural. Esta palestra apresentará uma caricatura ilustrada da computação natural, destacando algumas de suas principais aplicações práticas e perspectivas de pesquisa e desenvolvimento.


- 5 de outubro de 2007 – 18 horas.
Ângelo Loula (UEFS) - Jogos eletrônicos inteligentes e robôs inteligentes.

Jogos eletrônicos e robótica são dois desafios para pesquisas científicas e aplicações tecnológicas provindos da área de Inteligência Artificial. Considerada como o futuro dos jogos eletrônicos, a Inteligência Artificial oferece possibilidades pouco exploradas nesta área, cujo mercado movimentou mais de U$ 7 bilhões em 2005, somente nos EUA. Tanto jogos de entretenimento como jogos educativos podem ser aprimorados com a utilização de técnicas avançadas de Inteligência Artificial, particularmente em jogos que envolvem personagens (oponentes, aliados ou mesmo figurantes) não controlados pelo jogador humano, em jogos de primeira/terceira-pessoa ou mesmo em jogos de simulação. Também na área de robótica encontramos importante contribuição na aplicação da Inteligência Artificial, frente às perspectivas do setor, em especial ligada à robótica autônoma. O mercado de robótica, que movimenta U$ 11 bilhões anualmente com previsão de duplicação deste valor em 2011, é tradicionalmente ligado à área industrial, mas aponta direções para o desenvolvimento de aplicações não industriais e popularização desta tecnologia que deverá ser vista em ambiente doméstico, educacional, de entretenimento, de saúde, e de transportes. Uma competição organizada pelo Departamento de Defesa americano envolvendo veículos terrestres autônomos (sem condutor ou controle remoto) oferece, em sua atual terceira edição, prêmios totalizando 3,5 milhões de dólares. Outras competições também têm objetivado o desenvolvimento tecnológico em robótica autônoma, como o Sumô de Robôs e o Futebol de Robôs, que coloca o desafio de, em 2050, ter um time de 'robôs humanóides totalmente autônomos' capazes de ganhar do time humano campeão mundial de futebol.
Café Científico na Semana de Ciência e Tecnologia

O Café científico promoverá uma série de palestras na Semana de Ciência e Tecnologia, que ocorrerá de 1 a 7 de outubro de 2007, por convite da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do Estado da Bahia. As palestras ocorrerão no Auditório do Palácio Rio Branco, na Praça Thomé de Souza (próximo ao Elevador Lacerda), s/n, nas seguintes datas e horários:

- 1 de outubro de 2007 – 17 horas
Asher Kiperstok (UFBA) - Mudanças tecnológicas e comportamentais para a sustentabilidade ambiental: seremos capazes?

- 3 de outubro de 2007 – 17 horas
Emerson Sales (UFBA) - Panorama ambiental global, consumo consciente e tecnologias limpas.

- 4 de outubro de 2007 – 17 horas.
Leandro Nunes de Castro (UNISANTOS) - Computação Natural: A Computação no Novo Milênio.

- 5 de outubro de 2007 – 18 horas.
Ângelo Loula (UEFS) - Jogos eletrônicos inteligentes e robôs inteligentes

Lembramos que o Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável. O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição.

Thursday, September 06, 2007

Café Científico Salvador comemora um ano
um ano contribuindo com a popularização da ciência na capital baiana

