Wednesday, March 07, 2007

Para Saber Mais - apresentação 12/03

é possivel saber mais sobre o tema, “Cosmovisões indígenas: novos olhares sobre a natureza e a cultura”, nos livros recomendados abaixo:

Ellen, R. F. 1996. The cognitive geometry of nature: a contextual approach. In Descola, Ph. e Pálsson, Gísli, orgs. Nature and Society. Anthropological perspectives. Londres: Routledge

Descola, P. 1996. Constructing natures: symbolic ecology and social practice. In Descola, Ph. e Pálsson, Gísli, orgs. Nature and Society. Anthropological perspectives. Londres: Routledge

Lenoble, R. 1990. História da Idéia de Natureza. Lisboa: Ed. 70.

Gusdorf, G. 1985. Le Savoir Romantique de la Nature. Paris, Payot.

Nichols, A. 2004. Romanticism & Ecology. The Loves of Plants and Animals: Romantic Science and the Pleasures of Nature. Romantic Circles Praxis Series (Ed.: Wang, Orrin), University of Maryland.

Bateson, G. 1980. Mind and Nature. A necessary Unity: Fontan/Collins.

Ingold, T. 2000. The Perception of the Enviroment. essays on livelihood, dwelling and skill, Londres: Routledge Cap. 1 - Culture, Nature, environment. Steps to an ecology of life.

Thomas, K. 1988 [1983]. O homem e o mundo natural: mudanças de atitude em relação às plantas e os animais, 1500-1800. São Paulo: Companhia das Letras. 454 pp.

Schama, S. 1995. Paisagem e Memória. São Paulo: Companhia das Letras. 627 pp.

Viveiros de Castro, E. 2002. A inconstância da alma selvagem - e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac & Naify. 552 pp.

Lévi-Strauss, C. 1970. O pensamento selvagem. Rio de Janeiro: Cia Editora Nacional.

Atran, S. 1993. Cognitive Foundations of Natural History. Towards an anthropology of Science. Paris / Cambridge, MSH/Cambridge Univ. Press.

Descola, P. 1986. La Nature Domestique: Symbolisme et praxis dans l' écologie des Achuar. Paris: Ed. MSH; ou a versão em inglês: Descola, Philippe 1996. In the society of nature: a native ecology in Amazonia, Cambridge: Cambridge University Press.

Serra, O. 2006. Um tumulto de asas: apocalipse no Xingu. Breve estudo de mitologia Kamayurá. EDUFBA. Salvador. 212 pp.
Resumo da apresentação do dia 12/03

“Cosmovisões indígenas: novos olhares sobre a natureza e a cultura”

Por Fábio Pedro de Souza Ferreira Bandeira do Departamento de Biologia da UEFS


A oposição entre natureza e cultura é fundadora de uma tradição intelectual que marca profundamente o pensamento moderno, já nos indicava o historiador Keith Thomas em seu livro “O homem e o mundo natural”. Ela alimenta o chamado “mito da natureza intocada” que alicerça o paradigma dominante da corrente mais ortodoxa da biologia da conservação, aquele que rejeita um modelo de preservação onde a sociedade esteja incluída como um dos elementos dos ecossistemas.

O pensamento moderno trata a natureza separada da cultura e designa prioridade ontológica para a primeira. Para Peter Dwyer, antropólogo australiano, isto é análogo à separação do organismo do ambiente que caracteriza a biologia. A verdade pode ser que a idéia de selvagem, que supõe o último refúgio da natureza, não é mais do que uma tentativa de representar um lugar imaginário como um símbolo concreto. Segundo Dwyer, ´Natureza´ como conhecem os ocidentais é uma invenção, um artefato. Para ele, prova disso é que se por um lado natureza e cultura são opostas como categorias discretas, por outro, elas aparecem como momentos num continuum que pode ser de desenvolvimento ou evolutivo. O paradoxo é bem conhecido; ele se refere à tensão entre produto e processo, entre entidade e relação. Não haveria outras possibilidades epistemológicas? A mente “selvagem” nos convida a essa reflexão.

