Wednesday, May 06, 2009

Resumo Apresentação 11/05/2009

Origem e Evolução dos Elementos Químicos: Big-Bang, Estrelas e Supernovas.

por Débora Correia Rios (Instituto de Geociências, UFBA)

A composição química da Terra é única, sendo produto de uma série de processos. Estão incluídos aí os processos responsáveis pela criação dos elementos químicos, do Sistema Solar e da própria Terra.
Poderíamos simplesmente considerar que os elementos existem, mas intelectualmente isto não é o bastante. A origem dos elementos é uma questão tanto astronômica quanto geoquímica. Os questionamentos relacionados à origem e evolução dos elementos químicos são foco da cosmoquímica, cujo objetivo é entender a distribuição e abundância dos elementos no Sistema Solar e secundariamente no Universo.
Cosmoquímica é como geologia. Enquanto olhamos para as rochas mais antigas buscando informações sobre a origem do planeta, buscam-se nas estrelas mais velhas os primeiros registros de formação dos elementos químicos. A origem dos elementos químicos está intimamente relacionada à evolução estelar, porque os elementos são sintetizados pelas reações nucleares das quais as estrelas derivam a energia que irradiam no espaço. Este conjunto de processos é conhecido como nucleossíntese.
O Universo começou a cerca de 10-20 Ga atrás com o Big Bang, ou seja, uma explosão inicial que ocorreu no princípio de tudo, quando toda a matéria e energia existente hoje estavam concentradas em um único ponto. Supõe-se que esta explosão tenha convertido energia em matéria.
A primeira das etapas de nucleossíntese é, portanto conhecida como nucleossíntese cosmológica, ou, nucleossíntese no Big Bang, e ocorreu logo depois do início do Universo, sendo responsável pelo inventário cósmico do H e He, e talvez de algum Li. Considera-se que desde o Big Bang o Universo tem estado expandindo, resfriando e evoluindo, e com isto, os nêutrons se combinaram para formar partículas que se tornaram organizadas em núcleos de H e He. A formação de núcleos atômicos mais pesados é inibida neste processo devido à instabilidade dos núcleos de massas 5 e 8. Com o resfriamento, a temperatura caiu e as reações nucleares não foram mais possíveis nesta forma.
Algum tempo após o Big Bang o universo era um gás quente, mais ou menos homogêneo. Inevitavelmente desenvolveram-se heterogeneidades no gás, que provocaram um processo de atração e colapso gravitacional. Cerca de 0,5 Ga após o Big Bang, formaram-se as proto-galáxias, as quais colapsaram gerando as estrelas... Inicia-se o processo conhecido como Nucleossíntese Estelar. Todas as estrelas da seqüência principal geram energia por reações de fusão do H, que resulta na síntese do He, seja pelo canal p-p ou pelo ciclo CNO.
No canal p-p a reação predominante continua sendo a produção de He pela queima do H. Outras reações em cadeia podem produzir He, envolvendo Li, Be e B, seja como combustível primário, ou como produtos intermediários da reação.
Uma vez que a primeira geração de estrelas entrou no ciclo evolucionário e explodiram, as nuvens de gás interestelar continham elementos de números atômicos mais altos. A presença do carbono-12, sintetizado pelas estrelas ancestrais, fez mais fácil às gerações subseqüentes de estrelas gerarem energia pela fusão do H. Assim, estrelas de geração subseqüente e massa superior a 1,1 a massa solar, produziram He pela cadeia CNO onde o C age como um catalisador nuclear, não sendo produzido nem consumido. A partir daí as reações prosseguem dependendo basicamente da massa e temperatura da estrela, e gerando elementos mais pesados até o Ferro. A fusão do Ferro não produz energia.
Adicionalmente, precisamos lembrar que, exceto pelo 7Li no Big Bang, Li, Be e B não são produzidos em qualquer outra situação. Uma idéia para a formação destes elementos é sua abundância nos raios cósmicos: eles são cerca de 106x mais abundantes nos raios cósmicos que no sistema Solar. Acredita-se que eles sejam formados pela interação dos raios cósmicos com poeira e gás interestrelar, em reações que só ocorrem ocorrem a altas energias (maiores que no Big-Bang ou no interior das estrelas), mais a baixas temperaturas, onde poderiam sobreviver. O processo é conhecido como Nucleossíntese Galáctica.
Então e os elementos mais pesados? O 56Fe tem a maior energia de ligação por núcleo, isto é, ele representa o mais estável dos núcleos. Isto implica que a fusão só libera energia até a massa 56. Acima da massa 56, as reações se tornam endotérmicas, isto é, elas consomem energia. Assim que o núcleo estelar se converte para Fe, uma fase crítica é alcançada: o balanço entre a expansão termal e o colapso gravitacional é quebrado e este estágio leva à morte catastrófica da estrela.
A morte catastrófica da estrela pode gerar uma explosão supernova, em estrelas com massas de mais de 8x a massa solar. Supernovas são eventos extremamente energéticos. Assim, o que levou milhões de anos para ser construído, é destruído em um segundo. Contudo a fotodesintegração produz um grande número de nêutrons e prótons livres, que levam a importantes processos de nucleossíntese chamados Nucleossíntese Explosiva, dando origem a todos os núcleos mais pesados que o Fe.


Leitura Recomendada

FAURE, G., 1998. Principles and applications of inorganic geochemistry. Prentice Hall Ed., New Jersey., 2a. Ed., 600p.
GILL, R., 1996. Chemical fundamentals of geology. Chapman & Hall Ed., London, 2a. Ed., 290p.
WHITE, W.M., 2003. Geochemistry. On-line books. Cornell Univ., 700p.
WILSON, T., TOLEDO, M.C.M., FAIRCHILD, T.R., TAIOLI, F., 2000. Decifrando a Terra. Ed. Oficina de Textos, São Paulo, Brasil. 568p.
Próximo Café 11 de maio de 2009 – 18:30 horas

Origem e Evolução dos Elementos Químicos: Big-Bang, Estrelas e Supernovas

por Débora Correia Rios (Instituto de Geociências, UFBA)
Resumo Apresentação 13/04/2009

Terrorismo imobiliário em Salvador

por Ordep Serra (Depto. de Antropologia, UFBA), Débora Nunes (UNIFACS) e Rogério Horlle

A partir do exame de um caso exemplar (a expulsão sistemática, por meio de violência e constrangimento, de moradores de uma área de Mussurunga para a implantação de um empreendimento imobiliário ilegal), pretende-se examinar implicações da urbanização desigual em um processo que acentua a vulnerabilidade de grandes segmentos da população de Salvador e promove distorções no campo do planejamento, afetando o estado de direito e comprometendo a qualidade de vida na metrópole; também se deseja discutir o impasse metropolitano de Salvador, por carência de macro-planejamento; a pertinência do diagnóstico de uma situação de terror vivenciada por muitos nesta capital; e o absenteísmo de uma grande parcela da sociedade civil em face disso. Dar-se-á ênfase à discussão de mecanismos para-legais de gestão e empreendimento nesta urbe e da pertinência de uma “sociologia do terror” que metrópoles brasileiras estão requerendo para a compreensão de aspectos de sua configuração atual.

Leitura Recomendada:

KOWARIC, L. A espoliação urbana. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
KOWARIC, L. (org). As lutas sociais e a cidade. São Paulo: Paz e Terra, 1988.
NUNES, M.; PAIM, J. S. “Um estudo etno-epidemiológico da violência urbana na Cidade de Salvador, Bahia, Brasil: os atos de extermínio como objeto de análise”. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro 21(2) 459-468, mar-abr, 2005
OLIVEN, R. G. Urbanização e mudança social no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1982.
SANTOS, M. Ensaios sobre a urbanização latino-americana. São Paulo, HUCITEC, 1982.
SANTOS, M. A urbanização desigual. Petrópolis: Vozes, 1980
SERRA, O. Terrorismo imobiliário. http://ordepserra.wordpress.com/

Sunday, March 22, 2009

Resumo Café 23/03

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Maria Glória Teixeira (Instituto de Saúde Coletiva, UFBA)

A dengue, nos dias atuais, é uma das doenças transmitida por mosquito de maior importância para a Saúde Pública mundial. O seu vírus causador circula em quatro continentes e já atingiu mais de 100 países. Estimativas da OMS indicam que, anualmente, 50 milhões de pessoas são infectadas e cerca de 500.000 casos da Febre Hemorrágica do Dengue (FHD) ocorrem com pelo menos 12.000 óbitos por esta causa.
No Brasil, desde 2006 que epidemias sucessivas de febre do dengue vêm sendo registradas e, a partir de 1990, dois sorotipos (DENV1 e DENV2) do vírus passaram a circular simultaneamente e casos de FHD foram diagnosticados. Em 2001, com a introdução do DENV3 no país, houve agravamento da situação. Entre janeiro daquele ano e dezembro de 2002 mais de 2700 casos de FHD foram notificados. A epidemia que eclodiu em 2008 no Rio de Janeiro, com milhares de casos hemorrágicos atingindo crianças e adultos, colocou em colapso a rede de atenção à saúde daquela cidade, com grande repercussão nacional e internacional. Esse foi um ano epidêmico cuja incidência atingiu patamares semelhante a de 2002, tendo o quantitativo de casos da Febre Hemorrágica do Dengue ultrapassado 4500 registros.
O estado da Bahia vem sendo acometido por dengue desde 1994 e, sua capital, Salvador, registrou a primeira epidemia logo no ano seguinte. Neste estado também circulam três sorotipos (DENV1,DENV2 e DENV3) e, a partir de 2002, principalmente, indivíduos também foram acometidos com FHD. Significativo aumento no número de casos no interior do estado, atingindo mais fortemente a região de Irecê, foi observado em 2008, e pequeno incremento no número de casos em Salvador. Logo no início de 2009, o município de Jequié foi atingindo por uma epidemia explosiva e a seguir mais seis municípios tiveram elevação de incidência, o que resultou em Decreto de estado de emergência em alguns municípios (Jequié, Itabuna, Ilhéus, Porto Seguro, Ipiaú e Irecê)