por Débora Alcântara

Na próxima segunda-feira (10), o Café Científico Salvador comemora o primeiro ano de existência. Desta vez, o médico e professor da Faculdade de Medicina da Ufba, Luiz Erlon Rodrigues, será o palestrante. Ele falará de verdades e mitos sobre o uso de vitaminas como drogas terapêuticas.
Desde setembro do ano passado, o evento vem contribuindo com a popularização da ciência, levando a um público heterogêneo, num clima descontraído, o que é tratado no espaço acadêmico. O evento é uma iniciativa do programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências das Universidades Federal e Estadual da Bahia (Ufba e Uefs) e da Livraria Multicampi LDM.
O Café Científico Salvador faz parte do padrão
Café Scientifique, uma rede mundial, que já conta com quase duas centenas de cafés espalhados pelo mundo. Surgido em 1998, em Leeds, Inglaterra, o evento tem o propósito de ofertar a diversos segmentos sociais a possibilidade de conhecer e discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos na sociedade. Salvador é uma das quatro cidades brasileiras onde acontece uma forma de divulgação científica diferente dos padrões da academia. Além da capital baiana, o Café Científico também é praticado no Rio de Janeiro, Porto Alegre e, a partir deste mês, em Florianópolis.
“Temos tido o privilégio de ver nosso Café contribuir para uma visão socialmente mais compromissada da pesquisa que fazemos”, disse o coordenador do Café Científico Salvador, doutor em Educação pela USP e professor da Ufba, Charbel El-Hani. O evento, segundo o professor, consegue desfazer a imagem estereotipada do cientista como um ser distante da sociedade e até mesmo da realidade. “Acreditamos que nossa audiência tem tido a oportunidade de ver os cientistas como gente de carne e osso, e isso é essencial para uma imagem adequada da ciência”, ressaltou.
No evento, a regra para os cientistas palestrantes é falar de modo acessível à platéia, formada de estudantes de ensino médio a idosos e profissionais liberais. A experiência em Salvador vem se destacando pela participação interativa do público, de onde surgem diversos questionamentos e até mesmo provocações.
O dono da filial LDM em Salvador, Primo Maldonado destaca o caráter “proativo” do evento, que consegue congregar cientistas, clientes e escritores “num processo de desmistificação da ciência”. A cada edição do Café, um estande é montado para amostra de livros referentes ao tema tratado. Muitos dos títulos divulgados fazem parte da produção acadêmica baiana.

O Café Científico acontece sempre na segunda semana de cada mês, nas segundas-feiras, a partir das 18 horas, na sede da Livraria Multicampi LDM, Piedade, Centro. A participação no Café é inteiramente gratuita.

Sunday, August 26, 2007

Próximo Evento

10/09/2007 – 18 horas

Professor Luiz Erlon Rodrigues da Faculdade de Medicina da UFBa - Vitaminas - Verdades e Mitos. Vale à pena tomá-las?

Um importante alerta médico foi feito em 2005 com o lançamento do livro Vitaminas Verdades e Mitos do Dr. Luiz Erlon Rodrigues, contra os abusos da indústria farmacêutica que promove o uso excessivo de vitaminas, sem que a população saiba dos prejuízos que tal uso pode acarretar à saúde humana.
O livro mostra cientificamente, que a ingestão de alimentos variados, a exemplo de vegetais, carnes, peixes, ovos, leite e derivados pode ser amplamente suficiente para garantir o suprimento diário todas as vitaminas.
Segundo Dr. Erlon, o uso de vitaminas como drogas terapêuticas, remédios para curar doenças, diferentes daquelas carenciais, não é uma boa conduta médica, e afirma que: “As vitaminas se constituem no maior placebo inventado no século vinte e trazido para o século vinte e um pelo poder econômico”. A indústria farmacêutica movimenta bilhões de dólares anuais com as vitaminas aproveitando-se da crendice, da hipocondria, da angústia e do estresse da população a qual prefere comer mal e rápido a investir numa refeição mais completa.
Doses dessas substâncias, maiores que as fisiológicas se constituem em desperdícios muitas vezes perigosos. Por exemplo: Um indivíduo adulto necessita diariamente de 60 mg de vitamina C. No entanto, um comprimido efervescente de um conhecido medicamento contém 1 grama. Quando tomado, os primeiros 60 mg absorvidos saturam as proteínas de transporte plasmático da citada vitamina e os 940 mg restantes não são aproveitados e, portanto eliminados, principalmente por via urinária dentro das duas horas seguintes. Isso sem considerar que mulheres grávidas que tomam vitamina C em altas doses e por períodos longos, podem induzir no feto uma enzima que destrói o excesso da vitamina C e, depois do nascimento, ao se alimentar do leite materno que é pobre nessa vitamina a criança continua a destruí-la, levando-a ao escorbuto.
As vitaminas ditas lipossolúveis (A D E K) são perigosas, quando tomadas em altas doses e por longos períodos. Um indivíduo adulto do sexo masculino necessita de 10 mg de vitamina E por dia. Contudo, a dose comumente encontrada nas cápsulas desta vitamina é de 400 mg. Isto corresponde a 40 vezes aquela que realmente necessária. Alguns profissionais da área de saúde receitam 2 a 3 cápsulas diárias. Nessas circunstâncias, se esse tratamento se prolongar por mais de duas semanas, podem surgir sinais decorrentes de superdosagens como: náuseas, cefaléia, fadiga muscular, sangramento facilitado e mesmo hemorragias.
Se grande parte dos médicos, principalmente aqueles ditos ortomoleculares, não receitassem esses placebos e, eticamente dissessem aos seus pacientes que eles deveriam alimentar-se melhor e, melhorassem suas qualidades de vida com atividades físicas e menos estresses, com certeza essas crendices tenderiam a diminuir aos poucos. Contudo, a pressão da indústria farmacêutica, aliada à crescente mercantilização da medicina, pervertem tudo. Finalmente, o dinheiro gasto na compra de vitaminas deveria ser investido na melhoria da própria alimentação, aliás, bem mais barata.
Polêmico, o livro Vitaminas Verdades e Mitos desafia o pensamento clínico corrente, desmascarando ícones vitamínicos da importância do ácido ascórbico e dos tocoferóis (vit. C e E).