Nessa palestra vamos explorar, tangencialmente, o esboço do que poderia ser a cosmovisão de um povo indígena da caatinga, os Pankararé, com quem aprendemos a ver o Raso da Catarina com outros olhares; não como um ambiente inóspito, de paisagem monótona e morfologia plana, mas como um lugar povoado de nomes, seres encantados, habitado por signos e seres diversos, monumentos; não uma natureza intocada mas transformada e totalmente mapeada. Ai se forja uma etnicidade, uma diferenciação dos não-índios, sertanejos bem parecidos com eles nas roupas, nos rostos, no modo de produção, nos costumes alimentares; isto porque no pensamento Pankararé não há cultura sem natureza nem natureza sem cultura, não há uma linha divisória definida, ai talvez esteja a diferenciação, a construção de sua própria identidade.

Como veremos, as cosmovisões indígenas não trazem em seu bojo esta antinomia, natureza/cultura. Elas lançam outros olhares, como bem exemplificam os Pankararé, e com isso estabelecem tanto no plano simbólico quanto no material uma série de inter-relações entre o que o pensamento moderno separa, fragmenta, institui como definitivo e real. Explorar tais cosmovisões e buscar entendê-las não é apenas um exercício de etnografia minucioso e imprevisível, isto pode nos levar a reformular, ou pelo menos refletir sobre, nossas próprias idéias, valores e atitudes em relação ao ambiente e aos outros seres vivos; quem sabe ai estão os fundamentos de uma ética ambiental universal, que integre as diversidades de visões sobre nosso lugar e nosso papel nesse (s) mundo (s).
Próximo Evento

12/03/2007 - 18:00 horas

Fábio Pedro de Souza Ferreira Bandeira (Departamento de Biologia/UEFS) - Cosmovisões indígenas: novos olhares sobre a natureza e a cultura.

Wednesday, February 28, 2007

Café Científico na Mídia 3 - Correio da Bahia






27/02/2007


Cientista faz palestra em livraria

O Café Científico, uma iniciativa inusitada, vem chamando cada vez mais a atenção da população de Salvador. Uma vez por mês, o público fica cara a cara com um cientista baiano para ouvir e debater temas atuais e recentes pesquisas sobre as mais variadas áreas do conhecimento humano. Ontem, foi a vez dos baianos ouvirem uma palestra sobre fontes alternativas de energia e seus benefícios e impactos sobre a vida de todos nós, ministrada pelo doutor em química Jailson Bittencourt, da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Os encontros, realizados sempre no auditório da LDM - Livraria Multicampi, na Piedade, fazem parte do Programa em Ensino, Filosofia e História das Ciências, da Ufba e da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Na platéia, uma diversidade de perfis, de acadêmicos a estudantes e clientes da própria livraria, revela que o interesse sobre a ciência é latente e aparece sempre que estimulado. “É hora da Bahia se orgulhar também de seus cientistas e não apenas da axé music”, afirmou Charbel el-Nani, coordenador do Café Científico. A palestra de ontem, por exemplo, apresentou dados e conjecturas que justificam a necessidade de encontrar novas fontes de energia e diminuir a dependência dos combustíveis fosséis, responsáveis por 70% de toda energia que consumimos.

Sunday, February 25, 2007

Resumo da apresentação do dia 26/02

“Fontes Alternativas de Energia: Seus Benefícios e seus Impactos”

Por Jailson Bittencourt do Instituto de Química da UFBa

Dentre os grandes desafios atuais e futuros da humanidade, Energia e Ambiente ocupam posições de destaque. Vários estudos recentes têm demonstrado que as questões energética e ambiental são os maiores desafios da humanidade na primeira metade do século XXI. O crescimento atual da demanda energética é significativo e não poderá ser suprido apenas pelas atuais fontes, em especial os combustíveis fosseis, ao passo que a queima de petróleo, carvão e gás natural tem contribuído fortemente para o crescimento das concentrações de dióxido de carbono na atmosfera refletindo de forma danosa no clima global do planeta. Ou seja, muitos dos problemas ambientais dependem diretamente da forma como a energia é produzida e/ou usada. Certamente, que outras questões relacionadas com água, alimentos e pobreza desafiam a humanidade e também estão relacionadas com Energia e Ambiente.