No que pese o avanço do conhecimento científico na área biomédica, tem-se constatado dificuldades no controle desta doença em todo o mundo, em função da inexistência de vacinas para uso em populações humanas e do controle estar centrado no combate ao seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, único elo vulnerável da cadeia de transmissão do dengue. Apesar do dispêndio de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) em ações de combate a este mosquito a situação epidemiológica do Brasil e da Bahia evidencia, claramente, que não vem se obtendo progressos na prevenção desta virose.
Diante destes fatos, cumprimento os organizadores do Café Científico pela iniciativa de trazer este tema para debate, por considerar da maior importância desvendar as razões das dificuldades institucionais, administrativas, políticas e científicas, para alcance de maior efetividade no combate ao dengue. Particularmente, pela necessidade de se implementar o componente de educação e mobilização social dos programas de controle da dengue, propósito que só será obtido com amplo debate e participação. Consideramos este componente peça chave da sustentabilidade e manutenção das ações de combate vetorial, que só são efetivas se forem contínuas, permanentes e capazes de promover modificações ambientais que tornem desfavoráveis a proliferação de um mosquito-vetor de hábitos antropofílicos, totalmente adaptado ao ambiente habitado pelo homem.
Os resultados de algumas avaliações concernentes às atividades e ações que vêm sendo desenvolvidas neste campo, no Brasil e em outros países, evidenciam claramente as dificuldades e limites das estratégias de educação, comunicação e mobilização que vêm sendo utilizadas. Entende-se que se faz necessário profundas mudanças nas abordagens que têm sido aplicadas, com vistas a superação das táticas campanhistas da antiga ‘polícia sanitária”. De acordo com as avaliações que vêm sendo conduzidas estas estratégias não têm obtido o efeito desejado, pois a maioria da população absorve os conhecimentos, ou seja, sabe onde o vetor coloca os ovos, que recipientes contendo água devem ser eliminados, da necessidade de colocar tampa nos depósitos que não podem ser eliminados, dentre outras informações. Contudo, estes conhecimentos não têm sido eficazes no sentido da indução de mudanças de práticas e comportamentos. Assim, os ambientes domésticos se mantêm receptivos à manutenção e proliferação do Aedes aegypti.
Deste modo, ao lado de pesquisas voltadas para o desenvolvimento de produtos, inovações e invenções que venham a aprimorar as técnicas de controle desta doença pelos serviços de saúde, faz-se necessário a abertura de espaços de diálogo e conversação entre profissionais, agentes de saúde e população. Este diálogo deve ser direcionado para a busca de soluções para os problemas que impedem a redução da população de mosquitos, sendo fundamental para aportar novos enfoque e subsídios para o delineamento de novas estratégias de atuação capazes de modificar comportamentos e atitudes, individuais e coletivas, frente a este risco sobre a saúde humana.

Leitura Recomendada

Dengue: educação, comunicação e mobilização na Revista interface:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-32832008000200018&script=sci_arttext

Barreto, M. L. & Teixeira, M. G. 2008. Dengue no Brasil:Situação epidemiológica e contribuições para uma agenda de pesquisa. Estudos Avançados 22(64):53-72.
Próximo Café 23 de março de 2009 – 18:30 horas

Dengue: como avançar no controle desta doença?

Professora Maria da Glória Teixeira (Instituto de Saúde Coletiva, UFBa)

Tuesday, March 03, 2009

Resumo apresentação 09/03/2009

Explicações evolucionistas sobre a mente e o comportamento humanos

por Eulina da Rocha Lordelo (Depto. de Psicologia, UFBA)

Embora a mente e o comportamento humanos tenham sido objeto de interesse e estudo sistemático de Darwin durante sua vida, o pensamento evolucionista sobre a psicologia humana permaneceu dormente durante a maior parte do século 20, ofuscado por outras teorias psicológicas de maior aceitação. O desenvolvimento progressivo e as realizações científicas em campos diversos como etologia, ecologia comportamental, genética do comportamento, paleoantropologia, antropologia evolucionária e sociobiologia e, mais recentemente, a psicologia evolucionista, finalmente estão mudando essa situação, com notáveis avanços, especialmente nos últimos 30 anos.

Uma teoria evolucionista sobre a psicologia humana se fundamenta nos mesmos princípios que valem para a anatomia e fisiologia de qualquer animal: formas que conferiram alguma vantagem em sobrevivência e sucesso reprodutivo ao animal que as possuíam foram passadas à sua prole e se tornaram mais freqüentes com o tempo, eventualmente substituindo suas alternativas. O comportamento é parte essencial do design do animal e está sujeito à seleção natural, como qualquer aspecto da anatomia e fisiologia.

A psicologia evolucionista é o estudo da mente humana, informado pela moderna biologia evolutiva. A psicologia evolucionista não substitui a antropologia ou a sociologia, nem pode ser reduzida à própria biologia. A psicologia evolucionista é o estudo dos mecanismos psicológicos universais que guiam o comportamento, permitindo que os indivíduos entendam o ambiente particular em que vivem e superem as dificuldades inerentes à realização de metas adaptativas, como o que comer, com quem cooperar, como detectar aliados e adversários, encontrar parceiros confiáveis, quanto cuidado devotar aos filhos, entre outros. A psicologia evolucionista pressupõe uma natureza humana universal, mas essa universalidade existe principalmente no nível dos mecanismos psicológicos, e não de comportamentos culturalmente modelados.

A psicologia evolucionista focaliza seu interesse na mente, e menos no comportamento, utilizando a linguagem das ciências cognitivas para descrever os fenômenos do seu campo: mecanismos psicológicos são vistos como softwares específicos para resolver problemas específicos. Essa teoria permite equacionar problemas recorrentes no estudo da psicologia humana, como a relação entre cultura e comportamento, a evidente flexibilidade do comportamento humano, sua capacidade de ajuste às muitas condições ambientais diferentes; ao mesmo tempo, a psicologia evolucionista pode fornecer uma base adequada às teorias de aprendizagem existentes, bem como fornecer fundamentação às ciências humanas, como a antropologia e a sociologia.

Sugestões de leituras:

Dennett, D. C. (1995). A perigosa idéia de Darwin: a evolução e os significados da vida. Rio de Janeiro: Rocco.

Hardy, S. B. (2001). Mãe Natureza: uma visão feminina da evolução. Rio de Janeiro: Campus.
Miller, G. (2001). A mente seletiva. Rio de Janeiro: Campus.

Pinker, S. (1998). Como a mente funciona. São Paulo: Companhia das Letras.

Pinker, S. (2004). Tábula rasa. São Paulo: Companhia das Letras.

Ridley, M. (1996). As origens da virtude: um estudo biológico da solidariedade. Rio de Janeiro: Record.
Próximo evento 9 de março - 18:30

Explicações evolucionistas sobre a mente e o comportamento humanos

por Eulina da Rocha Lordelo (Depto. de Psicologia, UFBA)

O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.

O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição. O local é a LDM - Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade. O Café Científico ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras, às 18:30 horas. O telefone da livraria é (71)2101-8000. Informações podem ser conseguidas também no telefone (71) 3283-6568.

Saturday, February 07, 2009

Resumo da apresentação do dia 12/02/2009
Café Científico comemorativo do DIA DARWIN

Peixes, répteis e nossos outros eus: as origens evolutivas das características dos mamíferos

por Pedro Luís Bernardo da Rocha (Instituto de Biologia/UFBA)


Distintas estruturas de um organismo, como o nosso, tiveram origens em momentos muito distintos da história da vida na Terra. Em alguns momentos, o surgimento de novas estruturas permitiu o desenvolvimento de novas estratégias de vida. Em outros, a herança dessas estruturas restringiu tal desenvolvimento. Nessa palestra, a concepção de que os organismos representam mosaicos de estruturas com idades evolutivas muito distintas será apresentada através de exemplos com organismos bastante conhecidos: os vertebrados.


Sugestões para leitura.

Darwin, C. A origem das espécies (há várias edições em português disponíveis no mercado).
Pough, F. Harvey; Janis, Christine M.; Heiser, John B. 2008. A vida dos vertebrados (4a Edição).
Atheneu SPHildebrand, M. & Goslow, G. 2006. Análise da estrutura dos vertebrados. (2a. Edição).
Café Científico comemorativo do DIA DARWIN*
12 de fevereiro de 2009 (quinta-feira) – 18:30

Peixes, répteis e nossos outros eus: as origens evolutivas das características dos mamíferos

por Pedro Luís Bernardo da Rocha (Instituto de Biologia/UFBA)

*Excepcionalmente, o café não será no dia em que costuma ocorrer, mas sim numa quinta-feira, devido à comemoração do DIA DARWIN, iniciativa que ocorre em quase todos os países.

Monday, January 05, 2009

Resumo da apresentação do dia 12/01/2009

A crise mundial, seus efeitos sobre o Brasil e nossa capacidade de resposta

por Osmar Sepúlveda (Faculdade de Ciências Econômicas, UFBA)

A crise financeira mundial que eclodiu em 15 de setembro de 2008 teve origem nos Estados Unidos da América, com a insolvência de várias instituições financeiras em Wall Street: Lehman Brothers; Merril Lynch e a Seguradora AIG foram as primeiras a pedir ajuda a quem pudesse ajudar. O Estado Norte-Americano se recusou a ajudar. O FED – Federal Reserve System, que exerce nos EEUU o papel de Banco Central, já havia, em julho de 2007, gasto bilhões de dólares para resgatar a carteira Bear Stearns comprada pelo JP Morgan Chase (com recursos do FED) a na estatização das Agências Fannie Mae e Freddie Mac, duas das maiores agências norte-americanas de crédito hipotecário (segundo dizem, carregadas de títulos da China), retardando a crise para 2008.