Tuesday, August 07, 2007

Para saber mais - apresentação 13/08/2007

é possivel saber mais sobre o tema, "Fractais", nos livros e revistas recomendados abaixo:


Será que Deus Joga Dados? A nova matemática do caos. Stewart, I. Jorge Zahar, 1991.

Caos: a criação de uma nova ciência. Gleick,J. Editora Campus, 1991.


Complexidade & Caos. Nussenzveig, H.M. UFRJ, 2003

Dos Ritmos ao Caos. Bergé, P.; Pomeau, Y.; Dubois-Gance. Unesp, 1996.


Caos, uma introdução. Ferrara, N.; Prado, C. Ed. Edgard Blucher, 1994.

The Fractal Geometry of Nature. B. B. Mandelbrot. W. H. Freeman and Company, 1977.


Comet: Jackson Pollock's Life and Work. Kirk Varnedoe in JacksonPollock, by KirkVarnedoe, with Pepe Karmel. Museum of Modern Art, 1998.

Fractal Analysis of Pollock's Drip Paint. R. P. Taylor, A. P.Micolich andD. Jonas in Nature, Vol. 399, pg 422; 1999.

Fractals of the Classroom. Part One: Introduction to Fractals and Chaos. PEITGEN, Heinz-Otto; JÜRGENS, H.; SAUPE, D. New York:Printer-Verlag, 1992.
Resumo da apresentação do dia 13/08/2007

Fractais

Por José Garcia Vivas Miranda do Instituto de Física da UFBa

A forma com que o homem representa a natureza, seja nas artes ou nasciências, sofreu diversas modificações ao longo da história. Emespecial, a representação do espaço, iniciando nas pinturas rupestres até os intrigantes quadros de Jackson Pollock. Em meados do séculopassado, em meio a uma revolução na forma em que a ciência revia seusmodelos cartesianos para o novo paradigma da complexidade, surge umanova representação do espaço, os fractais. Até então inúmeros sistemas naturais deixaram de ser estudados por serem demasiado complexos ou osmodelos possíveis de serem implementados, eram deveras simples paraserem úteis. Desde então se iniciou uma chuva de trabalhos científicosna busca de reconhecer este novo padrão nos mais inusitados sistemasnaturais; dentre eles: nuvens, alvéolos pulmonares, couve-flor, árvores,chuva, montanhas, estrelas e cidades. Basicamente se notou que o difícilera encontrar algo que não fosse fractal! Com isso ficou claro que setratava de um padrão natural de estruturação das formas, mas por que anatureza evolui nesta direção? O que de fato representa este padrão? Ocomportamento humano também segue este modelo? Em que podemos aplicareste conhecimento? Essas e outras perguntas serão discutidas em nossobreve encontro.
Próximo Evento

13/08/2007 – 18 horas

Fractais com o professor José Garcia Vivas Miranda do Instituto de Física da UFBa.

Monday, July 09, 2007

Para saber mais - apresentação 09/07/2007

é possivel saber mais sobre o tema, "Mudanças Climáticas e suas Implicações Espaciais", nos livros e revistas recomendados abaixo:


CONTI, J. B. Clima e meio ambiente. 1 ed. São Paulo: Atual, 1998.