Nos próximos 50 anos as necessidades de energia atingirão cerca de 30 a 60 Terawatts e a sustentabilidade ambiental requer que as fontes sejam limpas e de baixo custo. Atualmente, os principais componentes da matriz energética são óleo, carvão e gás natural, que representam mais de 75% da matriz (Figura 1). Estimativas demonstram que em cinqüenta anos estes componentes representarão cerca de 30 % da matriz resultando na necessidade de incremento da produção de energia através de outras fontes, tais como: biomassa, fissão e fusão nuclear, hidroelétrica, geotérmica, eólica e, especialmente, solar.

Figura 1. Matriz energética em 2003.


No cenário energético atual um novo conceito emergiu: “segurança energética”, que significa muito mais do que proteger refinarias e oleodutos contra ataques terroristas, mas sim a capacidade de manter a máquina global funcionando, isto é, produzindo combustíveis e eletricidade suficientes, a preços acessíveis, para que todos os países possam, pelo menos, manter sua economia operando e o seu povo alimentado. No caso das economias emergentes como Brasil, Índia e China a demanda de energia está aumentando tão rápido que pode dobrar até 2020, o que coloca a questão energética e ambiental como uma questão global onde um dos principais desafios é produzir, estocar e transportar combustíveis derivados de biomassa (e.g. etanol e biodiesel), hidrogênio e metanol, de forma sustentável, bem como captar, estocar e transportar energia solar.

A amplitude do desafio energético e ambiental atual e futuro não permitem o desenho de uma solução, mas requer várias soluções. No caso do Brasil combustíveis derivados de biomassa podem ser a alternativa mais viável atualmente e num futuro próximo.

Próximo Evento

26/02/2007 - 18:00 horas

Jailson Bittencourt (Instituto de Química/UFBa) – Fontes Alternativas de Energia: Seus Benefícios e seus Impactos.

Saturday, February 03, 2007


Resumo da apresentação do dia 12/02
“Por que comemorar o dia Darwin? A importância da teoria darwinista da evolução”

Por Charbel Niño El-Hani do Instituto de Biologia da UFBa


A busca pela construção de uma explicação naturalística do mundo ao nosso redor, bem como de nós mesmos, pode ser vista como uma das grandes aventuras do intelecto humano. O naturalista inglês Charles Robert Darwin, nascido em 12 de fevereiro de 1809 e falecido em 19 de abril de 1882, foi uma das figuras centrais na construção de tal explicação. Assim, nada mais justo do que comemorarmos no dia 12 de fevereiro de cada ano o Dia Darwin, como meio de homenagear este grande personagem na história do conhecimento humano.


A teoria darwinista da evolução tornou possível pela primeira vez explicar de maneira convincente a diversidade da vida e as adaptações dos organismos de uma perspectiva naturalista. Com esta realização, o darwinismo surgiu como um contraponto poderoso ao argumento do planejamento dos seres vivos por algum tipo de inteligência superior, mais notadamente, por alguma divindade. Este feito se mantém controverso até os nossos dias. Estas controvérsias seriam diminuídas, contudo, se em vez de engajar-se em combates entre distintas formas de compreender a realidade, os seres humanos reconhecessem e, inclusive, celebrassem a capacidade de nosso intelecto de conceber uma diversidade de explicações para o mundo ao nosso redor e para nossa própria existência. Entre estas explicações, certamente o darwinismo figura como uma grande realização, bem como a narrativa da história do mundo e de suas características desde uma perspectiva naturalista, falando em termos gerais.