Na verdade, a gênese da crise está ligada à desregulamentação dos mercados, permitindo ao mercado financeiro auto-gerenciar seus negócios, sem as peias impostas pelos estados nacionais, que foram criadas após a crise de 1929. Sem fiscalização e monitoramento dos Bancos Centrais, os agentes econômicos ficaram livres para criar ativos financeiros muitas vezes maiores do que os ativos reais que lhes davam sustentação, através da emissão de títulos “derivativos”. Basta ver que os referidos ativos financeiros (equivalentes a 167 trilhões de dólares) representavam aproximadamente 3,5 vezes o PIB mundial de 48,3 trilhões de dólares em janeiro de 2008 (conforme Mckinsey Global Institute).

A crise poderia se limitar aos países centrais do capitalismo (EEUU, Inglaterra, Europa do Euro, Japão), não fosse o processo de globalização dos mercados de bens e serviços. É a globalização que provoca uma comunicação entre a economia real e o seu financiamento através da globalização do mercado financeiro. Todos os países, capitalistas ou não, que tiverem suas economias financiadas pela poupança mundial, terão que ser afetados direta ou indiretamente pelos efeitos da crise.

Um dos países menos afetados diretamente pela crise é o Brasil. Além disso, por características políticas próprias, nosso país é um dos mais preparados para suportar os efeitos da crise. Essas características podem ser resumidas da seguinte forma: 1) a economia brasileira não está totalmente desestatizada (afortunadamente); 2) nosso sistema bancário privado não arrisca, especula com títulos públicos (nós pagamos impostos e eles recebem extraordinárias transferências do estado por meio da política de taxas de juros elevada); 3) o Brasil tem um comércio internacional multilateral, não dependendo de qualquer país isoladamente (principalmente dos EEUU) e sua pauta de exportação é baseada em commodities tanto agrícolas como industriais; 4) sua dívida externa é de pequena monta (comparada com seu PIB), está internalizada, e suas reservas cambiais são elevadas quando comparadas com seu comércio internacional; 5) os instrumentos de política fiscal e monetária oferecem folgas: receita pública elevada, gastos correntes concentrados no custo financeiro da dívida – basta reduzir a elevadíssima taxa de juros para recuperar a capacidade de investimento do estado –, inflação controlada pelas importações e taxa de câmbio próximo do equilíbrio macroeconômico; 6) por fim, e não menos importante, um grande mercado interno, abandonado pela política neoliberal, que pode ser dinamizado com política fiscal e monetária independente.

Sugestão de leituras:

Pinheiro, Márcia. O novo socialismo: finanças, o Tesouro Americano entra em cena para salvar Wall Street. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 514, p. 26-30, setembro 2008.

Belluzzo, Luiz Gonzaga. O problema está aqui. A sucessão de bancarrotas demoliu a presunção do mundo ocidental. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 514, p. 32-40, setembro 2008.

________. O incansável Molock. Ideologia. Os detentores da riqueza não escapam da euforia que culmina em crise. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 518, p. 36-38, outubro 2008.

Netto, Delfim. Repetição do Mesmo. Carta Capital. São Paulo. Ano XV. Nº. 518, p. 39, outubro 2008.

Klein, Naomi. Mercado livre. Folha de São Paulo, São Paulo, 28 de setembro de 2008. Suplemento Mais; p.4.

Folha de São Paulo. De que são feitas as crises. Folha de São Paulo, 28 de setembro de 2008. Suplemento Mais; p.5.

Gresh, Alain. A marcha para a multipolaridade. Le Monde diplomatic Brasil. São Paulo. Ano 2 – Nº. 16, p. 12-13, novembro de 2008.

Bulard, Martine. Uma nova geopolítica dos capitais. Le Monde diplomatic Brasil. São Paulo. Ano 2 – Nº. 16, p. 10-11, novembro de 2008.

Hobsbawm, Eric. El declive del imperio norteamericano. Le Monde diplomatic en español. Valencia. Ano XIII, nº. 157, p. 10, novembro de 2008.

Galbraith, John. Kenneth. 1929 o colapso da Bolsa. São Paulo: Pioneira, 1988.
12 de janeiro de 2009 – 18:30

A crise mundial, seus efeitos sobre o Brasil e nossa capacidade de resposta

por Osmar Sepúlveda (Faculdade de Ciências Econômicas, UFBA)

Monday, December 01, 2008

Resumo da apresentação do dia 01/12/2008

Arqueologia subaquática na Baía de Todos os Santos

por Gilson Rambelli (Depto. de Antropologia e Etnologia da UFBa)

A Arqueologia Subaquática é Arqueologia! Esse é o ponto de partida de nossa reflexão.

Durante muito tempo o ambiente aquático, sobretudo o marinho, foi considerado um ambiente intransponível. Essa concepção, carregada de simbolismos, foi construída ao longo de milênios, em diferentes sociedades, e irá influenciar na maneira como as pessoas, hoje, pensam o mar, e, em particular, o fundo do mar.

Os testemunhos da aventura humana sobre o planeta que se encontram submersos, por diferentes motivos, foram considerados como coisas perdidas, até bem pouco tempo. Assim, a possibilidade de se fazer estudos arqueológicos desses vestígios foi substituída pela fantasia de se recuperar tesouros perdidos.

O problema dessa visão romântica sobre os sítios arqueológicos subaquáticos é que ela tem contribuído para a destruição desse patrimônio cultural, principalmente aqui, em Salvador, e na Baía de Todos os Santos.

Todo sítio arqueológico é patrimônio público! Pertence a todos nós! E com uma característica que deve ser ressaltada: eles são únicos e não renováveis. Ou seja, uma vez destruídos, é para sempre. Não podemos mais conceber, em pleno século XXI, que o fundo do mar e os testemunhos de atividades humanas pretéritas, como os restos de naufrágios, por exemplo, sejam considerados terra de ninguém.

Ora, o ambiente aquático não é mais tão intransponível assim. Ele está cada vez mais acessível. O mergulho recreativo comprova bem isso. Cada vez mais pessoas aprendem a mergulhar, de forma que, hoje, ninguém mais pode, e nem tem esse direito, explorar esses bens submersos em benefício próprio, como se fazia no século XIX e no começo do século XX.

Quem deve estar atento a esse tipo de problema é a sociedade, merecedora de todos os esforços da Arqueologia, da Arqueologia Subaquática, para a produção do conhecimento sobre esse patrimônio cultural, e não somente os especialistas.

Urge uma mudança de mentalidade e de atitude em prol do patrimônio cultural subaquático, se não ele desaparecerá, literalmente, debaixo de nossos olhos.


Leituras Adicionais:

Bass, George F.. Arqueologia subaquática. Lisboa: Verbo, 1966.

Rambelli, Gilson. Arqueologia até debaixo d’água. São Paulo: Maranta, 2002.

Mais textos e informações sobre esse assunto em:
Próximo Evento 1 de dezembro de 2008 – 18h30min

Arqueologia subaquática na Baía de Todos os Santos

por Gilson Rambelli (Depto. de Antropologia e Etnologia da UFBa)

Tuesday, October 28, 2008

Resumo da apresentação do dia 10/11/2008

Como os insetos escolhem suas plantas hospedeiras?

Por Iara Bravo, professora do Instituto de Biologia da UFBa.

Os insetos compreendem 75% das espécies de animais descritas e apresentam uma incrível diversidade de estilos de vida. Dentre os insetos, 45% das espécies se alimentam de plantas (fitófagos), o que os torna, atualmente, nossos maiores competidores por alimento. Dessa forma, as suas escolhas nos afetam diretamente; daí a importância de conhecê-las.

Insetos e plantas compartilham associações antigas que datam do Carbonífero (cerca de 300 milhões de anos atrás). Para os insetos fitófagos, além de fonte de alimento, uma planta hospedeira pode servir também como sítio para acasalamentos e abrigo. Para as plantas, a ação dos fitófagos, geralmente, tem efeitos negativos, prejudicando seu desenvolvimento. Mas, pode também ter efeitos positivos, como a dispersão de sementes quando os frutos caem, pela alimentação de insetos frugívoros, ou o estímulo de brotamento em algumas plantas, produzido pelo consumo de folhas. Para os insetos, a fitofagia representa um desafio, porque eles devem localizar as plantas que lhes servirão em meio a uma variedade de outras, devem enfrentar suas limitações nutricionais (plantas são mais pobres em proteínas que alimentos de origem animal), suas defesas físicas (espinhos e pêlos) e químicas (substâncias que podem envenená-los) e ainda arriscarem-se à predação enquanto se alimentam. 

O encontro e a seleção da planta hospedeira pelos insetos fitófagos, tanto para a alimentação como para a oviposição, envolvem geralmente comportamentos estereotipados. O desencadeamento desses comportamentos acontece mediante um amplo conjunto de sinais físicos e químicos relacionados com as plantas hospedeiras potenciais. Além disso, a presença de competidores e/ou predadores pode alterar a escolha do inseto.