HARTMAN, D. Global physical climatology. San Diego: Academic Press, 1994.

MOLION, L. C. B. Aquecimento global: fato ou ficção? Revista do Instituto de Edições Pedagógicas, São Paulo, ano 1, nº 4, p. 6-9 nov. 2001.

NUNES, L. H. Mudanças climáticas globais. Revista Terra Livre, vol. 1, nº 18, AGB, São Paulo, 2002.
Resumo da apresentação do dia 09/07/2007

Mudanças Climáticas e suas Implicações Espaciais

por Emanuel Fernando Reis de Jesus do Departamento de Geografia da UFBa

A preocupação em torno das mudanças climáticas globais e da degradação da natureza deixou de ser um tema exclusivo dos profissionais da área ambiental. O papel decisivo dessas condições sobre o futuro da humanidade vem despertando uma série de discussões em várias partes do mundo.
De forma direta ou indireta o clima sempre esteve presente em todas as atividades desenvolvidas pelo homem desde os primórdios, daí a sua extrema importância até os dias contemporâneos. O estudo do clima compõe um importante capítulo do estudo da natureza, sobretudo quando o seu enfoque encontra-se direcionado, principalmente, para uma perspectiva de interação entre a natureza e a sociedade.
O clima é um sistema extremamente complexo, regido por múltiplas interações entre os diversos subsistemas (hidrosfera, biosfera, criosfera e atmosfera). Um grande espectro de escalas temporais e espaciais nele intervém. O oceano mais particularmente, exerce um efeito considerável sobre o clima global do planeta, uma vez que, inúmeras trocas de massas e de energia - por meio de gases, água e calor - proporcionam assim, a existência de um sistema altamente integrado. Nesses complexos processos de trocas, os oceanos têm um papel relevante na manutenção do equilíbrio climático da Terra.
A história natural do clima é caracterizada pela alternância de períodos quentes intercalados por períodos mais frios, que marcaram profundamente inúmeros eventos ocorridos nas diversas eras geológicas. A variabilidade do clima é, portanto, um fenômeno natural que pode ser definido como a maneira pela qual os elementos climáticos (precipitações pluviométricas, temperatura, umidade do ar, dentre outros) variam no interior de um determinado período de registro de uma série temporal.
A expressão mudança global do clima é definida como o conjunto de alterações climáticas causadas pelo aquecimento adicional da superfície e atmosfera da Terra em função das concentrações atmosféricas de gases de “efeito estufa” resultantes das atividades humanas.
Os gases do efeito estufa existem naturalmente na atmosfera, sendo os principais o vapor d´água, o dióxido de carbono (CO2), o ozônio (O3), o metano (CH4), e o ôxido nitroso (N2O). Esses gases têm a propriedade de absorver parte da radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre. Como conseqüências das atividades humanas, as concentrações de gases de “efeito estufa” vêm aumentando. Além dos gases já citados, novos gases com as mesmas propriedades, mas apenas produzidos pelo homem, passaram a ser também lançados na atmosfera, incluindo os clorofluorcarbonos (CFCs), hexafluoreto de enxofre (SF6) dentre inúmeros outros. Nos dias atuais a qualidade do ar sobretudo nas grandes metrópoles vem sendo cada vez comprometido, com sensíveis reflexos sobre à saúde humana.
Enfim, o aquecimento global é hoje uma realidade, suas repercussões se manifesta sob os mais diferentes aspectos, dentre os quais podemos citar: aumento do nível dos oceanos causado pelo derretimento das geleiras e pela expansão térmica do volume de água; elevação das temperaturas médias da superfície da ordem de 1,5º a 4,5ºC; derretimento dos gelos do mar; tendência a um aumento global das chuvas a partir da elevação dos níveis de vapor d´água presentes na atmosfera; aumento da ocorrência de furacões dentre inúmeras outras manifestações meteoroclimáticas.

Próximo Evento

09/07/2007 – 18 horas

Professor Emanuel Fernando Reis de Jesus do Departamento de Geografia da UFBa - Mudanças Climáticas e suas Implicações Espaciais.