Embora geralmente reduzida à seleção natural, a teoria darwinista da evolução inclui mais quatro outras idéias: a idéia de que a evolução ocorre; de que os seres vivos partilham ancestrais comuns; de que a variação dentro de uma espécie origina as diferenças entre espécies; e de que a evolução é gradual. É fundamental compreender este ponto, bem como a natureza do mecanismo de seleção natural, de maneira que dedicaremos a estes dois aspectos considerável atenção em nossa fala. A compreensão de que há várias idéias combinadas no darwinismo torna possível deixar de lado alguns equívocos que são recorrentes nos debates sobre a teoria evolutiva, como, por exemplo, o de que uma crítica a um determinado aspecto da teoria darwinista implica que esta tenha sido ou esteja em vias de ser abandonada pela comunidade científica. De fato, há notáveis debates na comunidade científica sobre a teoria darwinista da evolução, como, por exemplo, aqueles que dizem respeito à natureza gradual do processo evolutivo. Estes debates não implicam, contudo, que se esteja pondo em questão a idéia de que a evolução ocorre (virtualmente consensual entre os biólogos atuais), ou de que a seleção natural tem um papel importante neste processo (embora seja cada vez mais aceita a participação igualmente importante de outros mecanismos). Estes debates também não implicam que o caráter naturalista da explicação do processo evolutivo esteja sendo, ou deva ser, de algum modo deixado de lado pela comunidade científica. Para esclarecer estes pontos, buscaremos mostrar que o próprio darwinismo evoluiu ao longo do tempo, de modo que a teoria evolutiva aceita atualmente não é idêntica à teoria elaborada por Darwin. Este é outro equívoco recorrente nos debates sobre o darwinismo, assim como o de que, supostamente, a teoria darwinista nunca teria sido questionada pela comunidade científica. Ela foi e continua sendo ativamente questionada. Assim, daremos atenção também aos debates contemporâneos na biologia evolutiva, destacando avanços recentes na compreensão das relações entre desenvolvimento e evolução, e suas conseqüências para a questão do gradualismo do processo evolutivo.

Wednesday, January 31, 2007

Próximos Eventos

12/02/2007 - 18:00 horas

Charbel Niño El-Hani (Instituto de Biologia/UFBA) – Por que comemorar o dia Darwin? A importância da teoria darwinista da evolução.

26/02/2007 - 18:00 horas

Jailson Bittencourt (Instituto de Química/UFBa) – Fontes Alternativas de Energia: Seus Benefícios e seus Impactos.

O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição. O local é a LDM – Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade. O Café Científico ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras. O telefone da livraria é (71)2101-8000.

Informações podem ser conseguidas também no telefone (71) 3263-6568. Informações gerais sobre a iniciativa dos Cafés Científicos podem ser conseguidas no seguinte sítio: http://www.cafescientifique.org.

Saturday, January 06, 2007

Resumo da apresentação do dia 08/01
Projeto Universidade Nova: Reinventando a Universidade. “