Neste encontro, vou tratar de algumas questões sobre como diferentes tipos de insetos escolhem suas plantas hospedeiras. Por exemplo, insetos especialistas (alimentam-se de uma ou poucas espécies de plantas) usam os mesmos mecanismos que os generalistas (alimentam-se de várias espécies) para o encontro e escolha de suas plantas hospedeiras? Que fatores determinam a amplitude do “cardápio” de um inseto?  Como fêmeas adultas de insetos com metamorfose completa (ovo® larva® pupa® adulto) que se alimentam de recursos diferentes dos das larvas e só têm contato com a planta hospedeira no momento da oviposição, escolhem a planta hospedeira adequada para a prole? Os insetos são capazes de aprender a reconhecer determinadas características das plantas e modificar seu comportamento de escolha em função disso? 

Esses aspectos, além de outros, têm grande importância para a compreensão das relações ecológicas e evolutivas entre insetos e plantas. Do ponto de vista prático, tais estudos são especialmente importantes em insetos considerados pragas agrícolas, sendo úteis para o conhecimento de como pode ocorrer a distribuição dos insetos nas plantas hospedeiras, bem como de como pode se dar a escolha ou mudança de hospedeiros, auxiliando no controle e manejo de tais populações.


Leitura recomendada

 EDWARDS, P. J. & WRATTEN, S. D. 1981. Ecologia das interações entre insetos e plantas. Coleção Temas de Biologia. Editora Pedagógica Universitária, São Paulo.  71 pp. 

Gullan, P. J. & cranston, P. S. 2007. Os Insetos: um resumo de entomologia. Editora Roca LTDA, São Paulo. 440pp. 

Panizzi A.R. & Parra R. P. 1991. Ecologia nutricional de insetos e suas implicações no manejo de pragas. Editora Manole LTDA, São Paulo 359 pp.

Próximo Evento 10 de novembro de 2008 – 18h30min

Como os insetos escolhem suas plantas hospedeiras?

por Iara Bravo (IB-UFBA)


Café Científico na Mídia 8 - Clipping A TARDE




Friday, October 03, 2008

Resumo Evento - 13 de outubro de 2008 - 18h:30min

O que (não) é a matemática?

por Thierry Petit Lobão (Instituto de Matemática da UFBa)

Há aqueles que gostam de Matemática, outros... nem tanto; há os que a conhecem mais, e há também os que se restringem ao que aprenderam nos anos de escola... Todavia creio que todos concordam se afirmarmos que a Matemática, independentemente de tempo e lugar, perpassa tudo o que fazemos ou pensamos. E creio também que muitos já se perguntaram: mas afinal, que é Matemática?

Evidentemente esta questão envolve várias outras! Pois ela abarca interrogações do tipo: Quando surgiu a Matemática? Onde? Ela é realmente necessária para entendermos o mundo? Esta última relaciona-se certamente a outras como: Ela está correta? Já sabemos tudo sobre Matemática ou ainda há algo por aprendermos? O que nos leva à dúvida de muitos alunos: Temos mesmo que estudar Matemática, para que? Há questões profundas como: A Matemática é uma ciência? Ela é inventada ou descoberta? E outras que são apenas curiosidades, mas interessantes como: Por que não há um prêmio Nobel para a Matemática? Para fazer-se Matemática é necessário ser jovem? Ou um gênio? Um matemático tem que ser criativo ou basta fazer raciocínios rápidos? Ganha-se dinheiro fazendo Matemática?

Neste nosso encontro, discutiremos a Matemática, mas não daremos uma resposta definitiva a qualquer destas questões (exceto talvez aquela sobre se devemos estudar Matemática!); pois acreditem: muitos tentaram (bem mais capazes que eu!) e obtiveram respostas que se revelaram incompletas ou totalmente equivocadas! Mas certamente suas propostas podem nos ajudar a revelar algo do fascinante mundo da Matemática! Recordando algumas destas, tentarei mostrar-lhes que a Matemática surgiu muito, muito tempo atrás, e em todos os cantos do mundo! E que este, o mundo, parece que se revela pela Matemática. Que a Matemática é sim uma ciência e que, em certo sentido, está correta; sendo talvez a única ciência que pode gabar-se disto! Mas que também tem algo de arte; pois, diferentemente do que muitos pensam, nela há de fato uma imensa liberdade para a criação, sem a qual ela absolutamente não evolui. Realiza-se assim um raro e surpreendente casamento entre a verdade e a beleza, tão caras à ciência e à arte. Ademais que todo o conhecimento que temos da Matemática, embora em constante e acelerado desenvolvimento, é infinitamente menor do que aquilo que ainda podemos saber. Que a Matemática não é misteriosa nem impenetrável, e que um matemático não tem idade apropriada nem necessita de dons especiais; tem apenas que gostar de saber sempre mais, e entender que, de alguma forma que ainda não compreendemos, a Matemática está presente em todos os aspectos mundo; que basta aventurar-se neste caminho, e ele é realmente fascinante!


Algumas sugestões para leitura:

O que é Matemática? Richard Courant e Herbert Robbins – Ed. Ciência Moderna.
Introdução à História da Matemática. Howard Eves – Ed. Unicamp.
Uma História da Matemática. Florian Cajori – Ed. Ciência Moderna.
A Rainha das Ciências. Gilberto G. Garbi – Ed. Livraria da Física.
Filosofia da Matemática. Stephen F. Barker – Ed Zahar.
Uma Introdução à Filosofia da Matemática. Stephan Körner – Ed. Zahar.
A Matemática para todos. Carloman Carlos Borges – Ed. UEFS.
Próximo Evento - 13 de outubro de 2008 - 18h:30min

O que (não) é a matemática?

por Thierry Petit Lobão (Instituto de Matemática da UFBa)

Tuesday, August 19, 2008

Resumo Evento - 1 de setembro de 2008 - 18h:30min

Modelando a Natureza: A não-linearidade à luz da Matemática e da Computação

por Suani Tavares Rubim de Pinho (Instituto de Física da UFBa)

A partir da segunda metade do século XX, assistimos ao surgimento de uma “nova ciência” denominada Dinâmica Não-Linear; que atingiu as Ciências Naturais - Física, Química e Biologia – com repercussões nas Ciências da Saúde e Sociais. Tal caráter multidisciplinar requer uma abordagem sistêmica, na qual se descreve o comportamento de sistemas, físicos, químicos ou biológicos, que evoluem no tempo e no espaço, identificando interessantes padrões espaciais em diferentes instantes. Esta descrição se dá por modelos matemáticos, implementados em rotinas computacionais, e validados quando confrontados com dados reais. Modelando aspectos essenciais dos fenômenos, pretende-se descrever o comportamento global que emerge destes sistemas, muitas vezes, de caráter complexo.

Apresentaremos, por meio de exemplos, a evolução das idéias desenvolvidas nesta área que começam com a Teoria do Caos e a Geometria Fractal nas décadas de 60 e 70, culminando com o estudo dos Sistemas Complexos a partir da década de 90. E ressaltaremos a relevância do uso dos computadores para o desenvolvimento da Dinâmica Não-Linear.

Através da modelagem matemática, espera-se expressar mais formalmente as não-linearidades dos fenômenos naturais. Este é o terreno da Matemática Aplicada! A descrição dos sistemas sociais também segue o caminho da formalização, a exemplo do uso das chamadas redes complexas. No entanto, neste debate, restringiremos nossa análise predominantemente aos sistemas naturais.

Embora as ciências físicas atualmente estejam mais formalizadas que as biológicas, amplia-se a importância de formalização destas últimas, Neste cenário a necessidade de equipes multidisciplinares oriundas das áreas de ciências exatas, biológicas e sociais torna-se premente, tanto em nível do desenvolvimento da ciência quanto no da formação dos estudantes.


Sugestões para leitura:

Ian Stewart, Os Números da Natureza – a realidade irreal da imaginação matemática. Ed. Rooco, Rio de Janeiro, 1996.

Edward N. Lorenz, A Essência do Caos. Ed. Universidade de Brasília (UnB), Brasília, 1996.

Benoît Mandelbrot, Objetos Fractais. Ed. Gradiva, Lisboa, 1991.

H. Moysés Nussenzveig (org.), Complexidade & Caos. Ed. UFRJ / COPEA, Rio de Janeiro, 1999.

Eduardo Massad, Renée X. de Menezes, Paulo S. P. Silveira, Neli Regina S. Ortega, Métodos Quantitativos em Medicina, Ed. Manole, São Paulo, 2004.
Próximo Evento - 1 de setembro de 2008 - 18h:30min

Modelando a Natureza: A não-linearidade à luz da Matemática e da Computação

por Suani Tavares Rubim de Pinho (Instituto de Física da UFBa)


* Excepcionalmente, apenas este mês, o café científico será na primeira, em vez de na segunda semana.

O Café Científico é um local em que qualquer pessoa pode discutir desenvolvimentos recentes das várias ciências e seus impactos sociais. Ele oferece uma oportunidade para que cientistas e o público em geral se encontrem face a face para discutir questões científicas, numa atmosfera agradável.

Estamos procurando implantar uma conduta ambientalmente responsável no café. Assim, pedimos à nossa audiência que leve suas canequinhas, copos etc. para beber o café e a água oferecidas durante o evento. Assim, poderemos não usar tantos copinhos de plástico, que têm custo ambiental considerável, visto que não podem ser devidamente reciclados.

Monday, July 28, 2008

Resumo da apresentação do dia 11/08/2008

Permanência e Transformação: Como a Termodinâmica vê os processos físicos

por Ernesto Borges (Escola Politécnica - UFBa)


Energia é um conceito fundamental em ciência. Ela se apresenta sob várias formas: energia mecânica, elétrica, gravitacional, química etc. Quando um sistema sofre transformações, sua energia pode mudar de uma forma para outra, mas a energia total se mantém constante.