por Naomar Monteiro de Almeida Filho
Reitor da Universidade Federal da Bahia

A proposta da Universidade Nova compreende uma reestruturação curricular radical dos programas de formação universitária que vem ganhando adeptos em todo o país. A principal alteração prevista é a implantação de Bacharelados Interdisciplinares (BI), cursos de pré-graduação que serão requisitos para a graduação de carreiras profissionais e para a formação acadêmica de pós-graduação. O BI deve durar três anos, abrangendo grandes áreas do conhecimento: Artes & Humanidades, Ciências & Tecnologias. Seu currículo será predominantemente optativo, com três componentes: cursos-tronco, formação geral, formação específica. Os módulos gerais poderão incluir filosofia (lógica, ética e estética), história, antropologia, literatura e estudos clássicos, pensamento matemático, princípios e uso de informática, política e cidadania, ecologia, além de uso instrumental da língua brasileira e língua estrangeira moderna. Os módulos específicos serão optativos e oferecidos aos que concluíram a formação geral e pretendem antecipar cursos básicos das carreiras profissionais. Como a prioridade de matrícula será concedida por rendimento, haverá permanente estímulo ao bom desempenho dos alunos que pretendem usar o BI como via de entrada à formação profissional ou à pós-graduação acadêmica. O diploma do BI dará ao egresso maior flexibilidade no acesso ao mercado de trabalho. Haverá opções de prosseguimento para formação profissional, se o aluno for aprovado em processos seletivos específicos, em licenciaturas e carreiras específicas, e ingresso diretamente no Mestrado, e daí ao Doutorado, caso pretenda tornar-se professor ou pesquisador.
A estrutura curricular da Universidade Nova permitirá a captação de estudantes vocacionados para certas áreas de formação (como, por exemplo, as artes e as ciências com forte componente lógico) por meio de iniciativas de esclarecimento, sedução e recrutamento. Docentes, pesquisadores e atuantes (no sentido latouriano) de cada área de conhecimento e setor de inserção profissional terão maiores chances de lançar suas redes e suas iscas, ainda no momento interdisciplinar do BI, para pescar os latentes talentos desconhecidos. Assim, aptidões ocultas poderão ser reveladas a tempo de direcionar de modo adequado as carreiras profissionais, científicas e artísticas dos estudantes universitários.
A Universidade Nova inspira-se fortemente na obra de Anísio Teixeira. Anísio analisou com lucidez o que Boaventura Santos depois veio a chamar de crise de identidade da instituição universitária, considerando os dilemas cruciais da Universidade ao longo da sua história. Anísio foi também premonitório na detecção dos problemas estruturais da universidade brasileira que levaram ao processo de expansão desenfreada ocorrida nos anos 1990. Por uma dessas ironias históricas, entre tantas perseguições que sofreu por parte de setores políticos conservadores, foi por causa de projetos de reforma universitária que seus adversários conseguiram afastá-lo da vida pública, em duas oportunidades: em 1935, com a Universidade do Distrito Federal, por ele concebida e implantada, e em 1964, quando o governo militar reprimiu brutalmente a experiência da Universidade de Brasília, onde Anísio ocupava o cargo de Reitor.
De fato, há grandes convergências ideológicas, formais e operacionais entre a proposta de Anísio Teixeira (com o sistema de cursos universitários propedêuticos) e a arquitetura curricular do projeto Universidade Nova (como Bacharelado Interdisciplinar). Entretanto, há diferenças flagrantes entre ambas as propostas e o college norte-americano ou o Bachelor europeu. Por um lado, a pré-graduação da universidade norte-americana é mais longa que o BI e aceita desde programas com estrutura curricular totalmente aberta até cursos pré-profissionais. Por outro lado, o Bachelor do primeiro ciclo do Processo de Bolonha resulta profissionalizante e especializado, o que é contraditório com a essência interdisciplinar do nosso BI. Nesse caso, apesar de, por diversas razões, haver semelhanças entre o modelo europeu atual e a proposta da Universidade Nova (duração trienal equivalente, caráter predominantemente público da educação superior, manutenção de cursos profissionais no segundo ciclo etc.), as diferenças de contexto entre os espaços universitários europeu e latino-americano são grandes o bastante para desaconselhar uma adesão formal ao Processo de Bolonha. Embora uma ampla compatibilidade seja positiva, neste mundo globalizado, qualquer submissão será fatal (como tem sido em todos estes anos de história da educação superior brasileira) para o cumprimento do mandato humboldtiano da universidade como lugar de concepção e construção da identidade nacional.

Friday, December 15, 2006

Próximos Eventos
08/01/2007 - 18:00 horas
Naomar Monteiro de Almeida Filho (Reitor da Universidade Federal da Bahia) - Projeto Universidade Nova: Reinventando a Universidade.
12/02/2007 - 18:00 horas
Jailson Bittencourt (Instituto de Química/UFBa) – Fontes Alternativas de Energia: Seus Benefícios e seus Impactos.
12/03/2007 - 18:00 horas
Fábio Pedro de Souza Ferreira Bandeira (Departamento de Biologia/UEFS) - Cosmovisões indígenas: novos olhares sobre a natureza e a cultura.

O evento é inteiramente gratuito e não necessita de inscrição. O local é a LDM – Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, 20, Piedade. O Café Científico ocorre na segunda semana de cada mês, sempre às segundas-feiras. O telefone da livraria é (71)2101-8000. Informações podem ser conseguidas também no telefone (71) 3263-6568. Informações gerais sobre a iniciativa dos Cafés Científicos podem ser conseguidas no seguinte sítio: http://www.cafescientifique.org.

Sunday, November 19, 2006

Resumo da apresentação do dia 11/12
“A Síndrome de Down: das páginas da vida para a realidade”

por Lília Maria de Azevedo Moreira do Instituto de Biologia da UFBa


Partindo de uma análise histórica, fundamentada em registros artísticos e numerosos documentos produzidos pela biomedicina, desde o relato inicial da Síndrome de Down em 1866, o objetivo desta reflexão, é discutir a experiência humana de mudança de paradigmas, ao longo do tempo e, mais recentemente, com uma exposição maior desta síndrome à mídia televisiva.
Quando John Langdon Down descreveu a síndrome, cunhou a metáfora “mongolismo”, seguindo a visão etnocentrista européia da época, atribuindo à condição, um aspecto degenerativo, sem expectativas, nem esperanças. Mesmo Tredgold (1908) que foi o precursor na difusão do tratamento e assistência a crianças com deficiência, considerava a Síndrome de Down uma “morbidade hereditária”, defendendo métodos eugênicos para a sua prevenção.
Após a II Guerra, o espírito democrático, aliado aos avanços científicos e ao desenvolvimento das ciências do comportamento, produziu um novo enfoque, com a valorização da educação especial e a necessidade de intervenções terapêuticas. Até a primeira metade do século passado, a produção científica chamava atenção para as características físicas, semióticas, denominadas cardeais quando presentes em mais de 50% dos casos.A preocupação maior era, com o grau de deficiência mental, que se supunha estar associado com a presença de maior número de sinais cardeais, suposição não comprovada. O estudo de Lejeune em 1959 centrou a discussão etiológica na genética. Ainda hoje predomina como ponto prioritário a visão orgânica da síndrome, também denominada de “Trissomia 21” e, segundo Maria Helena Cardoso (2003), o cromossomo adicional é metaforizado no “acidente genético”, determinando uma condição materializada em problemas no desenvolvimento físico e funcionamento mental.A autora observa que a elucidação da etiologia da síndrome deu significância à existência do terceiro cromossomo 21, tornando-o um ator na narrativa da Síndrome de Down.
Embora os sinais físicos sejam bastante elucidativos, o cariótipo é considerado essencial ao diagnóstico, compondo um código do distúrbio genético, necessário à sua compreensão. As relações na família são diversificadas, da aceitação ao repúdio. A metáfora da “cruz da minha vida” é atualmente sobrepujada pela figura inocente, angelical. Maria Helena Cardoso (2003) analisa a imagem de “anjo”, na suposta representação de crianças com a síndrome em pinturas clássicas, que indicam a construção social da criança com síndrome de Down, apresentada como cordata, afetuosa, meiga e profundamente humanitária. A autora propõe ser a metáfora do “anjo”, uma metáfora de defesa e de compensação para o sofrimento sentido, que torna os pais também especiais, por terem essa criança.
No Brasil, as estimativas do IBGE (Censo 2000) referem existir cerca de 300 mil pessoas com a Síndrome de Down, com incidência de um a cada 600 nascimentos. É verificada uma maior prevalência em gestações acima dos 35 anos, embora a taxa de reprodução de mulheres nesta faixa etária esteja em declínio. O aumento da expectativa de vida acompanha as estatísticas mundiais, mas na questão da inclusão social permanecem os contrastes. É ainda grande a quantidade de crianças com Síndrome de Down não estimuladas, sem fonoterapia, tratamento essencial à qualidade da fala, situações associadas à dificuldade de aceitação da criança pela família e ao baixo nível sócio-econômico. Ao mesmo tempo, não são mais tão raros os exemplos de empregos bem sucedidos e de casamentos entre pessoas com a Síndrome de Down.
Permanece como um ponto de questionamento, o papel educativo da exposição pelos meios de comunicação de uma condição genèticamente determinada como a Síndrome de Down, em uma narrativa de ficção, e a sua contribuição para a modificação de atitudes na população, que se faz necessária para o abandono do modelo assistencialista e o êxito do projeto social de inclusão, não apenas de pessoas com esta síndrome, mas também com outras formas de distúrbios genéticos e deficiências. Mesmo que algumas representações dêem margem a dúvidas, é inegável a contribuição desta exposição para o aumento da auto-estima de pessoas com a síndrome de Down, para a democratização da ciência e para o reconhecimento público das dificuldades enfrentadas pelas pessoas com distúrbios genéticos e as suas famílias.
Próximo Encontro - A Síndrome de Down: das páginas da vida para a realidade