Do ponto de vista da energia, em princípio, qualquer transformação que mantenha a energia total constante é possível. Entretanto, não é isso que observamos: algumas transformações sempre ocorrem, enquanto outras nunca acontecem. Por exemplo: se colocarmos uma gota de adoçante no café, mesmo que não o mexamos com uma colher, após algum tempo todo o café estará adocicado. Entretanto, após a mistura ter sido feita, nunca observamos o adoçante voltar a se concentrar em uma única gota de modo espontâneo, e o restante da xícara ficar como antes, sem o menor vestígio do sabor doce. Para explicar a predileção da natureza por algumas transformações em relação a outras é necessário utilizar um conceito adicional: a entropia.

Assim como a energia, a entropia é uma propriedade característica de todos os sistemas. Entretanto, seu comportamento é diverso: enquanto a energia se mantém constante (Primeira Lei da Termodinâmica), a entropia sempre aumenta ao longo de uma transformação (Segunda Lei da Termodinâmica). Desse jogo entre o que permanece constante e do que se transforma, resulta o modo como a Termodinâmica explica os processos físicos.


Leituras adicionais:

Gino Segrè, Uma questão de graus, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 2005.

Suani T. R. Pinho e Roberto R. S. Andrade, "Evolução das idéias daTermodinâmica e da Mecânica Estatística", em José Fernando Rocha (org.), "Origens e evolução das idéias da Física", Edufba, Salvador, 2002.

Octave Levenspiel, Termodinâmica amistosa para engenheiros, Editora Edgard Blucher Ltda.
Próximo Evento -11 de agosto 18h30min

Permanência e transformação: Como a termodinâmica vê os processos físicos

por Ernesto Borges (Escola Politécnica - UFBa)

Tuesday, July 22, 2008

Café Científico na Mídia 7 - Clipping A TARDE


Monday, July 07, 2008

Resumo da apresentação do dia 14/07/2008

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Glória Teixeira (ISC-UFBA)

A dengue, nos dias atuais, é uma das doenças transmitida por mosquito de maior importância para a Saúde Pública mundial. O seu vírus causador circula em quatro continentes e já atingiu mais de 100 países. Estimativas da OMS indicam que, anualmente, 50 milhões de pessoas são infectadas e cerca de 500.000 casos da Febre Hemorrágica do Dengue (FHD) ocorrem com pelo menos 12.000 óbitos por esta causa.

No Brasil, desde 2006 que epidemias sucessivas de febre do dengue vêm sendo registradas e, a partir de 1990, dois sorotipos (DENV1 e DENV2) do vírus passaram a circular simultaneamente e casos de FHD foram diagnosticados. Em 2001, com a introdução do DENV3 no país, houve agravamento da situação. Entre janeiro daquele ano e dezembro de 2002 mais de 2700 casos de FHD foram notificados. A epidemia que eclodiu em 2008 no Rio de Janeiro, com milhares de casos hemorrágicos atingindo crianças e adultos, colocou em colapso a rede de atenção à saúde daquela cidade, com grande repercussão nacional e internacional.

O estado da Bahia vem sendo acometido por dengue desde 1994 e, sua capital, Salvador, registrou a primeira epidemia logo no ano seguinte. Neste estado também circulam três sorotipos (DENV1,DENV2 e DENV3) e, a partir de 2002, principalmente, indivíduos também foram acometidos com FHD. Em 2008, houve um significativo aumento no número de casos no interior do estado, atingindo mais fortemente a região de Irecê, contudo, incremento no número de casos foi registrado em Salvador.

No que pese o avanço do conhecimento científico na área biomédica, tem-se constatado dificuldades no controle desta doença em todo o mundo, em função da inexistência de vacinas para uso em populações humanas e do controle estar centrado no combate ao seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, único elo vulnerável da cadeia de transmissão do dengue. Apesar do dispêndio de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) em ações de combate a este mosquito a situação epidemiológica do Brasil e da Bahia evidencia, claramente, que não vem se obtendo progressos na prevenção desta virose.

Diante destes fatos, cumprimento os organizadores do Café Científico pela iniciativa de trazer este tema para debate, por considerar da maior importância desvendar as razões das dificuldades institucionais, administrativas, políticas e científicas, para alcance de maior efetividade no combate ao dengue. Particularmente, pela necessidade de se implementar o componente de educação e mobilização social dos programas de controle da dengue, propósito que só será obtido com amplo debate e participação. Consideramos este componente peça chave da sustentabilidade e manutenção das ações de combate vetorial, que só são efetivas se forem contínuas, permanentes e capazes de promover modificações ambientais que tornem desfavoráveis a proliferação de um mosquito-vetor de hábitos antropofílicos, totalmente adaptado ao ambiente habitado pelo homem.

Os resultados de algumas avaliações concernentes às atividades e ações que vêm sendo desenvolvidas neste campo, no Brasil e em outros países, evidenciam claramente as dificuldades e limites das estratégias de educação, comunicação e mobilização que vêm sendo utilizadas. Entende-se que se faz necessário profundas mudanças nas abordagens que têm sido aplicadas, com vistas a superação das táticas campanhistas da antiga ‘polícia sanitária”. De acordo com as avaliações que vêm sendo conduzidas estas estratégias não têm obtido o efeito desejado, pois a maioria da população absorve os conhecimentos, ou seja, sabe onde o vetor coloca os ovos, que recipientes contendo água devem ser eliminados, da necessidade de colocar tampa nos depósitos que não podem ser eliminados, dentre outras informações. Contudo, estes conhecimentos não têm sido eficazes no sentido da indução de mudanças de práticas e comportamentos. Assim, os ambientes domésticos se mantêm receptivos à manutenção e proliferação do Aedes aegypti.

Deste modo, ao lado de pesquisas voltadas para o desenvolvimento de produtos, inovações e invenções que venham a aprimorar as técnicas de controle desta doença pelos serviços de saúde, faz-se necessário a abertura de espaços de diálogo e conversação entre profissionais, agentes de saúde e população. Este diálogo deve ser direcionado para a busca de soluções para os problemas que impedem a redução da população de mosquitos, sendo fundamental para aportar novos enfoque e subsídios para o delineamento de novas estratégias de atuação capazes de modificar comportamentos e atitudes, individuais e coletivas, frente a este risco sobre a saúde humana.
Próximo Evento 14 de julho de 2008 – 18h30min

Dengue: como avançar no controle desta doença?

por Glória Teixeira (ISC-UFBA)

Sunday, June 15, 2008

CANCELADO - Café Científico Especial – Ano Darwin

Não será realizado o café especial dos anos Darwin previsto para o dia 07/06. O café científico continuará com sua programação normal na segunda segunda-feira de julho (14).

Thursday, May 29, 2008

PDDU de Salvador é pauta de Café Científico

Espaço público, participação popular e o processo de elaboração e revisão do Plano

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador, sancionado neste ano pelo prefeito João Henrique, estará na pauta do Café Científico Salvador, que acontece na próxima segunda-feira (02), a partir das 18h30, na Livraria Multicampi LDM, Piedade. O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Angelo Serpa*, será o responsável por esta edição. Teorias e conceitos sobre o assunto serão tratados pelo palestrante, que retoma o mote do livro "O espaço público na cidade contemporânea", de sua autoria, lançado pela Editora Contexto, em 2007.

De acordo com Serpa, Salvador, como outras metrópoles do Brasil e do mundo, "vem conduzindo políticas de requalificação urbana seletivas e segregacionistas, que reforçam e tornam visíveis as desigualdades sócio-espaciais no tecido urbano-metropolitano". Nesse processo, em que as áreas periféricas e de urbanização popular da cidade ficam à revelia do "desenvolvimento urbano" vigente, como falar de participação popular na formulação de políticas públicas num contexto tão adverso? Sendo este um ponto de partida de Serpa para a discussão do PDDU no Café Científico, ele adianta que ainda está longe de acontecer a construção de um planejamento verdadeiramente participativo e contínuo na capital.

Com a eleição de João Henrique, a prefeitura de Salvador assumiu, em 2005, o compromisso de revisar, democraticamente, o recém aprovado PDDU (2004). O texto do Plano foi discutido a partir da mobilização de alguns setores da sociedade. No início, as audiências públicas eram vestidas da idéia de democratização da gestão urbana e da função social da propriedade. Apesar disso, ao longo do processo, a conjuntura muda. Em 2008, o Plano é sancionado pelo prefeito sob protestos e oposição de determinados segmentos da sociedade soteropolitana.

***

O Café Científico é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) e pela LDM – Livraria Multicampi. O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição.

*Angelo Serpa é doutor em Planejamento Paisagístico e Ambiental pela Universitaet Für Bodenkultur Wien (1994), com pós doutorado em Estudos de Organização do Espaço Exterior e Planejamento Urbano-Regional e Paisagístico realizado na Universidade de São Paulo (1995-1996) e em Geografia Cultural realizado na Université Paris IV (Sorbonne/2002-2003). Atualmente é professor associado da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência nas áreas de Geografia e de Planejamento, com ênfase em Geografia Urbana, Geografia Regional e Geografia Cultural, Planejamento Urbano, Planejamento Regional e Planejamento Paisagístico, trabalhando principalmente os seguintes temas de pesquisa: espaço público, periferias urbanas e metropolitanas, manifestações da cultura popular, identidade de bairro, cognição e percepção ambiental. É docente permanente na Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e no Mestrado em Geografia da Universidade Federal da Bahia, onde também coordena o Laboratório de Análise Urbano-Regional (NUAGEO) e é editor responsável pela Revista GeoTextos. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPQ.

Serviço


O quê: Café Científico Salvador com o tema "Espaço público, participação popular e o processo de elaboração e revisão do Plano Diretor de Salvador".

Quando: 02 de junho, a partir das 18h30.