Professora Lília Maria de Azevedo Moreira do Instituto de Biologia da UFBa

LOCAL: Livraria Multicampi LDM ( Rua Direita da Piedade, 20, Piedade )

DATA: 11/12/2006 (segunda-feira)

HORA: 18h

Thursday, November 09, 2006

Resumo da apresentação do dia 13/11
“Recifes de coral e aquecimento global”


por Ruy Kenji Papa de Kikuchi
Professor do Instituto de Geociências da UFBa


O que é o recife de coral ? Quais são as condições ambientais (geológicas, geográficas, ecológicas, oceanográficas) para a sua existência ? O aquecimento global é um fenômeno homogêneo no planeta ? Qual é o papel que o Homem tem no seu desenvolvimento ? O aquecimento global afeta os ecossistemas costeiros e marinhos, como os recifes de corais ? Estas perguntas básicas norteiam a exposição, para mostrar diversas facetas de um problema que afeta todo o mundo, não apenas prejudicando diretamente os ecossistemas existentes dos países costeiros, mas a economia, a matriz energética e o bem estar da população mundial, e que pode tomar dimensões dramáticas em algumas décadas. O mecanismo que promove o aquecimento global, a elevação na concentração dos gases estufa, tem ligações com outros fenômenos, é um fenômeno complexo, como a redução na quantidade de ozônio na atmosfera, a acidificação dos oceanos e a elevação do nível do mar. Para a compreensão desses fenômenos, que englobamos sob a denominação de mudanças globais, é necessário perceber que todos eles guardam entre si um elevado grau de dependência. A visão histórica do desenvolvimento da Terra que se obtém através da Geologia nos auxilia a compreender melhor os impactos que as variações da temperatura global podem gerar nos recifes, e nos ecossistemas costeiros em geral. Verifica-se que os ecossistemas têm sua capacidade de absorver e de se recuperar de mudanças ambientais com seqüelas que vão desde a redução da área ocupada por eles até a redução da sua biodiversidade. Nós, seres humanos, poderemos passar por problemas similares, com o aumento dos rigores da natureza à nossa sobrevivência.

Wednesday, November 01, 2006

Próximo Encontro - “Recifes de coral e aquecimento global”

Professor Ruy Kenji Papa de Kikuchi do Instituto de Geociências da UFBa

LOCAL: Livraria Multicampi LDM ( Rua Direita da Piedade, 20, Piedade )

DATA: 13/11/2006 (segunda-feira)

HORA: 18h

Wednesday, October 04, 2006

Resumo da apresentação do dia 09/10
"Cibercultura: Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea"

por André Luiz Martins Lemos
Professor da Faculdade de Comunicação da UFBa

Cibercultura e Contemporaneidade: Emissão, Conexão, Reconfiguração

Busca-se compreender, sob o prisma de uma fenomenologia do social, as principais características da cibercultura na contemporaneidade, tendo como princípios básicos três características fundamentais do atual processo tecnológico, a saber: a liberação do pólo da emissão, o princípio em rede e a reconfiguração da paisagem comunicacional. Esse tripé tem como pano de fundo uma mudança social na vivência atual do espaço e do tempo. O objetivo dessa conferência é compreender a cibercultura contemporânea e sua interface com a cultura e a sociedade contemporâneas onde serão analisados alguns fenômenos atuais como: a era da conexão sem fio (celulares, SMS, bluetooth, RFID, Wi-Fi); as práticas comunicacionais como os blogs, os podcasts, os vlogs; as trocas peer to peer; as relações sociais no ciberespaço com chats, fóruns e softwares sociais (“Orkut”, “Multiply”); os softwares de fonte aberta e a cultura copyleft; a arte eletrônica interativa e colaborativa; as questões políticas emergentes com a cibercidadania, o ciberativismo e o “hacktivismo”; as transformações morais e éticas envolvidas na manipulação, na vigilância e no controle social.
Palavras-chave – Cibercultura, comunicação, sociedade.