Onde: Livraria Multicampi LDM, Rua Direita da Piedade, nº 20.

Contato

Imprensa – Débora Alcântara (**71 8805-6292);

Produção – Vagner Rocha (**71 8815-5004).

Outros contatos:

LDM: **71 2101-8000. Ufba **71 3283-6568.

Próximo Evento 2 de junho de 2008 – 18h30min

Espaço público, participação popular e o processo de elaboração / revisão do Plano Diretor de Salvador: bases para um debate

por Ângelo Serpa (IG-UFBa)

As questões norteadoras do livro "O espaço público na cidade contemporânea", lançado pela Editora Contexto, em 2007, podem também servir de mote inicial para este café científico: Qual é o papel desempenhado pelo espaço público na cidade contemporânea? Que variáveis analisar? E a partir de que teorias e conceitos? No livro, tal discussão foi encarada como um desafio para a Geografia e para todas as ciências que se pretendam políticas e ativas, já que o espaço público é considerado como o espaço da ação política ou da possibilidade da ação política na contemporaneidade. Esta característica fundamental contrasta, nas cidades contemporâneas, com o processo de incorporação dos espaços públicos urbanos como mercadorias para o consumo de poucos, dentro da lógica de produção e reprodução do sistema capitalista na escala mundial. Ou seja, ainda que sejam adjetivados como públicos, poucos se beneficiam desses espaços teoricamente comuns a todos. Antes de tudo, é necessário discutir o sentido da ação, da ação política, que consideramos pertinente para a análise do espaço público no período contemporâneo.

Salvador, como outras metrópoles do Brasil e do mundo, vem conduzindo políticas de requalificação urbana seletivas e segregacionistas, que reforçam e tornam visíveis as desigualdades sócio-espaciais no tecido urbano-metropolitano. Depois da segunda metade dos anos 1990, a cidade empreendeu uma política sistemática de criação e reabilitação de parques e jardins públicos. A estratégia de promoção de uma imagem positiva de Salvador através da revalorização de seus espaços públicos faz parte do receituário do planejamento estratégico. Este modelo aposta na criação de holdings, consórcios ou empresas mistas para executar ações de desenvolvimento urbano. Tanto a requalificação como a adoção de espaços públicos por empresas privadas segue a lógica da visibilidade e da expectativa de retorno através da propaganda e do marketing. O problema é que esses programas não atendem, via de regra, as áreas periféricas e de urbanização popular da cidade, onde o abandono de parques e praças é notório.

Como falar de participação popular na formulação de políticas públicas num contexto tão adverso? Esta questão norteia a segunda parte da reflexão sobre os processos de elaboração e revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que demonstram que ainda estamos longe da construção de um planejamento verdadeiramente participativo e contínuo no tempo em Salvador. O PDDU foi revisado a partir da mobilização de alguns setores da sociedade, que resultou numa ação visando à garantia de participação. A posse de um novo prefeito em 2005 favoreceu o processo capitaneado pela Prefeitura e pelas Administrações Regionais, sendo frágil a representatividade dos presentes nas discussões, embora isso não tenha se constituído em impedimento para aprovação deste importante instrumento de planejamento e formulação de políticas públicas pela Câmara Municipal de Salvador em 2007. Em 2008, o Plano entrou em vigor com a sanção do Prefeito, sob protestos e oposição de determinados segmentos da sociedade soteropolitana.

Leitura Recomendada:

ARENDT, H. A Condição Humana, 10. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.
HABERMAS, J. Mudança estrutural da esfera pública. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.
LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Editora Moraes, 1991.
SENNET, R. O declínio do homem público. 6. reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
SERPA, A. O Espaço Público na Cidade Contemporânea. 1. ed. São Paulo: Editora Contexto, 2007a. 208 p.
SERPA, A. (Org.). Cidade Popular - Trama de Relações Sócio-Espaciais. 1. ed. Salvador: Editora da Universidade Federal da Bahia - EDUFBA, 2007d.
YÁZIGI, E. O mundo das calçadas. São Paulo: Humanitas/FFLCH-USP; Imprensa Oficial do Estado, 2000.

Wednesday, May 07, 2008

Próximo Evento 12 de maio de 2008 – 18 horas

Por que classificar os seres vivos é importante para compreender a biodiversidade?

por Freddy Bravo (Depto. de Ciências Biológicas, UEFS)

Nós, humanos, temos uma tendência a classificar tudo ao nosso redor para entender mais facilmente o mundo que nos rodeia. Esta atividade, provavelmente, é tão antiga quanto a própria história da humanidade. Podemos observar classificações em livrarias –livros por assunto, em supermercados –produtos da mesma origem e/ou função, lojas de roupas –por faixa etária e sexo, etc. Ao classificar os seres vivos o fazemos, principalmente, pelo impacto que eles têm sobre nós, como por exemplo na saúde, alimentação, vestuário, etc.
A primeira tentativa de formalizar uma classificação para os seres vivos, especificamente para os animais, foi realizada por Aristóteles, filósofo grego do século IV a.C., e viria influenciar por muitos séculos os trabalhos em história natural. Mais de 2000 anos depois, Linneo, naturalista sueco do século XVIII, propôs um sistema de classificação hierárquico-binomial, com o qual pretendia classificar todas as criaturas criadas por Deus. Este sistema ainda é usado em Taxonomia biológica, a ciência da classificação, no qual cada espécie tem dois nomes (binomial), e é classificada em um sistema hierárquico de categorias (como por exemplo Reino, Filo, Classe, ordem, família, gênero,espécie) e está de acordo com as regras e princípios de códigos de nomenclatura, o que garante a cada espécie um nome único, universal e estável.
A Biodiversidade (diversidade da vida) é uma das propriedades fundamentais da natureza na qual são reconhecidos três níveis: diversidade genética, diversidade de espécies e diversidade de ecossistemas. A taxonomia se ocupa da diversidade de espécies e esta atividade, segundo alguns pesquisadores, é a atividade básica que fornece a informação primária para que outras disciplinas das Ciências Biológicas ou das Ciências da Vida (como por exemplo ecologia, fisiologia, medicina e agronomia) possam efetuar seus estudos.
Pouco mais de duzentos e setenta anos depois da publicação do Systema Naturae de Linneo (1735), marco inicial do sistema classificatório moderno, são conhecidas, aproximadamente 1,5 – 1,8 milhões de espécies. Por outro lado, estimativas de alguns pesquisadores sugerem que o número de espécies pode variar entre 5 e 80 milhões. A expansão humana no planeta e os recursos necessários para manter a vida humana têm se tornado fatores de risco para a manutenção da biodiversidade do planeta.
A taxonomia, que nomeia e classifica a biodiversidade, tem um papel fundamental no conhecimento desta, no entanto, esta recuperação sobre a informação da diversidade de espécies pode estar comprometida com a falta de taxonomistas no mundo, problema conhecido como “impedimento taxonômico”.
Neste resumo foi apresentada rapidamente a importância da taxonomia (nomeação e classificação de espécies) para o conhecimento da biodiversidade. O Brasil, um país megadiverso, necessita de taxonomistas e Governo Federal está ciente e apóia uma iniciativa para a formação deste tipo de profissionais. Cabe aos pesquisadores incentivarem e formarem novos taxonomistas.


Bibliografia Sugerida:

Borges, JC. 2006. Baú do tesouro. http://cienciahoje.uol.com.br/58888.
Mayr, E. 1998. O desenvolvimento do pensamento biológico: diversidade, evolução e herança. Editora Universidade de Brasilia. 1107p. (Capítulos 4, 5 e 6)

Pinna, M. de. 2001. Conrad Gesner e a sistemática biológica. Há 450 anos era publicado o primeiro volume da Historia animalium.

Rapini, A. 2004. Modernizando a Taxonomia. Biota Neotropica v4 (n1) –

Raw, A. 2003. Sistemática no currículo universitário.
cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/resource/download/41576.

Sunday, April 27, 2008

Resumo apresentação Café Científico Especial – Ano Darwin
05 de maio de 2008 (segunda-feira) – 18:00

Evolução aplicada ao cotidiano

por Claudia Sepúlveda (Depto. de Educação, UEFS)

A teoria evolutiva de Darwin tem sido aclamada pela sua importância acadêmica ao estabelecer as bases da Biologia, e pelo impacto abrangente e desafiador que apresentou ao pensamento humano. Neste Café Científico abordaremos outro aspecto do pensamento evolutivo darwinista: sua relevância para lidarmos com problemas práticos que nos afligem, dizem respeito à nossa qualidade de vida e emergem da relação entre ciência, tecnologia e sociedade.
A biologia evolutiva tem passado por aperfeiçoamentos conceituais e metodológicas, todos eles compatíveis com duas teorias propostas por Darwin: (1) a de que diferentes tipos de organismos descendem de um ancestral comum, teoria da descendência comum, e (2) a de que o principal (mas não único) mecanismo de evolução é a sobrevivência e reprodução diferencial de indivíduos com características que aumentam sua capacidade de explorar recursos limitados no ambiente em que vivem, teoria da seleção natural. Estes dois princípios têm sido aplicados à resolução de questões tão diversas acerca de nossa existência cotidiana como: Por que nós somos susceptíveis a tantas doenças? Por que cada vez mais pessoas morrem de infecções hospitalares? Como surgiu o vírus HIV e porque é tão difícil controlar e tratar a AIDS? De onde surgem e como podemos controlar pragas agrícolas? Quais são os riscos da liberação no meio ambiente de organismos geneticamente modificados? Para quais espécies, comunidades ecológicas ou regiões geográficas devemos destinar nossos esforços de conservação mais urgentes?
Uma compreensão adequada da evolução por seleção natural mostra que nós, seres humanos, somos não apenas alvo deste processo, como também temos um papel como agentes, ao modificamos o ambiente em que vivemos. O uso indiscriminado de antibióticos tem levado ao surgimento de bactérias resistentes a estas drogas de modo tão rápido e abrangente que o fenômeno tem sido considerado uma calamidade de escala mundial. Este é um dentre outros exemplos em que a seleção natural nos ajuda a compreender como mudanças ambientais geradas pela atividade humana, ao alterar a velocidade e o rumo do processo evolutivo de outros organismos, podem apresentar conseqüências para nossa qualidade de vida. A teoria da descendência comum, por sua vez, ao fundamentar os métodos de inferência das relações de parentesco entre as espécies, tem nos permitido identificar: (1) reservatórios de organismos patogênicos; (2) inimigos naturais de pragas agrícolas; (3) espécies de plantas com compostos de importância farmacológica, médica e industrial; (4) regiões com maior variedade de espécies biologicamente diferentes únicas, que por isso devem ser conservadas. Pretendemos explorar alguns destes exemplos de aplicação do darwinismo, de modo a analisarmos como a biologia evolutiva tem nos proporcionado explicações e soluções para problemas de saúde pública, agricultura e gestão ambiental.