Tuesday, October 03, 2006

Próximo Encontro - “Cibercultura: Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea”

Professor André Luiz Martins Lemos da Faculdade de Comunicação da UFBa

LOCAL: Livraria Multicampi LDM ( Rua Direita da Piedade, 20, Piedade )

DATA: 09/10/2006 (segunda-feira)

HORA: 18h
Café Científico na Mídia 2 - Clipping A TARDE

Resumo da apresentação do dia 11/09
De onde viemos? Para onde vamos?
As velhas perguntas e os recentes avanços da cosmologia

por Saulo Carneiro de Souza
professor do Instituto de Física da UFBa

Começamos discutindo alguns mitos de criação, que, ao contrário da moderna cosmologia, são antropocêntricos e definitivos, mas que, como ela, delimitam e definem o que chamam universo. Discutimos então a cosmologia newtoniana, iniciada com Copérnico, Galileu e Kepler, e que, após transferir o centro do universo da Terra para o Sol, nos leva à concepção de um universo infinito. Com o advento da teoria da Relatividade Geral de Einstein, na qual a geometria do espaço-tempo é modificada pela presença de matéria, chegamos aos modernos modelos cosmológicos, inicialmente desenvolvidos por Friedmann e Lemaitre, e segundo os quais o espaço se encontra em permanente expansão. Tais modelos, verificados pelas observações de Edwin Hubble sobre o afastamento das galáxias distantes, implicam a existência de uma fase inicial extremamente quente e densa na evolução do universo, o que veio a ser mais tarde corroborado pela descoberta da radiação cósmica de fundo, um fóssil dessa era inicial. Ao final da mesma, com o decréscimo da temperatura, elétrons e núcleos atômicos puderam ligar-se, constituindo o hidrogênio e hélio de que a maior parte da matéria visível é feita. A expansão entrou então numa nova fase, durante a qual foram formadas as galáxias e estrelas, nas quais os elementos mais pesados foram sintetizados. Observações mais recentes nos estão levando a uma era de precisão observacional, a uma nova fase das pesquisas em cosmologia. Observa-se que a matéria de que somos feitos constitui tão somente 5% de todo o conteúdo energético de nosso universo, com outros 25% existindo, no interior das galáxias, sob a forma de uma ainda desconhecida “matéria escura”. Os demais 70% formam a assim chamada “energia escura”, cuja presença tem se manifestado de forma convincente em observações do afastamento de supernovas distantes. Nesse contexto, estamos chegando à imagem de um universo espacialmente plano e infinito, cuja expansão, hoje cada vez mais acelerada, seguirá indefinidamente, levando-nos a um cosmos cada vez mais vazio, frio e escuro. O universo tem se expandido por cerca de 14 bilhões de anos, o que nos leva a perguntar sobre o início desse processo. Tudo o que nossas equações podem nos dizer é que a expansão teve início numa singularidade, ou seja, um estado em que toda a infinita matéria do universo e o próprio espaço concentravam-se em um único ponto. Neste cenário, não faz sentido perguntar que havia antes, pois o próprio tempo também nasce nessa singularidade. Se ela realmente existiu, ou se nossa descrição teórica de tempos tão primordiais deva ser modificada, é algo que não sabemos ainda responder.

Monday, October 02, 2006

Café Científico na Mídia 1 - Clipping TVE


Wednesday, September 27, 2006

Café Científico Edição Especial Celebração dos 60 anos da UFBA

O Café Científico, em comemoração aos 60 anos da UFBa (Universidade Federal da Bahia), colocará em discussão junto à comunidade o tema: Por que o Brasil responde por 1,8% da produção científica mundial, mas apenas por 0,2% das patentes?

O debate será conduzido pela professora Cristina Quintella do Instituto de Química da UFBa.

27/09/2006 – 18hs
Local: Cantina do PAF1 – UFBa (Campus de Ondina)