Leitura Recomendada:

FUTUYMA, D.J. Evolução, ciência e sociedade. Sociedade Brasileira de Genética. 1999. (disponível em http://www.sbg.org.br)

MEYER, D; EL-HANI,C.N. Evolução: o sentido da biologia. São Paulo: Editora UNESP, 2005
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Café Científico Especial – Ano Darwin
05 de maio de 2008 (segunda-feira) – 18:00

Evolução aplicada ao cotidiano

por Claudia Sepúlveda (Depto. de Educação, UEFS)

O Café Científico acontece a partir das 18 horas, na sede da Livraria Multicampi LDM, Piedade, Centro. A participação no Café é inteiramente gratuita.

Monday, March 17, 2008

Próximo Evento 14/04/2008 – 18 horas

Produção e Consumo Sustentáveis: Seremos Capazes de Construí-los?

por Asher Kiperstok da Escola Politécnica da UFBa.

Diagnosticar os problemas ambientais que se colocam perante nós é importante mas não é suficiente. Temos que ver com clareza o desafio da sustentabilidade para que possamos estabelecer metas e planejar ações. Urge ainda desenvolvermos metodologias de ação.
Na palestra serão abordados estes temas e serão apresentados os instrumentos que a Produção Limpa e a Ecologia Industrial colocam a nossa disposição.

maiores informações sobre o tema:

Tuesday, March 04, 2008

Resumo da apresentação do dia 10/03/2008

Desafios para o Desenvolvimento sustentável no Brasil

Por Emerson Andrade Sales, professor do Instituto de Química da UFBa.

Vivemos hoje uma das grandes contradições da humanidade: o modo segundo o qual a sociedade organizou-se historicamente, mesmo reconhecendo que trouxe avanços extraordinários, por exemplo, no campo do conhecimento, não resolveu questões básicas como a disseminação e apropriação universal deste mesmo conhecimento, visando o bem estar de todos. Ao contrário, mantém ainda hoje os privilégios, a injustiça social, a marginalização dos povos. Como conseqüência deste “modelo” de sociedade, a maneira como se vive na maior parte do planeta causa grandes impactos ambientais ao mesmo, por falta de reflexão sobre a responsabilidade de cada ato, e suas conseqüências para as futuras gerações.
A vida e o ambiente são intimamente ligados, interdependentes; a Terra é um sistema vivo, que tem sido enxergado apenas como fonte de insumos para a sobrevivência humana, e o desenvolvimento da chamada “sociedade de consumo”. Os limites do planeta, exaurido por este modelo de sociedade, estão cada vez mais próximos, mas poucos estão conscientes disto.
Mudanças Ambientais Globais estão ocorrendo e não podem ser separadas de questões de desenvolvimento. As relações do crescente aquecimento global com as intervenções antrópicas nos ecossistemas estão exaustiva e cabalmente demonstradas pela comunidade científica nacional e internacional. Há ainda uma questão de ética e justiça: as pessoas que vão sofrer as conseqüências mais graves das Mudanças Ambientais Globais são aquelas que menos contribuíram para este grave problema. Estes temas serão abordados com foco no caso brasileiro: quer o Brasil tornar-se um modelo de produção para um futuro sustentável? Como entender melhor as limitações ambientais para o desenvolvimento social e tecnológico? Queremos ser uma “potência ambiental” ou o primeiro “país tropical desenvolvido”?

Leituras Recomendadas:

Sachs, I. et al. DILEMAS E DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NO BRASIL, Editora Garamond.

Cavalcanti, C. (Org.). DESENVOLVIMENTO E NATUREZA: Estudos para uma sociedade sustentável. INPSO/FUNDAJ, Instituto de Pesquisas Sociais, Fundacao Joaquim Nabuco, Ministerio de Educacao, Governo Federal, Recife, Brasil. Octubre 1994. p. 262.
Próximo Evento 10/03/2008 – 18 horas

Os Desafios do Desenvolvimento Sustentável no Brasil

por Emerson Sales do Instituto de Química da UFBa.

Monday, March 03, 2008

Cobertura do Evento Anos Darwin

Centenas de pessoas assistiram a palestras sobre a passagem de Charles Darwin por Salvador
http://www.fapesb.ba.gov.br/cti/noticias/noticia.2008-02-29.9040842055/view

Prosseguem atividades dos “Anos Darwin”
http://www.comunicacao.ba.gov.br/noticias/2008/02/29/prosseguem-atividades-dos-201canos-darwin201d?b_start=0

Café científico faz homenagem a Charles Darwin
http://www.bahiaemfoco.com/noticia/4584/ufba-cafe-cientifico-faz-homenagem-a-charles-darwin

Café Científico discute Darwin
http://www.portal.ufba.br/ufbaempauta/2007/fevereiro/sexta09/energia

Fapesb promove eventos para comemorar 150 anos da teoria da seleção natural das espécies
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54440

Thursday, February 28, 2008

Café Científico Salvador nos Anos Darwin

Como a seleção natural atuou na evolução humana

Amanhã (29) será uma data especial para o Café Científico Salvador. O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Diogo Meyer, virá à Bahia para falar como a seleção natural atuou na evolução humana. O tema do Café, em data extraordinária, faz parte de uma série de eventos comemorativos dos 150 anos da primeira divulgação da teoria da seleção natural, de Charles Darwin e Alfred Wallace.

Os eventos, como este e outros Cafés especiais que acontecerão ainda este ano, são uma homenagem aos Anos Darwin, 2008 e 2009. Neste último, serão festejados 200 anos do nascimento desse estudioso que marcou a história da ciência moderna e os rumos da ciência contemporânea. Além disso, será quando se completa 150 anos da publicação do trabalho mais célebre de Darwin, A Origem das Espécies.
Em todas as atividades, a passagem de Charles Darwin no Brasil, e especialmente na Bahia (1832), será lembrada e discutida. Charbel El-Hani, coordenador do Café Científico e organizador dos Anos Darwin no Estado, disse que o Brasil teve um papel importante na vida do naturalista e para o chamado processo de "conversão" para o evolucionismo.

Darwin aportou em Salvador em 28 de fevereiro de 1832, onde ficou até 18 de março do mesmo ano. "Foi nas cercanias desta cidade que ele vivenciou pela primeira vez a experiência de caminhar pelo interior de uma floresta tropical, como ele descreve com cores vívidas e emocionadas no diário escrito ao longo da viagem do Beagle", conta El-Hani. Ele também afirma que o estudioso começou a coletar dados geológicos que lhe sugeriram que a profundidade do mar havia de fato variado ao longo do tempo. "É surpreendente como, diante deste rico legado, a passagem de Darwin pelo Brasil está pouco presente no ensino de Biologia em nosso país", criticou.

Fazendo dos anos de 2008 e 2009 uma oportunidade de realizar atividades de popularização e difusão da ciência que estejam voltados para estes episódios históricos, é que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e o Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS) se uniram para promover uma série de conferências, encontros, simpósios e atividades no contexto da educação básica e vinculadas ao turismo no Estado da Bahia, visando à celebração dos anos Darwin.

Veja a seguir um pouco do que será apresentado no Café Científico de amanhã (29):

Por Diogo Meyer

Em nossa espécie há diferenças entre indivíduos. Alguns de nós somos altos, outros são baixos; alguns têm pele escura, outros têm pele clara; alguns adoecem facilmente, outros são mais resistentes; alguns digerem leite com facilidade, outros ficam com dor de barriga após beber leite. Vemos também que essas diferenças têm alguma relação com o local de onde vêm as pessoas: africanos em geral têm pele mais escura do que europeus; o sistema imunológico de ameríndios é diferente daquele de africanos; asiáticos têm mais dificuldade para digerir o leite.

O que está por trás dessas diferenças? A seleção natural atuou sobre os humanos, mudando as populações? A nossa espécie ainda hoje está sob seleção natural? As diferenças entre nós e o chimpanzé, nosso parente não-humano mais próximo, resultam da ação da seleção natural? Nas últimas décadas avançamos muito no desafio de responder a essas perguntas.

Esses avanços se deram através de estudos genéticos, que compararam indivíduos de diferentes regiões do mundo. Além disso, foram feitos estudos que buscaram compreender de que modo diferenças genéticas explicam diferenças na aparência e saúde das pessoas. Juntando todas essas informações com nosso conhecimento sobre a evolução, podemos propor hipóteses sobre como a seleção natural atuou na nossa espécie.

Serviço

O quê: Café Científico Anos Darwin – Como a seleção natural atuou na evolução humana – com o professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Diogo Meyer.

Quando: amanhã (29), a partir das 18 horas

Onde: Livraria Multicampi LDM, Piedade.

Tuesday, February 05, 2008

Café Científico Especial – Ano Darwin
29 de Fevereiro de 2008 (sexta-feira) – 18:00

Como a seleção natural atuou na evolução humana.

por Diogo Meyer do Instituto de Biociências da USP.

O Café Científico acontece a partir das 18 horas, na sede da Livraria Multicampi LDM, Piedade, Centro. A participação no Café é inteiramente gratuita.
Resumo da apresentação do dia 12/02/2008

O Darwinismo chega à Bahia: o caso Domingos Guedes Cabral.

por Ronnie Tavares de Almeida do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBa.

Quando olhamos para a História da Bahia Imperial, mesmo o observador mais desatento terá grandes possibilidades de se deparar com o nome de uma personalidade baiana que teima em aparecer nas discussões, Domingos Guedes Cabral. Principalmente, porque temos dois homens (pai e filho) que, além de compartilharem o mesmo nome, possuíam as mesmas qualidades combativas: lutaram contra a forma de governo estabelecida, contra a presença da Igreja Católica em assuntos alheios à fé, contra o regime escravocrata, contra o suposto “atraso” em que o país estava mergulhado, contra o tipo de educação disponível no país etc. As batalhas eram diversas e precisavam ser travadas em muitos campos. Esses dois homens estavam dispostos a lutar, algumas vezes com pouco apoio social, pelas idéias que acreditavam. Pretendiam colaborar com a implementação de algumas das mudanças que julgavam indispensáveis para que o Brasil ingressasse no mundo civilizado (leia-se Europeu!!).
Falaremos do segundo Guedes Cabral, médico pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1875. Esse personagem protagonizou um dos eventos mais curiosos do mundo acadêmico baiano, teve sua tese de doutoramento recusada pela Faculdade de Medicina, único exemplo que conhecemos durante o período. Pretendemos apresentar um pouco da história de vida desse ator social e problematizar os motivos da recusa de sua tese. Duas explicações normalmente acompanham esse evento da recusa, as duas centradas nas idéias presentes na tese. Para alguns historiadores, o problema ocorreu porque o autor defendeu idéias materialistas, principalmente aquelas oriundas das teorias de Charles Darwin, em um momento em que isso ainda não seria possível no meio acadêmico local; para outros, o problema estava circunscrito à tentativa de Guedes Cabral de buscar provas de que Deus não existia, o que teria despertado a ira da Igreja Católica. Aceitamos em parte essas duas explicações e acrescentaremos outras, conforme poderá ser observado ao longo da apresentação.

Leituras Recomendadas:

ALMEIDA, Ronnie Jorge T. Religião, Ciência, Darwinismo e Materialismo na Bahia Imperial: Domingos Guedes Cabral e a Recusa da Tese Inaugural “Funcções do Cerebro” (1875). Dissertação apresentada ao Mestrado de Ensino, Filosofia e História das Ciências, UFBA/UEFS, Bahia, 2005. Disponível em http://www.fis.ufba.br/dfg/pice/.

Almeida, R. J. T. & El-Hani, C. N. (2007). A Medicina como “Philosophia Social”: Domingos Guedes Cabral e a Tese Inaugural “Funcções do Cérebro” (1875). Revista da SBHC (Brasil) 5(1): 6-33. Disponível em http://www.mast.br/arquivos_sbhc/321.pdf.

BLAKE, Augusto V. Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro V.2 Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1893.

CABRAL, Domingos Guedes. Funcções do Cérebro. Bahia: Imprensa Nacional, 1876, 226p.

COLLICHIO, Terezinha Alves Ferreira. Miranda Azevedo e o Darwinismo no Brasil. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia (ed. da USP), 1988, 166p.
ROMERO, Sylvio. Obra Filosófica, Coleção Documentos Brasileiros. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editôra. (Editora da USP), 1969.

Próximo Evento 12/02/2008 – Terça-Feira - 18 horas

Em comemoração ao dia Darwin, o café científico acontecerá excepcionalmente na terça-feira com o tema:


O Darwinismo chega à Bahia: o caso Domingos Guedes Cabral.

por Ronnie Tavares de Almeida do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBa.

Thursday, January 17, 2008

Resumo apresentação 14/01/2008

O olhar de um químico sobre as coisas do mundo: ou como as substâncias reagem umas com as outras?

por José Luis de Paula Barros e Silva do Instituto de Química da UFBa

O mundo material nos é tão familiar que costumamos aceitá-lo naturalmente, sem questionamentos. Contudo, os materiais que compõem o mundo têm sido objeto de conjeturas e estudo desde tempos imemoriais. A ciência química e a indústria química atuais são herdeiras dessa longa tradição.
Os conceitos químicos de substância, mistura, átomo e molécula possibilitaram descrever os materiais e suas transformações de modo mais preciso e interpretá-los com maior profundidade, o que facilitou a reprodução dos processos químicos, a síntese artificial de materiais e sua produção em larga escala. Portanto, parece-nos que tais conceitos devam ser amplamente divulgados, possibilitando aos leigos em química uma compreensão mais profunda e precisa dessa dimensão do mundo.
Os materiais podem ser descritos como constituídos por substâncias que se apresentam em estado puro ou em misturas. Substâncias podem transformar-se em outras substâncias, no que se convencionou denominar reação química.
A partir do início do século XIX, desenvolveu-se a noção de que cada substância é composta por átomos indestrutíveis combinados em proporções características. Tal idéia levou à interpretação de uma reação química como uma mudança nas combinações dos átomos presentes nas substâncias iniciais. Então, do ponto de vista macroscópico, os materiais são constituídos por substâncias e as reações químicas são transformações de substâncias. Microscopicamente, as substâncias são constituídas por átomos e moléculas e reações químicas são entendidas como recombinações de átomos.
A aparente simplicidade dessas declarações, que aprendemos na escola, encobre uma grande riqueza conceitual que procuraremos apresentar aos participantes do Café Científico, como um convite à discussão dos fundamentos da química contemporânea.

Saturday, January 12, 2008

Café Científico Salvador apresenta :
O olhar de um químico sobre as coisas do mundo

por Débora Alcântara

O próximo Café Científico, que acontece no dia 14 deste mês, a partir das 18 horas, na Livraria Multicampi LDM, Piedade, faz um convite à discussão sobre os fundamentos da química contemporânea. A apresentação do tema ficará a cargo do professor do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba), José Luis de Paula e Silva.
A aparente simplicidade do assunto tratado pelas escolas, como as reações das substâncias, encobre, segundo o professor, uma grande riqueza conceitual. "Os materiais que compõem o mundo têm sido objeto de conjecturas e estudo desde tempos imemoriais. A ciência e a indústria química atuais são herdeiras dessa longa tradição", informa.
José Luis explica que os conceitos químicos de substância, mistura, átomo e molécula possibilitaram descrever os materiais e suas transformações de modo mais preciso e interpretá-los com maior profundidade, o que facilitou a reprodução dos processos químicos, a síntese artificial de materiais e sua produção em larga escala. "Tais conceitos devem ser amplamente divulgados, possibilitando aos leigos em química uma compreensão mais profunda e precisa dessa dimensão do mundo", defende.
Divulgar como as substâncias reagem umas com as outras de forma mais aprofundada, mas numa linguagem voltada para um público diverso, é justamente o objetivo do Café Científico deste mês. Para adiantar um pouco do assunto, de acordo com José Luis de Paula e Silva, os materiais são constituídos por substâncias que se apresentam em estado puro ou em misturas. "Substâncias – informa – podem transformar-se em outras, o que se convencionou denominar reação química".
A partir do início do século XIX, desenvolveu-se a noção de que cada substância é composta por átomos indestrutíveis combinados em proporções características. Tal idéia levou à interpretação de uma reação química como uma mudança nas combinações dos átomos presentes nas substâncias iniciais. "Do ponto de vista macroscópico, os materiais são constituídos por substâncias e as reações químicas são transformações de substâncias. Já microscopicamente, as substâncias são constituídas por átomos e moléculas e reações químicas são entendidas como recombinações de átomos", explica o professor.
Desde setembro de 2006, o Café Científico Salvador vem contribuindo com a popularização da ciência, levando a um público heterogêneo, num clima descontraído, o que é tratado no espaço acadêmico. O evento é uma iniciativa do programa de Pós-graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências das Universidades Federal e Estadual da Bahia (Ufba e Uefs) e da Livraria Multicampi LDM. As sessões fazem parte do padrão
Café Scientifique , uma rede mundial, que já conta com quase duas centenas de cafés espalhados pelo mundo.
Inteiramente gratuito, o Café não necessita de inscrição e ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras, às 18 horas.

Indicações para leitura da sessão de janeiro:

BENSAUDE-VINCENT, Bernadette; STENGERS, Isabelle. História da química. Lisboa: Instituto Piaget, 1996.
FARADAY, Michael. História química de uma vela e As forças da matéria. Rio de Janeiro: Contraponto, 2003.
HOFFMANN, Roald. O mesmo e o não mesmo. São Paulo: Ed. Unesp, 2007.

Serviço:

O quê: Café Científico Salvador: O olhar de um químico sobre as coisas do mundo.
Quando: 14 de janeiro, a partir das 18 horas.
Onde: LDM – Livraria Multicampi, Rua Direita da Piedade, 20, Piedade.
Contato: Imprensa (Débora Alcântara – ** 71 8805-6292), Coordenação do Café (Charbel El-Hani - ** 71 3283-6568), LDM (Produtor Cultural - Vagner Rocha - ** 71 2101-8000).